Mesmo com colheita mais lenta, qualidade da safra 2020/21 de café deve ser superior a 2019

 

A colheita da safra 2020/21 começa a ganhar mais intensidade nas lavouras do sul de Minas Gerais e apesar de estar atrasada em relação a 2019, está dentro do esperado quando comparado com a última safra de ciclo alto, em 2018. Tudo indica que será uma safra de boa qualidade para a principal região produtora do país. Além da quantidade de café a ser colhido, os trabalhos também estão mais lentos por conta da pandemia do Coronavírus, mas acontecem sem maiores problemas em toda a região.

Segundo Rodrigo Moreira, superintendente da Concafé, é observado que a safra deste ano apresenta uma uniformidade maior do que a anterior. “As lavouras nos mostram uma maturação mais uniforme e tenho visto que teremos muita qualidade este ano”, afirma Rodrigo.

A qualidade da safra, segundo Rodrigo, se dá principalmente por o clima ajudou a produção tanto no desenvolvimento da lavoura e também agora na colheita. “Choveu em algumas regiões nos últimos dias, podemos ter sim alguma perdas, mas nada que seja muito significativo para comprometer a qualidade de toda a safra”, comenta.

Segundo os dados da Cooxupé, nas áreas de atuação da cooperativa, até o dia 26 de junho atingiu 26% de área colhida. A colheita da Cooxupé está mais avançada no sul de Minas Gerais, onde alcança 37,9%, seguida pelas regiões produtoras de São Paulo (31,1%) e Cerrado mineiro (14,4%).

Rodrigo, que também é engenheiro agrônomo, destaca que a padronização de tamanho de peneira deve começar a tomar forma nas próximas semanas, com a intensificação da colheita. Ainda de acordo com o especialista, o que se pode adiantar no momento é que a cultivar de tipo arara – que produz um café de peneira mais alta, já aparenta uma boa produção neste ano.

Para Willem Guilherme de Araújo, gerente regional da Emater/MG, a qualidade da safra atual é incomparável com a passada. “Os grãos estão muito bons, com frutos bem desenvolvidos. O clima ajudou muito no desenvolvimento e continua sendo muito favorável na colheita”, destaca.

O gerente destaca que a preocupação da Emater no início da pandemia, era exatamente em manter a qualidade do café, caso o produtor não garantisse a mão de obra no tempo certo de colheita. “Nós fomos surpreendidos porque o produtor manteve a qualidade mesmo com as dificuldades”, comenta.

Falando em numeração de peneira, Willem afirma que a produção do ano passado as maiores pontuações não foram registradas em mais de 30% da produção da região, e que a expectativa é que esse ano o cenário seja diferente, tanto para a quantidade, mas principalmente pela qualidade.

Produção pouco mais cara 

Quanto ao custo de produção, a pandemia também acabou impactando no bolso do produtor. Segundo Rodrigo, os equipamentos de segurança individual e as mudanças nos padrões de trabalho, resultam em um custo mais alto. Além disso, Rodrigo destaca que a pandemia começou a chegar com mais força agora na região de Guaxupé/MG e os cuidados estão sendo redobrados em toda a região.

O produtor está focado na colheita, mas também já começa a pensar na próxima safra. Apesar de ainda não ser possível calcular os custos de produção para a próxima safra, Rodrigo destaca que a alta do dólar chama atenção. “As cooperativas têm feito algumas campanhas para vendas de fertilizantes, mas o produtor ainda está focado e as compras devem começar acontecer entre outubro e setembro”, afirma.

Também como consequência da Covid-19, Rodrigo afirma que outra dificuldade tem sido fazer as visitas técnicas nas lavouras, conforme acontece todo ano. “A gente não consegue ajudar mais o produtor e estamos mudando tudo para o online, a Concafé adotou ainda a tática de fazer (palestras e cursos) por municípios e tem funcionado. Está sendo mais difícil realizar visitas ao produtor e uma alternativa esta sendo o meio online”, finaliza.

Fonte:   noticiasagricolas.com

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