MT: Taques é investigado em nove inquéritos por supostos crimes eleitorais

 

Derrotado na eleição de 2018, quando tentou a recondução ao cargo de governador de Mato Grosso e perdeu para Mauro Mendes (DEM), Pedro Taques (SD) agora busca o posto de senador, vaga aberta após cassação da juíza aposentada, Selma Arruda. O candidato do pleito suplementar vai precisar dosar a atuação nos próximos dois meses.

Além de expor qualidades que possam justificar votos, Taques deve esclarecer diversas acusações provenientes principalmente de delações premiadas firmadas por ex-companheiros dos bastidores políticos. O Olhar Jurídico teve acesso ao conteúdo de seis investigações em andamento na Justiça Eleitoral. Todas versam sobre caixa 2. Mais três casos foram apurados pela reportagem.

Minori

Depoimento prestado pelo empresário e delator premiado, Júlio Minori, no âmbito da denominada Operação Sodoma 2, levada a cabo pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPE), confessou doações de recursos financeiros em espécie no valor de R$ 50 mil em proveito da campanha de Pedro Taques no ano de 2014.

A doações, segundo depoimento, ocorreram com a intermediação do ex-secretário de Administração, Pedro Elias. Valores não foram contabilizadas oficialmente e serviram para fins de quitação de débitos de campanha não declarados. Júlio Minori era responsável pela empresa Webtech.

Perminio

Ex-Secretário de Educação de Mato Grosso e delator premiado junto ao Ministério Público Federal (MPF), Permínio Pinto apontou possíveis crimes eleitorais cometidos por Pedro Taques na campanha de 2014.

Fatos delatados relatam participação do empresário Fabiano Bearare da Costa. Conforme termo de declarações de Permínio, em meados de março de 2015 o também político Nilson Leitão afirmou que Fabiano Bearare gostaria de agendar uma visita a Mato Grosso para apresentar um projeto educativo.

Tal projeto seria uma contrapartida ao pagamento de despesas de campanha não contabilizadas do ex-deputado federal Nilson Leitão e do ex-governador Pedro Taques no ano de 2014.

Permínio afirmou que, conforme Leitão o teria confidenciado, Taques havia recebido doação eleitoral de Bearare.

Permínio afirmou ainda que recebeu o empresário na sede da Secretaria de Educação, conforme solicitação de Leitão. Cerca de 30 dias depois, um emissário entregou um envelope com a documentação impressa e um CD-R contendo as documentações necessárias para a realização de processo licitatório.

Em contrapartida às doações eleitorais, houve a tentativa de implementação do projeto, denominado “Pipocando o Saber”. Entretanto, o projeto não teria avançado em razão de dotação orçamentária insuficiente.

Associação

Inquérito policial com base na delação premiada do empresário Alan Malouf foi instaurado para apurar possível ocorrência de caixa 2 eleitoral por meio de doações do setor sucroalcooleiro.

Alan relatou supostas doações para a campanha eleitoral de Pedro Taques, no ano de 2014, não registradas oficialmente, por parte de Piero Vincenzo, presidente da Associação Sucroalcooleiro de Mato Grosso, no montante de R$ 1 milhão, por meio de diversos cheques.

Gráfica Print

Ainda proveniente da delação premiada de Alan Malouf, inquérito policial foi instaurado para apurar possível ocorrência de caixa 2 eleitoral no montante de R$ 2 milhões para a campanha de Pedro Taques, em 2014.

Doações não registradas oficialmente foram realizadas, conforme o delator, por parte da empresa Gráfica Print, de titularidade do empresário Dalmi Defanti.

Minosso

Terceiro inquérito policial foi instaurado para apurar possível ocorrência de caixa 2 eleitoral supostamente pago pelo empresário Fernando Minosso. A doação não declarada a Taques, segundo delator, alcançou o valor de R$ 820 mil.

JBS

Delação firmada pelo ex-governador Silval Barbosa aponta repasse de crédito de propina de R$ 4 milhões do Grupo JBS para a campanha ao governo do Estado em 2014. Joesley Batista, um dos donos da JBS, teria vindo a Cuiabá para se encontrar pessoalmente com Taques e fechar um acordo sobre a doação, de modo que os recursos evitariam investigações contra a empresa e contra o governo de Silval.

Outros inquéritos

O Olhar Jurídico apurou a ainda sobre a existência de mais três inquéritos na Justiça Eleitoral. Um deles versa sobre doação supostamente realizada pelo produtor rural Eraí Maggi, conhecido como rei da soja, no valor de R$ 1 milhão.

O suposto caixa 2 ligado à campanha de Taques em 2014 foi delatado pelo empresário Alan Malouf. No anexo XI de sua delação, Alan relatou que, em abril de 2016, teria recebido R$ 1 milhão em espécie de Eraí Maggi “para quitar parte dos valores emprestados por ele no financiamento da campanha e financiamento de Paulo Brustolin”.

Paulo Brustolin foi secretário de Fazenda na gestão de Taques. Segundo Malouf, ele teria recebendo R$ 500 mil em “luvas” para aceitar o cargo. O delator disse ainda que havia um complemento de salário no valor de R$ 80 mil.

Outro inquérito policial investiga possível caixa 2 em doação de R$ 3 milhões realizada pela Cervejaria Petrópolis ao ex-governador Pedro Taques também no ano de 2014. Acusação também consta em delação de Alan Malouf.

Declaração de Alan Malouf apontou que a empresa efetuou a doação com o objetivo de que o novo governo (Pedro Taques se elegeu em 2014) não interferisse nos incentivos fiscais.

Ainda segundo Malouf, a cervejaria era beneficiária de incentivos fiscais “não isonômicos” quanto aos incentivos vigentes para outras empresas atuantes no mesmo segmento.

O terceiro inquérito leva em conta supostas despesas eleitorais não declaradas oficialmente (caixa 2) na campanha de Pedro Taques no ano de 2014.  As supostas despesas foram contraídas junto às empresas TR Produções (R$ 700.000,00), FCS Comunicação (R$ 600.000,00), Vetor Assessoria e Pesquisa (R$ 200.000,00) e Casa de Ideias (R$ 500.000,00).

Recentemente a Polícia Federal propôs representação para quebra de sigilo bancário de quatro pessoas supostamente ligadas ao candidato ao cargo de senador.

Outro lado

Nota senador Pedro Taques sobre relações premiadas

O candidato ao Senado, Pedro Taques (Solidariedade), destaca que apoia o instituto da delação premiada. Afirma que já estudou os institutos nos Estados Unidos e na Itália.

Porém, afirma que no Brasil o instituto virou festa e instrumento de perseguição. Lembra que apesar de delação contra ele, não responde a qualquer processo sobre esses casos na Justiça.

Lembra que como ele, outras figuras de Mato Grosso, políticos nacionais e até membros da Suprema Corte já foram alvos de delação.

Destaca que muitas são delações que não se comprovam. Ressalta que há um ano nove meses que saiu do governo está sendo investigado, mesmo com todo esse tempo de investigação não tem uma ação penal contra ele por improbidade administrativa.

Fonte: olharjuridico.com

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