Soja sobe em Chicago pela terceira sessão consecutiva, compensa baixa do dólar e mantém preços no Brasil

 

O mercado da soja encerrou o pregão desta quinta-feira (5) em alta na Bolsa de Chicago, registrando o terceiro avanço consecutivo. Os preços terminaram a sessão subindo entre 6,50 e 7 pontos nos principais vencimentos, levando o contrato janeiro a US$ 8,84 e o março a US$ 8,98 por bushel. O mercado estava bastante baixo e vem se recuperando tecnicamente.

Os ganhos, porém, são frágeis, como explica o chefe do setor de grãos da Datagro, Flávio França Junior, em entrevista ao Notícias Agrícolas. Segundo ele, até que se encontre uma solução efetiva para o desalinho comercial entre China e EUA, o mercado tende a manter-se pressionado.

França explica que os chineses até têm comprado volumes consideráveis de soja no mercado norte-americano, no entanto, ainda insuficientes para trazer normalidade ao ritmo visto em anos anteriores. “A China já comprou quase 10 milhões de toneladas nos EUA este ano, enquanto no ano passado, nesse mesma época, eram cerca de 500 mil apenas”, diz.

O mercado também observa o comportamento do clima na América do Sul, porém, com o fator tendo pouco espaço no radar dos traders. No Brasil, as condições melhoraram e trouxeram alívio para os produtores na maior parte das regiões. Já na Argentina, as condições atuais são um pouco mais severas, com o boa parte das regiões sofrendo com um tempo seco.

“Mas, para as próximas semanas de dezembro as previsões para a Argentina são melhores e, com isso, o mercado já não dá tanta bola para esse fator”, diz o especialista.

Ainda nesta quinta, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou a venda de 245 mil toneladas de soja para destinos não revelados nesta quinta-feira (5) e a notícia contribuiu para os ganhos. Do total, são 120 mil toneladas da safra 2016/20 e 125 mil da 2020/21.

NEGÓCIOS NO BRASIL

O dia foi de poucos negócios no Brasil. Há pouca disponibilidade da soja da safra velha ainda para ser comercializada e o produtor brasileiro já tem boa parte da safra nova vendida – cerca de 35% – e observa o mercado com mais cautela neste momento.

Como relata o representante da Datagro, os preços apresentam, principalmente em função da recente desvalorização do dólar, indicativos menores na casa de R$ 1,00 a R$ 1,50 por saca, a depender da região, mas ainda próximos dos picos da semana passada.

“Os preços agora são bons, então se o produtor precisar fechar agora será bom. Porque o espaço para novas altas até o final do ano é limitado, tendo que esperar para voltar ao mercado em janeiro”, orienta França. O analista alerta ainda para uma liquidez diminuindo até o final de 2019 e para o câmbio, que pode ‘esfriar’ um pouco nas próximas semanas.

Sobre os prêmios, as referências seguem firmes, e já são mais expressivas para os primeiros meses de 2020, onde variam de 30 a 50 cents de dólar acima dos valores de Chicago. “Afinal, os chineses estão no mercado brasileiro comprando enquanto negociam com os americanos”, conclui.

Trump diz que reuniões e negociações com a China estão indo bem

WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) – As negociações comerciais entre Estados Unidos e China estão “indo muito bem”, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quinta-feira, adotando tom otimista mesmo quando as autoridades chinesas mantiveram a defesa de que as tarifas existentes devem ser eliminadas como parte de um acordo provisório para amenizar a guerra comercial de 17 meses entre as duas potências.

“Está indo muito bem”, disse Trump a repórteres quando questionado sobre as negociações, em uma repetição de comentários feitos na quarta-feira. No início da semana, porém, Trump abalou os mercados globais quando disse que um acordo podia ter de esperar até depois das eleições de 2020.

Suas declarações vieram depois que as autoridades chinesas reiteraram sua posição de que algumas tarifas norte-americanas devem ser revertidas para uma fase um do acordo.

“O lado chinês acredita que, se os dois lados chegarem a um acordo na fase um, as tarifas devem ser reduzidas de acordo”, disse o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, a jornalistas, acrescentando que os dois lados mantêm uma comunicação próxima.

O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que negociadores dos dois países conversaram por telefone na quarta-feira e estão “trabalhando ativamente” para um acordo. Ele disse que as negociações estão a caminho, mas que os EUA não estão vinculados a um prazo “arbitrário”.

A conclusão da fase um de um acordo entre as duas maiores economias do mundo era esperada inicialmente para novembro, antes de uma nova rodada de tarifas norte-americana prevista para começar em 15 de dezembro, cobrindo cerca de 156 bilhões de dólares em importações chinesas.

Questionado se ele permitirá que essas tarifas entrem em vigor, Trump disse: “Teremos que ver, mas agora estamos seguindo em frente. Não estamos discutindo isso, mas estamos tendo discussões muito importantes. Em 15 de dezembro, algo poderia acontecer, mas ainda não estamos discutindo isso. No entanto, estamos tendo discussões muito boas com a China “.

Os comentários de Trump e Mnuchin pouco contribuíram para acalmar Wall Street, onde as ações se mexeram pouco à medida que os participantes do mercado ficavam à margem, aguardando novos desenvolvimentos nas negociações comerciais. Todos os três principais índices estavam ligeiramente mais altos no final das negociações.

As delegações comerciais de ambos os lados continuaram presas em discussões sobre “questões centrais de preocupação”, com tensões bilaterais crescentes sobre questões não comerciais, como os protestos em Hong Kong e o tratamento de Pequim à sua minoria muçulmana uigur, obscurecendo as perspectivas de um acordo de curto prazo dar fim à guerra comercial.

A China alertou na quarta-feira que a legislação dos EUA que pede uma resposta mais dura ao tratamento dos uigures por Pequim na região chinesa de Xinjiang irá afetar a cooperação bilateral.

Mas “não há necessidade de entrar em pânico”, já que as negociações comerciais não pararam, disse à Reuters na quarta-feira uma fonte chinesa que assessora Pequim nas negociações.

Fonte: Notícias Agrícolas

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