Dia Nacional da Luta Antimanicomial 2019 : Milhares tomam as ruas de BH

 

“Direitos às diversas gentes: de mãos dadas contracorrentes” é o tema do desfile da escola de samba Liberdade Ainda Que Tam Tam, que marcará o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, nesta sexta-feira (17), em Belo Horizonte. A manifestação tem concentração a partir das 14h, na Praça da Liberdade, e saída às 15h, com dispersão na Praça da Estação.

Inspirado na palavra de ordem que viralizou logo após as eleições de 2018 – “Ninguém solta a mão de ninguém”, o tema propõe a resistência conjunta dos negros, mulheres, índios, sem terra, sem teto, usuários de drogas, loucos, LGBTQI, ativistas, enfim, das populações que têm sido alvo do ódio e da intolerância na atual conjuntura política.

O desfile também chama a atenção para os graves retrocessos na Política Nacional de Saúde Mental, com a publicação da Nota Técnica nº 11/2019 do Ministério da Saúde, que propõe o retorno dos hospitais psiquiátricos, do eletrochoque, o fim da política de redução de danos e o aumento do financiamento das comunidades terapêuticas, ou seja, na contramão da Reforma Psiquiátrica e dos Direitos Humanos.

Os nomes de Marielle Franco, Dandara e Zumbi marcam o samba enredo de 2019, criado pelos usuários do Centro de Convivência Oeste. Com o título “A Revolução é preta e virá pelo Ventre”, o samba entoa a valorização dos povos ancestrais no Brasil e sua luta pela resistência. Ao todo, cinco alas compõem o desfile-manifestação.

Realizado pelo Fórum Mineiro de Saúde Mental e pela Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais (ASUSSAM), o ato político e cultural é uma estratégia do movimento antimanicomial de Minas Gerais, que há 22 anos realiza a manifestação no dia 18 de Maio com o formato de um desfile de carnaval pelas ruas da capital mineira. O ato conta com a participação de usuários da rede de saúde mental, seus familiares, trabalhadores e simpatizantes da luta antimanicomial, além da presença dos serviços substitutivos de diversos municípios mineiros. A escola de samba Liberdade Ainda que Tam Tam traz os seguintes temas em suas alas:

1ª ALA: LIBERDADE, LIBERDADE, NÃO VOLTEMOS AOS PORÕES!

2ª ALA: NÓS TEMOS UM SONHO: TERRA, TETO E TANTÃS.

3ª ALA: SOU CUNHATÃ, SOU CURUMIM, CUIDA SEMPRE DE MIM!

4ª ALA: BOTA A CARA NO SOL, RESPEITA QUEM SOU!

5ª ALA: TIRA SEU RETROCESSO DO CAMINHO, QUE VOU PASSAR COM A REVOLUÇÃO.

Conheça abaixo  o texto com as reivindicações para o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, elaborado pelo Fórum Mineiro de Saúde Mental e pela ASUSSAM.

DIA NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL 2019
DIREITOS ÀS DIVERSAS GENTES: DE MÃOS DADAS CONTRACORRENTES
“Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”
Carlos Drummond de Andrade
“Ninguém solta a mão de ninguém” tornou-se o lema das redes sociais após as eleições de 2018.
Pelo resultado nefasto, parte do país mostrava sua cara ao eleger como presidente o candidato
com perfil de extrema-direita, reacionário, nazifascista, que fazia declarações racistas,
homofóbicas, misóginas, em defesa do armamento, sem um projeto político de governo,
contrário às questões ambientais e da terra no país. Eleições que foram marcadas por
disseminação de fakenews nas redes sociais, candidato ausente nos debates, outro preso em
um processo de julgamento arbitrário, e uma polarização do país como resultado da anterior
divisão entre os “vermelhos” e os “verde-amarelos”, alastrando uma onda de ódio que cindiu
famílias, amigos, e matou pessoas que se manifestaram contrárias ao pensamento obscurantista
que emergiu na sociedade brasileira. 2019 começa mostrando os riscos a que estamos
submetidos junto a uma avalanche de notícias de retrocessos e falas absurdas frente às reais
demandas do país. Fomos enterrados na lama de lixo-tóxico, com mais um crime da empresa
Vale, em que a ganância pelo lucro falou mais alto: o rompimento de mais uma barragem de
resíduos de mineração em Brumadinho. Logo após, uma Nota Técnica do Ministério da Saúde,
reafirmando a Portaria 3.588/2017, propõe retroceder toda a luta e trabalho pela Reforma
Psiquiátrica nacional, fazendo inclusive menção ao financiamento do eletrochoque, declarandose contrária à redução de danos, em apoio às comunidades terapêuticas, com perspectiva
hospitalocêntrica e médico-centrada, chegando a igualar os serviços substitutivos aos hospitais
psiquiátricos. Além disso, já há algum tempo, o SUS vem sendo desmontado em detrimento do
setor privado e da lógica de mercado, num subfinanciamento crônico agravado com a Emenda
Constitucional 95 que estabelece teto de gasto e congela os investimentos em saúde, educação
e assistência social pelos próximos 20 anos.
Se já vínhamos dito dos tempos sombrios que nos assolava desde 2016, com “Eles passarão, nós
passarinho”, em 2017 com “Faz escuro, mas eu canto: liberdade em todo canto” e em 2018
reforçamos com a luta das mulheres de que estamos “Atentas e fortes: Tantãs sem temer os
golpes”, agora, o lema das redes sociais parece ser a saída para resistir pelas lutas contra a
corrente de cunho neofascista que vem tomando o país. O lema tornou-se também refrão nas
nossas discussões para o desfile do 18 de maio de 2019, e entendem

O Dezoito de Maio

A data foi proposta no II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental, realizado na cidade de Bauru (SP), em 1987. No evento, foi criado o Movimento Nacional da Luta Antimanciomial e lançado o manifesto público intitulado “Por Uma Sociedade Sem Manicômios”. Desde então, a data é marcada por manifestações em inúmeros municípios brasileiros, que ocupam as ruas das cidades, convocando a população e participar e testemunhar como é terapêutica a liberdade!

Fonte:  mg.caritas.org

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