MT: Investigações: Operação Convescote pode trazer problemas ao presidente do TCE-MT

 

As recentes operações policiais, em destaque a 16ª fase da Operação Ararath, estão tirando o sono do presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Guilherme Maluf, que é acusado de fazer parte de uma organização criminosa. É o que informam algumas fontes ouvidas pelo Jornal Centro Oeste Popular, que apontam que o presidente do Tribunal de contas do estado de Mato Grosso está com os nervos a flor da pele, principalmente devido às reportagens veiculadas pelo jornal e site CO Popular, dando conta de supostas irregularidades cometidas pelo dirigente da Corte de Contas.

O destempero de Maluf é tanto, que primeiro ameaçou, e depois concretizou o boicote à verba publicitária do CO Popular, em uma clara demonstração de intimidação, tentando fazer com que o veículo de comunicação deixasse de apurar as denúncias que chegam à redação dando conta de improbidade por parte do ainda presidente da corte .

Um dos maiores temores de Guilherme Maluf, conforme fontes ouvidas pela reportagem, é de um possível desdobramento da Operação Convescote, que já teve 4 fases, sendo a 1ª delas, de junho de 2017, quando revelou a atuação de uma suposta organização criminosa que teria desviado pelo menos R$ 3 milhões dos cofres públicos de Mato Grosso envolvendo o Tribunal de Contas do Estado, e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT). As fraudes consistiam na emissão de notas fiscais superfaturadas por serviços que não eram realizados.

As investigações relativas ao TCE-MT apontam que o técnico de controle público externo do órgão, Marcos José da Silva, detinha o controle sobre quais empresas prestariam os serviços dos convênios que a Faespe, que também fazia parte do esquema, mantinha com o Tribunal.

As organizações escolhidas por Marcos só existiam no papel e emitiam notas fiscais superfaturadas de serviços que não eram realizados. Na época das fraudes ele ocupava o cargo de Secretário Executivo da Administração do TCE-MT, responsável pelo gerenciamento de todos os convênios e contratos da Instituição.

No dia 30 de novembro de 2017 o Gaeco deflagrou a quarta fase da operação, que investiga que a suposta fraude da Faespe também teria contado com a participação da FunRio – ligada a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) -, e da ONG Plante Vida. Um dos contratos investigados seria uma “terceirização” da Faespe num negócio de R$ 4 milhões com a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, “intermediada” pela FunRio.

Acontece que um dos envolvidos no esquema trata-se de Odenil Rodrigues,homem de estrema ligação com Guilherme Maluf e que hoje ainda teria estreita ligação com o mesmo, inclusive constando na folha de pagamento da Assembleia Legislativa, onde exerce cargo de comissão de Consultor de Comissão Permanente, porém. Odenil seria uma indicação de Maluf na Assembleia Legislativa.

Odenil é funcionário de Maluf desde quando este era vereador , exercendo a função de assessor . Ele é investigado na Convescote, tendo prestado depoimentos onde diz ter assinado documentos, atestando a prestação de serviços da Faespe (Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual) com o Legislativo, mesmo sem comprovar que tais relatórios estavam corretos.

De acordo com Odenil Rodrigues, ele assinava os documentos por determinação do então deputado Guilherme Maluf (PSDB).

As afirmações foram dadas durante depoimento prestado ao promotor de Justiça Samuel Frunjilo, do Gaeco, no dia 30 de junho de 2017. Odenil Rodrigues é um dos 22 réus na ação penal derivada da Operação Convescote, que respondem pelo suposto desvio superior a R$ 3 milhões de órgão públicos por meio de prestação de serviço fictícia nos convênios firmados entre a Faespe (Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual) e diversos órgãos públicos nos anos de 2015 e 2017.

Com o nome de Odenil Rodrigues voltando a ser destaque, Guilherme Maluf teme que as investigações sejam retomadas e ele seja um dos alvos. O temor fica claro em uma férias conquistada pelo servidor da AL, exatamente em meio à série de matérias onde ele aparece em destaque como funcionário fantasma. Existe ainda ainda a possiblidade de estar acontecendo uma obstrução da justiça, o que pode causar novas prisões .

Chama atenção o fato de que o Ato nº 378/2020 da Mesa Diretora mostra que Odenil tirou férias do dia 11/5 a 9/6/2020, porém, o aviso de férias foi assinado apenas no dia 13 de maio, três dias após sair de férias, sendo que o ato foi publicado no dia 8 de junho, causando estranheza, pois a Casa de Leis deveria dar exemplo principalmente no quesito de seguir as Leis Trabalhistas.

Ainda assombra Maluf a delação do ex-governador Silval Barbosa, quando revelou que o então primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, Guilherme Maluf, teria recebido R$ 4 milhões em propina, referentes ao plano de saúde dos servidores do Estado, o MT Saúde.

O dinheiro seria relativo à dívida de R$ 40 milhões com os hospitais credenciados ao plano e, segundo o ex-governador, 10% do valor seria repassado a Maluf, com a quitação da dívida.

Ainda de acordo com a delação, do montante recebido, Maluf teria pago uma dívida de R$ 2 milhões com o empresário e dono de factorings, Valdir Piran.

“Importante citar que Guilherme Maluf é um dos proprietários do Hospital Santa Rosa, tendo ainda Guilherme dito que precisava que o Estado pagasse os atrasados, pois com os 10% de propina resolveria uma dívida de aproximadamente R$ 2 milhões que ele tinha com Valdir Piran”, apontou Silval, em um trecho da delação.

O ex-governador afirmou ter feito os pagamentos em oito parcelas e que Maluf repassou uma parte ao ex-secretário de Administração, Cesar Zílio.

E as recentes movimentações da Polícia Federal e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado realmente devem estar fazendo com que o presidente do Tribunal de Contas, um dos principais órgãos de controle do Estado, esteja tomando calmantes para dormir, principalmente pelo medo de a qualquer momento acordar atrás das grades.

A reportagem do COPOPULAR tentou por diversas vezes contato com o secretário de impressa do Tribunal de Contas do estado de Mato Grosso , porém não foi atendido devido a possível mando do ainda presidente da corte Guilherme Maluf .

Fonte:   copopular.com

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