MT: Abandonada, “Ilha da Banana” vira depósito de lixo na Capital

 

Na manhã do dia 11 de junho de 2017, cerca de 30 pessoas trabalhavam na demolição de imóveis que fazem parte da região do Largo do Rosário, que se popularizou como “Ilha da Banana”, no Centro Histórico de Cuiabá, a fim de dar espaço para as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que nunca foram finalizadas.

Dois anos depois, a área, onde no passado chegou a funcionar um centro comercial, está abandonada e se tornou depósito de lixo, além de ser abrigo para pessoas em situação de rua.

 Na época da demolição, mais de 50 pessoas que viviam nas ruas no Centro Histórico e usavam o prédio abandonado como “casa” foram retiradas do local. A maior parte deles passou, então, a viver no Morro da Luz, em frente ao Largo do Rosário.

Atualmente, dezenas de pessoas em situação de rua continuam ocupando a área. A reportagem do MidiaNews esteve no local e constatou a grave situação de abandono da região.

Entre a grande quantidade de lixo espalhado pela área, caixas de produtos de varejo, como cabides de roupas, além de enfeites de natal, foram deixados no local. Partes de aparelhos televisores, sofás, bichos de pelúcia, cobertores e colchões também fazem parte do cenário do cenário.

No momento em que a reportagem esteve no local, nenhuma pessoa em situação de rua ocupava a área. O único sinal de que os escombros serviam, de fato, como moradia para alguém, era um barraco improvisado embaixo de uma estrutura do teto do antigo centro comercial.

Coberto por pedaços de lona e tecidos, do lado de dentro do barraco também havia um colchão.

Alguns gatos também habitam a área, que atualmente possui forte odor de esgoto. A grande quantidade e altura do mato no Largo do Rosário também chamam atenção de quem passa pelo local.

O ponto histórico fica localizadoem um ponto de grande movimento durante os três períodos do dia.

Centenas de veículos e pedestres trafegam pela área diariamente. Alguns estabelecimentos comerciais também resistem ao abandono que se estende ano após ano na região do Centro Histórico de Cuiabá.

Projeto de revitalização

Em entrevista ao MidiaNews, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PSDB) afirmou que pediu ao governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), a transferência do Largo do Rosário para a administração municipal, como todos os seus “ônus e bônus”. De acordo com ele, o Estado deve “mexer” com coisas maiores.

“Pedi ao Mauro para ele passar para o município, é uma coisa tipicamente municipal, local. O Estado mexe com coisas maiores, mexe com o macro. A Ilha da Banana é de interesse local”, afirmou Pinheiro.

O prefeito ainda ressaltou que as ruínas do Largo do Rosário deixam Cuiabá com “cara de cidade em ruína”.

“Justamente onde tudo começou. A história de urbanização da Capital começou naquele ‘pedacinho’ abençoado”, disse.

Emanuel também afirmou que já existe um projeto de revitalização e reurbanização do Largo do Rosário por meio do “Triângulo Histórico” – que reunirá o Morro da Luz, o Beco do Candeeiro e a Ilha da Banana, todos localizados no Centro Histórico de Cuiabá.

 Barraca improvisada com cobertores na Ilha da Banana

A demolição

O então governador de Mato Grosso Pedro Taques (PSDB) –  em parceria com a Prefeitura de Cuiabá, além do aval da Justiça de Mato Grosso, Ministério Público Federal (MPF) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – comandou a execução da demolição.

Na época, 13 dos 15 imóveis da região foram demolidos. O serviço de derrubada e recolhimento dos entulhos custou, no total, R$ 4,2 milhões aos cofres públicos. Porém, restos de construção e até mesmo ruínas do antigo prédio continuam no local.

A primeira impressão de quem passa pela área é de que um trabalho de demolição e recolhimento do lixo nunca foi realizado.

De acordo com a assessoria da Secretaria de Estado de Cidades (Secid), foram desapropriados um terreno e três imóveis da Ilha da Banana, para a implantação do VLT.

Parte dos imóveis desapropriados foi demolida parcialmente, pois o Consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande, responsável pela obra, não conseguiu aprovação do projeto de modificação do local no Iphan.

  O projeto inicial para o local, apresentado pela extinta Secopa, previa a retirada de todas as casas da Ilha da Banana para que os vagões do VLT subissem pela Rua Bernardo de Antônio Oliveira Neto, que passaria a ser mão-dupla.

Já a Avenida Coronel Escolástico, em frente à Igreja do Rosário, na pista que faz o sentido Coxipó-Centro, seria bloqueada, dando lugar ao Largo do Rosário.

Após os primeiros embates dos moradores da região, o projeto foi mudado. O “plano b” previa apenas a demolição de metade dos imóveis para a implantação da via permanente do VLT do Eixo 2 (Coxipó-Centro).

Atalmente, a obra do VLT já consumiu mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos e está parada desde dezembro de 2014. O futuro do projeto ainda é incerto.

Concessão ao Município

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra) informou que, até o momento, não há nenhuma solicitação da Prefeitura de Cuiabá para assumir a área do Largo do Rosário.

A pasta também informou que a atual gestão ainda estuda a melhor forma de dar funcionalidade à área.

Fonte: MIDIANEWS

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