Grupo de Monitoramento e Fiscalização Carcerária firma parceria com a campanha “Cuiabá por Elas”

O Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização Carcerária (GMF), firmou parceria com a Prefeitura de Cuiabá para o desenvolvimento da Campanha “Cuiabá por Elas”, que consiste na arrecadação de absorventes para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade social no município.
A parceria foi formalizada nesta segunda-feira, 23 de agosto de 2021, no Fórum de Cuiabá, com a presença do juiz da Segunda Vara Criminal de Cuiabá e coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização Carcerária (GMF) Geraldo Fernandes Fidélis Neto, do juiz-diretor do Fórum de Cuiabá Lídio Modesto da Silva Filho da secretária Municipal da Mulher do Município de Cuiabá, Luciana Zamproni e do técnico judiciário da Secretaria do GMF, Lusanil Cruz.
A campanha foi lançada pela Prefeitura da Capital em maio deste ano, tendo como público alvo as assistidas do programa social Siminina, mas foi estendida às reeducandas da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May.
A única unidade prisional feminina de Cuiabá tem, atualmente, 257 mulheres privadas de liberdade, muitas delas carentes ou oriundas de outros municípios e estados, que não podem contar nem com o auxílio da família para ter acesso a itens de higiene, necessitando assim de doações. Em julho, foi realizada a doação de mil absorventes arrecadados na campanha.
“As mulheres são esquecidas pelo próprio sistema que as trata como homens. A elas são oferecidos os mesmos auxílios que aos encarcerados do sexo masculino, ignorando a diferença de gênero e necessidades extras. A maioria delas não recebe visita de ninguém, nem da família”, aponta a secretária Municipal da Mulher, Luciana Zamproni.
“A pareceria com o Poder Judiciário é de suma importância. Todas as parcerias são necessárias para que possamos alavancar a campanha e potencializar a arrecadação, e especialmente, para atender as reeducandas, que muitas vezes estão abandonadas por suas famílias, estão em um local hostil, e ainda não tem as condições adequadas de higiene, é uma situação muito triste”. A secretária conta que outra dificuldade é o tema ainda ser envolto em um grande tabu.
O juiz da Segunda Vara Criminal de Cuiabá e coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização Carcerária (GMF), Geraldo Fernandes Fidélis Neto, explica que o sistema carcerário de Mato Grosso tem aproximadamente 500 reeducandas e apenas seis unidades em todo o estado. Boa parte delas está na unidade da Capital, isso faz com que muitas estejam longe de onde reside a família, um fator primordial para que não sejam visitadas e assistidas por parentes.
O magistrado destaca que a situação das mulheres encarceradas é mais difícil ainda que a dos homens. “Ninguém vai a lugar algum sozinho. Precisamos muito de parcerias assim. Precisamos dar as mãos para que possamos fortalecer, tenhamos essa ajuda mútua. O GMF fica muito contente com essa possibilidade de unirmos forças para cuidar de uma questão tão sensível, que é a causa da mulher encarcerada. O encarceramento feminino é mais doído, mais triste, porque a sensibilidade reveste a mulher. O espaço de cárcere, definitivamente, não combina com mulher e nós temos que buscar meios de minimizar as dores dessas mulheres. Essa parceria é fundamental para tirar parte dessa dor”, destacou o magistrado.
Já o juiz-diretor do Fórum de Cuiabá Lídio Modesto da Silva Filho colocou todo o espaço para divulgação da campanha Cuiabá Por Elas e a instalação de pontos de coletas de absorventes no Fórum.
Angela Jordão
 TJMT