Assinatura em laudo de mineradora arrematada pelo governador de MT é falsa

A assinatura de um engenheiro que atestou um laudo de avaliação de uma mineradora leiloada pelo Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT) e arrematada por uma empresa do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), é falsa, conforme atestou uma perícia judicial realizada pela Justiça Federal de Cuiabá.

A perícia grafotécnica foi realizada no decurso de uma ação de improbidade administrativa onde o Ministério Público Federal acusa Mauro e outras quatro pessoas de participarem de uma esquema que fraudou o leilão da antiga Mineradora Salomão, hoje Mineração Casa de Pedra.

Segundo o MPF, todo o processo de venda e arrematação da mineradora foi fraudado e direcionado para beneficiar o grupo empresarial do governador. Pelas mesmas acusações, o juiz que conduziu o leilão foi aposentado compulsoriamente pelo TRT-MT após responder a um processo disciplinar.

Na perícia determinada pelo juiz César Bearsi, da 3ª Vara da Justiça Federal de Cuiabá, a pedido do MPF, o perito forense Thyago Jorge Machado atestou que a assinatura do engenheiro José Abilio Manso Raimundo da Rocha (já falecido) no laudo de avaliação da mineradora datado de 1999 é inautêntica e, portanto, foi falsificada.

O documento foi levado aos autos do processo de venda da mineradora junto ao TRT-MT.

No laudo da perícia grafotécnica de 24 folhas com data do dia 20 de novembro de 2020, ao qual teve acesso, o perito aponta uma série de incongruências nas comparações das assinaturas do engenheiro no laudo e em seus documentos pessoais e outros documentos públicos.

Folha de rosto de laudo pericial ao qual Isso É Notícia teve acesso

“As assinaturas analisadas presentes no LAUDO DE AVALIAÇÃO A MINERAÇÃO CASA DE PEDRA (Minérios Salomão Ltda), datado em 31 de agosto de 1999, juntado às fls. de Id. Num. 325643930 – Pág. 52-63 são falsas e, portanto, incompatíveis com as assinaturas verdadeiras analisadas”, diz trecho do laudo pericial.

Agora, o MPF deve analisar o resultado da perícia e decidir se ratifica ou não o pedido de condenação por improbidade administrativa dos réus.

A ação movida em 2014 ainda não tem sentença, mas se for condenado em primeira instância – e a decisão mantida pelo TRF -, Mauro Mendes estará inelegível com base na lei da ficha limpa.

 

Fonte: www.copopular.com.br

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