Alckmin diz que suas campanhas eleitorais ‘foram rigorosamente dentro da lei’

Ex-governador de São Paulo foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita da prática dos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro

Geraldo Alckmin disse que “quem está na vida publica tem por dever prestar contas cotidianamente”

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), indiciado pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16) sob suspeita da prática dos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, disse em entrevista à CNN Brasil que não foi ouvido, mas irá prestar contas. “Quem está na vida publica tem por dever prestar contas cotidianamente”, afirmou Alckmin. “As minhas campanhas tanto de 2010, de 2014 e agora, em 2018, foram rigorosamente dentro da lei”, disse.

Alckmin disse que tem 40 anos de vida pública e que seu patrimônio não aumentou. Por redes sociais, o presidente do PSDB, Bruno Araújo, disse que o político tem “toda a confiança do PSDB”.

“Governador quatro vezes de São Paulo, quase cinco décadas de vida pública, médico, Geraldo Alckmin sempre levou uma vida modesta e de dedicação ao serviço público. É uma referência de correção e retidão na vida pública”, publicou.

Já o presidente do diretório paulista do PSDB, Marco Vinholi, disse em nota que “tem absoluta confiança na idoneidade do ex-governador Geraldo Alckmin”. “A história do governador Geraldo Alckmin não deixa dúvidas sobre a sua postura de retidão, coerência e compromisso com o rigor da lei.”

Segundo a PF, o indiciamento faz parte da segunda fase da chamada “Lava Jato Eleitoral” de São Paulo. Também foi indiciado o ex-tesoureiro do PSDB Marcos Monteiro e o ex-assessor de Alckmin Sebastião Eduardo Alves de Castro.

O indiciamento teve como base a delação de ex-executivos da Odebrecht, além de análises periciais no sistema de informática da empreiteira, de extratos telefônicos, de conversas pelo aplicativo Skype, de documentos, de ligações telefônicas e também por meio de outras delações.

As penas, segundo a Polícia Federal, vão de 3 a 12 anos de prisão.

Agora, caberá aos promotores do Ministério Público de São Paulo responsáveis por ações eleitorais decidirem se irão apresentar denúncia contra o ex-governador, pedir novas diligências ou pedir arquivamento do caso.

As investigações da Lava Jato Eleitoral são tocadas pela Polícia Federal e por promotores do Ministério Público de São Paulo – apesar de serem casos relacionados à operação, não estão sob responsabilidade da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal, que existe desde 2017.

Em abril de 2018, a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi enviou um inquérito da Lava Jato sobre Alckmin para a Justiça Eleitoral de São Paulo.

A investigação foi aberta no STJ em novembro de 2017 a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) com base em delações de executivos da Odebrecht, que disseram ter acertado com Alckmin e repassado à sua campanha valores superiores a R$ 10 milhões por meio de caixa 2 em 2010 e 2014.

O tucano era investigado perante o STJ porque, como governador, tinha foro especial nessa corte. Ao renunciar para concorrer à Presidência em 2018, ele perdeu o foro especial.​

Segundo os delatores, parte do montante teria sido entregue ao cunhado de Alckmin, o empresário Adhemar César Ribeiro. A narrativa foi feita por três ex-executivos da empreiteira: Benedicto Junior, Carlos Armando Paschoal e Arnaldo Cumplido de Souza e Silva.​

Fonte:   otempo.com

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