MT: Piran é novamente alvo notícias negativas, desta vez ao lado de Blairo Maggi e Eder Moraes

 

O empresário Valdir Piran voltou às manchetes na semana passada, mas com um diferencial, ele foi destaque juntamente com o ex-ministro e ex-senador Blairo Maggi e do ex-secretário Eder Moraes. Eles são alvo de ação civil pública, por parte do Ministério Público do Estado, por suposta improbidade administrativa. A ação assinada pelo promotor de Justiça Roberto Turin se baseia em pagamentos feitos entre 2009 e 2011 à empresa Andrade Gutierrez que somam R$ 276 milhões em quitação de precatórios acordados judicialmente. O promotor diz que os pagamento foram ilegais e feriram preconceitos constitucionais referentes à instituição de precatório. Além de Piran, Blairo e Eder,  a construtora Andrade Gutierrez, a empresa Piran Participações, o procurador aposentado Francisco Gomes Andrade Lima Filho; o procurador João Virgilho do Nascimento Sobrinho; Edmilson José dos Santos, também ex-Fazenda da gestão de Maggi; o advogado Luiz Otávio Mourão e o engenheiro Rogério Nora de Sá  são alvo da ação do MP. O órgão fiscalizador exige que os citados devolvam aos cofres públicos 182 milhões que foram desviados do Estado por meio de pagamentos irregulares feitos à Construtora Andrade Gutierrez.

Segundo o MPE, entre 2009 e 2011, foram feitos de forma ilegal 16 pagamentos de precatórios à  Andrade Gutierrez,  totalizando mais de R$ 276,5 milhões. As operações teriam gerado ao Estado prejuízo de R$ 189, 2 milhões.   “Apurou-se, no período citado, que o Estado de Mato Grosso realizou um total de dezesseis pagamentos à construtora no valor global de R$ 276,5 milhões como “quitação” de precatórios judiciais que a empresa mantinha em face do extinto Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Mato Grosso-Dermat, sucedido pelo também extinto Departamento de Viação e Obras Públicas-DVOP”, diz trecho da ação do MPE. “Além disso, apurou-se que estes mesmos pagamentos geraram um prejuízo de R$ 182,9 milhões aos cofres públicos”, completa.

O caso foi relatado pelo ex-governador Silval Barbosa em acordo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Federal (MPF).  Nela, Silval revelou que os pagamentos dos precatórios à Construtora Andrade Gutierrez foram para saldar dívidas do grupo político de Blairo Maggi e Eder Moraes com o empresário Valdir Piran, o que se fez por meio de contrato simulado entre a Andrade Gutierrez e a Piran Participações e Investimentos Ltda. “A verdadeira motivação para o pagamento extrajudicial (administrativo) feito pelo Estado de Mato Grosso à Construtora Andrade Gutierrez foi obter “retorno”, propina, desvio de recursos públicos, destinando-os à quitação de dívida escusa que o grupo político dirigido pelos réus Blairo Maggi E Eder Ee Moraes Dias mantinha com o operador financeiro, ora réu, Valdir Agostinho Piran”, diz trecho extraído da denúncia. A ação foi distribuída na última terça-feira (3) ao juízo da Vara Especializada em Ações Civis Públicas e Ações Populares da Comarca de Cuiabá.

A juíza Célia Regina Vidotti deve relatar o caso e decidir se recebe a ação, dando sequência às fases de instrução. FIGURAS CONHECIDAS DA IMPRENSA Valdir Piran foi um dos delatados pelo ex-governador Silval Barbosa, chegando a ser preso durante a Operação Sodoma, que apura fraude na compra de uma área denominada Jardim Liberdade, no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. Ao fundamentar o pedido de prisão, no ano de 2016, a promotora Ana Cristina Bardusco, citou que ele é “apontado como o sucessor do Comendador Arcanjo, mormente nas tratativas escusas que mantinha e no método utilizado para proceder a cobrança de seus clientes inadimplentes”. De acordo com a declaração promotora, Piran já teve seu nome vinculado a diversas ocorrências financeiras tidas como “nebulosas”. “Trata-se de empresário detentor de enorme fortuna, com prestígio e poder financeiro que extrapolam o território de nosso Estado. É investigado por suas ligações com as movimentações financeiras clandestinas feitas por Éder Moraes, Gércio Marcelino Mendonça Júnior, na Operação Ararath, alvo da sua quarta etapa. Foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão e ao pagamento de multa por crime contra o sistema financeiro, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, possuindo extensa ficha crimina, segundo notícias veiculadas na mídia local, considerações que são apresentadas para demonstrar a periculosidade que o cidadão representa”, diz um trecho do pedido formulado em outubro de 2016. Quanto a Eder Moraes, é réu em inúmeros processos no judiciário mato-grossense, nas esferas federal e estadual, acusado de reiteradas prática de crimes contra a administração e atos de improbidade administrativa.

Somente em ações penais da Operação Ararath na Justiça Federal ele já soma condenações de mais de 100 anos de prisão, mas recorre em liberdade enquanto alega inocência em todos os processos. Sua defesa contesta todas as acusações, provas e investigações contra ele. Já Blairo Maggi é suspeito de atuar no escândalo de pagamento de propinas a parlamentares em Mato Grosso quando era governador. O esquema veio à tona em abril de 2017, após o acordo de delação premiada do ex-governador Silval Barbosa – que sucedeu Blairo no comando do estado. Segundo o delator, o esquema de pagamentos começou no governo do atual ex-ministro da Agricultura. Além disso, também é acusado de ter envolvimento em uma suposta compra de vaga do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em 2009.

Na ocasião, o então deputado estadual Sérgio Ricardo teria pago R$ 4 milhões ao conselheiro aposentado Alencar Soares Filho, em troca da possibilidade de ocupar sua cadeira na corte. Para descaracterizar o ato ilícito, Alencar teria devolvido a mesma quantia a Ricardo, dinheiro oriundo de uma factoring, com intermédio do ex-secretário de Estado Eder Moraes e aval do então governador Blairo Maggi.

Fonte: copopular.com

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