“Síndrome” do Pensamento Acelerado não indica só ansiedade: como saber se tenho?

Em meio a uma avalanche de informações que ocorre desde o momento em que as pessoas acordam até a hora em que elas finalmente se “desligam”, é natural que tenhamos a cabeça cheia durante boa (se não toda) parte do tempo, mas, em alguns casos, isso pode ser sinal de um transtorno (tanto físico quanto psicológico).

Casos assim ocorrem quando esse fluxo se torna um turbilhão que a pessoa não consegue frear, algo conhecido popularmente como síndrome do pensamento acelerado, e o psicólogo Vitor Friary explica como ele se manifesta. “Esse nome se refere a pensamentos em alta velocidade, muitas vezes repetitivos, por vezes focados em um assunto específico – como obsessões e preocupações em excesso – que sobrecarregam o estado mental de uma pessoa”, diz o especialista.

Embora essa descrição possa, para muitos, soar como um transtorno de ansiedade, essa “síndrome” de pensamentos acelerados é, na realidade, um sintoma e não fica restrita apenas aos quadros ansiosos; na realidade, ela pode indicar outros distúrbios psicológicos e até doenças físicas.

“Síndrome” do pensamento acelerado: o que é e como saber se tenho?

Conforme explica Friary, não há nenhuma referência reconhecida pela medicina que caracterize esse sintoma como sendo, de fato, uma síndrome. Porém, o problema conhecido de forma comum por esse nome é marcado por um excesso de pensamentos que, de tão repetitivos ou voltados para assuntos preocupantes, acabam por gerar um esgotamento e até perda de controle por parte do indivíduo.

De acordo com o especialista, a questão dos pensamentos acelerados também pode vir acompanhada de sintomas físicos. “Muitas pessoas que sofrem com isso apresentam sintomas como aumento de batimentos cardíacos, sensação de sufocamento, dores, tensões, mal-estar e, em casos mais graves, ataques de pânico”, afirma Friary.

Observar os sinais é o primeiro passo para identificar o problema, mas só um profissional qualificado – como psicólogo ou psiquiatra – é capaz de analisar a situação de forma abrangente e fazer o diagnóstico correto, afinal, a “síndrome” do pensamento acelerado em si não constitui um distúrbio.

Pode indicar ansiedade e outros quadros

Apesar de ter sido popularizado como síndrome, o quadro é, na verdade, um sintoma e está presente em transtornos variados. “Ele é considerado um sintoma típico do transtorno de humor bipolar, dos transtornos de ansiedade – obsessivo-compulsivo, síndrome do pânico, fobias e ansiedade generalizada –, da apneia do sono, do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, de hipertireoidismo e também de uso de anfetaminas”, enumera o psicólogo.

Tratamento

Conforme afirma o psicólogo, como essa “síndrome” não é um distúrbio, e sim o sintoma de um, o caminho para fazê-lo desaparecer é descobrir a raiz do problema e tratá-la de forma apropriada. Nesse caso, é necessário que o paciente seja corretamente diagnosticado por um especialista e então encaminhado para um tratamento, que pode incluir diferentes alternativas dependendo do distúrbio.

“A terapia cognitiva comportamental é a mais recomendada para o tratamento de transtornos de humor e de ansiedade. Em alguns casos, há a necessidade de usar medicamentos psicotrópicos ou, no caso do transtorno de humor bipolar, reguladores de humor”, afirma Friary.

Prevenção

Ainda que o tratamento de distúrbios psicológicos (e, consequentemente, dos pensamentos acelerados) seja algo que necessariamente requer acompanhamento especializado, há também algumas formas de amenizar a situação ou prevenir que ela chegue a esse nível de desordem mental. Segundo Friary, algumas das técnicas que podem ajudar são:

“Desafogar” a mente

Como uma estratégia para aliviar o fluxo de pensamentos, o psicólogo aconselha que a pessoa use da escrita para “desafogar” a cabeça. “Ela pode dedicar um tempo do dia para escrever no papel os pensamentos que estejam aparecendo. Isso ajuda a pessoa a se distanciar deles”, explica o especialista.

Técnicas de mindfulness

Conceito que tem se popularizado cada vez mais, o chamado mindfulness ou “atenção plena” é um conjunto de técnicas que pode ajudar a pessoa a praticar suas ações de forma consciente em vez de automática, com foco no momento presente. Entre essas técnicas, está a meditação, que, segundo Friary, também ajuda a acalmar esse turbilhão mental.

“A pessoa aprende a não se prender nos pensamentos e trabalhar estratégias de controle da atenção que ajudam a pessoa a ‘sair da cabeça’, entrando no momento presente mais frequentemente”, explica o psicólogo, citando também exercícios de respiração que podem ser úteis para isso.

“Práticas de atenção à respiração durante o dia ajudam a pessoa a criar distanciamento de pensamentos acelerados. Ancorar a atenção nela também ajuda a diminuir a agitação e aumentar a calma e a tranquilidade”, afirma Friary.

Atenção no tempo dedicado ao celular

Atualmente, muita gente tem a vida girando em torno de aplicativos, sejam eles voltados para trabalho ou divertimento, e, segundo Friary, isso pode ajudar a desencadear pensamentos acelerados. Conforme explica o psicólogo, isso faz com que seja essencial para todos aprender a dosar esse contato com a tecnologia, fazendo pausas e se desconectando de tempos em tempos.

MSN

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