MP diz que deputado comprou gado, embrião bovino e Porsche com desvio

Suspeito de integrar uma quadrilha que desviou R$ 9,4 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o deputado estadual Mauro Savi (PR) teria comprado gado, material genético bovino para inseminação artificial e um Porsche, carro de luxo pelo qual teria pago R$ 213 mil, segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE). Ao G1, Savi disse que não poderia comentar o assunto naquele momento, pois estava em viagem e pediu para a reportagem retornar mais tarde.

Além de Savi, os deputados Romoaldo Júnior (PMDB) e Gilmar Fabris (PSD) foram denunciados, na semana passada, junto com outras 9 pessoas, por supostamente integrarem essa organização criminosa.

No documento, o MPE aponta que Mauro Savi teria usado o dinheiro desviado para pagar dívidas relacionadas à compra de gado e embrião bovino, com base em depósitos feitos por operadores do esquema a um suposto sócio dele na Fazenda Curió, localizada no município de Rosário Oeste, a 133 km de Cuiabá, e a outras pessoas ligadas ao parlamentar. O MPE se refere ao deputado como proprietário “oculto”.

Foram identificados vários depósitos feitos na mesma data, 18 de março de 2014, pelo advogado Joaquim Fábio Mielli Camargo, um dos operadores das fraudes, ao sócio de Mauro Savi, para o pagamento parcial de cabeças de gado e embriões bovinos, arrematados pelo deputado e seu sócio, em um leilão para essa propriedade rural.

Segundo o Ministério Público, na mesma data, Joaquim Mielli fez um depósito no valor de R$ 22,8 mil para o pagamento de duas parcelas referentes a compra em leilão de uma novilha, também para a Fazenda Curió. Outro pagamento de R$ 15 mil para outro vendedor de gado foi efetuado no mesmo dia.

Além da compra de gado, parte dos recursos provenientes da fraude foi depositado na conta do empresário Valdir Piran, preso em setembro deste ano, como pagamento de um veículo Porsche, em abril de 2014. De acordo com a denúncia, foram feitos três depósitos nos valores de R$ 28 mil, R$ 90,5 mil e R$ 90 mil. Os pagamentos foram descobertos após a quebra de sigilo bancário dos investigados.

“De duas, uma: ou o veículo foi adquirido para uso efetivo do próprio denunciado Mauro Savi e colocado em nome de sua cunhada ou tratou-se de forma de quitação de alguma dívida de Mauro Savi com seus sócios da Fazenda Curió.

No dia em que a denúncia foi divulgada, o deputado Romoaldo Junior afirmou que irá aguardar ser convocado pela Justiça para explicar os fatos e que irá provar a sua inocência na Justiça, enquanto Gilmar Fabris negou ter participado de qualquer transação relacionada a pagamentos ou desvios de recursos da Assembleia Legislativa.

O esquema
A quadrilha teria atuado entre fevereiro e abril de 2014. Durante as investigações, o MPE identificou a fraude com base numa suposta intenção da Assembleia Legislativa de Mato Grosso em pagar uma dívida da Casa de Leis referente a um seguro feito na década de 90 e que não havia sido pago. Sem receber, a seguradora moveu uma ação de execução da dívida, em 1997.

José Riva, Cuiabá, Mato Grosso, MT (Foto: Reprodução/TVCA)
Ex-deputado José Riva teria autorizado negociações escusas,
segundo o MPE (Foto: Reprodução/TVCA)

O início da fraude se deu por meio de um contato do advogado Júlio César Domingues, suspeito de atuar como lobista no esquema, com o advogado de uma instituição bancária, Joaquim Mielli, se dizendo intermediário da ALMT e se colocando à disposição para negociar os débitos.

Inicialmente, segundo o MPE, Júlio havia procurado o deputado Romoaldo Júnior, por intermédio do chefe de gaibinete do parlamentar, “o que deu nascedouro à organização criminosa em comento que, em seguida, se viu acoplada por novos integrantes, todos com o desiderato de se enriquecerem pelo desvio/apropriação de recursos públicos”.

No entanto, ele foi informado que as negociações só poderiam continuar com o aval do então presidente afastado da Assembleia Legislativa, “que, apesar de à época estar afastado da presidência do Poder Legislativo Estadual por força de decisão judicial, era o ‘presidente de fato’, motivo pelo qual, inclusive, jamais deixou de despachar no gabinete da presidência”.

Consta da denúncia que houve acordo e que José Riva teria autorizado e atestado que a ALMT pagaria a Joaquim Mielli a totalidade da dívida com acréscimos, totalizando mais de R$ 9 milhões, porém, que metade do valor teria que ser destinado para contas bancárias por ele indicadas, posteriormente baixando o percentual para 45% do valor.

“As investigações revelaram às escâncaras que José Geraldo Riva foi o maior beneficiário dos recursos desviados e líder do bando criminoso”, diz trecho da denúncia.

O valor excedente seria desviado para contas indicadas, ou seja, na prática a ALMT pagaria indevidamente parte da dívida que tinha com o banco e teria desviado recursos equivalentes à metade do valor da dívida integral.

 

 

 

 

G1

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