MT: Esquemas & Cia: MPE investiga empresário por propina de R$ 2 milhões a ex-governador de MT

Inquérito foi instaurado em 2019 pelos promotores Anderson Yoshinari Ferreira Cruz e Januária Dorilêo

As investigações do Ministério Público Estadual (MPE) sobre um esquema de corrupção ativa e passiva, no qual o ex-procurador geral do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o Chico Lima, exigiu e recebeu 50% de uma dívida de R$ 1,8 milhão que o Estado devia à empresa Geosolo Engenharia, Planejamento e Consultoria, levaram à descoberta de outro crime semelhante envolvendo o ex-governador Silval Barbosa. Nesse caso, os membros do MPE dectetaram que o empresário José Mura Júnior, dono da Geosolo, também pagou R$ 2 milhões a Silval, em 2014, quando ele ainda estava no comando do Palácio Paiaguás.

Tal descoberta só foi possível por causa das oitivas de testemunhas e delatores, a exemplo do próprio Silval Babosa, que também foi “sabatinado” por promotores de Justiça, integrantes da 17ª Promotoria de Justiça Criminal da Comarca de Cuiabá. No bojo da investigação que agora resultou numa denúncia contra 2 ex-secretários e mais 4 pessoas, foram ouvidos 5 delatores: Silval Barbosa, Pedro Nadaf, Valdísio Juliano Viriato, Filito Müller e César Roberto Zílio.

Os delatores confirmaram que houve solicitação ao empresário José Mura Júnior para que pagasse propina a integrantes da organização criminosa chefiada por Silval se quisesse receber do Estado valores relativos a obras já executadas. O inquérito policial foi instaurado em 31 de março de 2017 pela Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Administração Pública (Defaz), a partir de declarações contidas na delação premiada do empresário Filinto Müller.

Em resumo, ele confirmou que sua empresa SF Assessoria e Organização de Eventos foi usada para receber, em setembro de 2013, um total de R$ 900 mil pago pelo dono da Geosolo Engenharia ao procurador Chico Lima. Esse valor foi na verdade, a metade da dívida de R$ 1,8 milhão que o Estado devia ao empresário.  E foi nesse contexto, que os membros do MPE descobriram que o empresário também pagou outra propina ao então governador.

“Diante da notícia da prática de crime de corrupção ativa e passiva diverso do apurado neste feito, foi instaurado Inquérito Policial em separado com o objetivo de se apurar o pagamento de vantagem indevida no valor de aproximadamente R$ 2 milhões pela pessoa de José Mura Júnior ao então governador Silval da Cunha Barbosa, fato este que teria ocorrido no segundo semestre do ano de 2014”, diz trecho da denúncia assinada pelos promotores de Justiça, Anderson Yoshinari Ferreira Cruz e Januária Dorilêo, nesta última terça-feira (19). O novo inquérito para investigar a propina a Silval foi instaurado em 2019 e ainda está em andamento, de forma sigilosa no Ministério Público Estadual.
Fonte:    folhamax.com

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