MT: MPF cita filho e genro de conselheiro em possíveis atos de dissimulação patrimonial

 

O Ministério Público Federal (MPF) aponta Julio Teis, filho do conselheiro afastado do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Waldir Teis, como um dos caminhos para recebimento de vantagens indevidas e dissimulação patrimonial

As informações constam em decisão do Ministro Raul Araujo, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou nova fase da Operação Ararath no dia 17 de junho. Pessoa identificada como genro do conselheiro também é citada.

Segundo os autos, Julio Teis foi sócio do advogado Emanuel Gomes Bezerra Junior na empresa Office Consultoria e Governança Tributária. Por sua vez, Emanuel Gomes exerceu, segundo o MPF, a função de chefe de gabinete de Waldir Teis.

As relações societárias apontariam para “uma mistura de vínculos pessoais, profissionais e financeiros suspeitos, no contexto de tudo o que foi levantado”. Emanuel Gomes Bezerra também seria, segundo o MPF, sócio de Cleyton Souza Andrade, qualificado como genro de Waldir Teis.

Outro aspecto em relação ao qual a autoridade policial está aprofundando as investigações é o fato de a Agropecuária São José do Planalto, pertencente a Júlio Teis, filho do conselheiro, haver adquirido, em fevereiro de 2014, a Fazenda Bem Estar, mediante o pagamento de R$ 2,6 milhões e mais 188.365 sacas de 60 kg de soja, além de outro imóvel rural, em maio de 2014, por R$ 669.000,00.

Segundo a autoridade policial, a soma dos valores das duas transações, considerado o preço da soja à época, seria de aproximadamente R$ 14 milhões. Documentos encontrados pela Polícia Federal indicariam que o Conselheiro Waldir Teis teria repassado à Agropecuária São José do Planalto, a título de empréstimos, o montante de R$ 1,155 milhão.

Prisão

A pedido do Ministério Público Federal, Waldir Teis foi preso na quarta-feira (1º). A ordem para a prisão foi proferida pelo ministro Raul Araújo, e teve como base relatório da Polícia Federal que revelou indícios de que o conselheiro tentou embaraçar investigações, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em seus endereços.

A tentativa de obstruir a Justiça foi presenciada pela Polícia Federal que registrou a ação em foto e vídeo. O conselheiro, que é investigado por corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro, foi denunciado na terça-feira (30) pela conduta que levou à prisão preventiva.

Em 17 de junho, cumprindo as medidas cautelares autorizadas pelo STJ, policiais federais e membros do MPF estiveram em 19 endereços ligados aos investigados da Operação Ararath.

Durante as buscas no escritório do conselheiro do TCE/MT, a Polícia Federal flagrou o investigado tentando destruir cheques assinados em branco e canhotos de cheques,  jogando-os na lixeira do prédio, depois de descer correndo 16 andares de escada.

A tentativa do conselheiro foi filmada e fotografada. Só não houve prisão em flagrante por que, como magistrado, o conselheiro tem imunidade que restringe a possibilidade prisões quando se tratar de crimes afiançáveis.

Na investigação, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal identificaram que os cheques são de empresas ligadas à organização criminosa da qual o conselheiro é suspeito de integrar. Os canhotos dos cheques somam mais de R$ 450 mil.

Na decisão, o ministro Raul Araújo apontou indícios de materialidade e autoria dos crimes investigados e decretou a prisão preventiva do conselheiro do TCE para a garantia da ordem pública, para a conveniência da instrução criminal e também pelo perigo gerado pelo investigado contra a elucidação dos fatos.

Fonte:   olharjuridico.com

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