Mancini admite pressão e diz que vai definir titulares do Corinthians na Sul-Americana

 

Depois do Corinthians empatar com o São Bento na Neo Química Arena, nessa sexta-feira, Vagner Mancini foi questionado sobre a pressão externa. Sem torcedores nas arquibancadas, muitos têm usado as redes sociais para protestar, inclusive com pedidos pela saída do técnico.

“Eu acho que são justas a partir do momento que a equipe não vem jogando bem. Natural que a torcida esteja chateado, mas a divisão de responsabilidades deve acontecer. Essa pressão chega, todo mundo sabe disso, mas muito maior é a nossa pressão interna. Não é porque não temos a torcida no estádio que não temos pressão”.

Sobre a opção do time que entrou em campo, Mancini explicou que ainda não definiu seus titulares. Quinta-feira, o Corinthians vai estrear na Copa Sul-Americana, contra River Plate, no Paraguai. Segundo o técnico, os 11 considerados ideais dele serão conhecidos no torneio continental.

“O time titular vai ser escolhido. Óbvio que quando você vê a linha defensiva atuando, gera expectativa de que esse é o time que vai jogar mais jogos. Não é bem assim. Mesclei duas equipes. O time vai ser escolhido a partir da Sul-americana. Hoje, não posso falar quem é titular e reserva”.

Veja outros trechos da entrevista coletiva de Vagner Mancini:

Problemas no jogo
“Não tenha dúvida, uma lista de problemas, de erros, estamos atentos a tudo. Hoje, no começo, faltou concentração, não podemos tomar um gol do jeito que foi, onde o atleta saiu atrás do meio campo e chegou finalizando. O espaço que foi dado, a facilidade para entrar, aponta para desconcentração. Vi outras coisas também, erros de passe, atletas simplificando por falta de confiança. Temos de adquirir confiança para executar. Vi dois tempos diferentes. Primeiro tempo com mais espaço, São Bento voltou mais fechado, mas no primeiro tempo tivemos atletas mais abaixo do que podem render. Empatamos, mas não teve futebol para ir lá e virar a partida”.

Imposição em campo
“Faltou. Não tivemos a imposição necessária no jogo, que era um pacto que fizemos, para encurtar, não dar espaço. Tomamos o gol cedo, o que joga uma pressão em cima de alguns jogadores, e aí começa aquele jogo de toques laterais, você para de ser agressivo. Acho que no primeiro tempo, embora tivemos mais espaço pelas laterais, a gente não teve a calma e velocidade necessária para agredir mais o São Bento. Muito pouco”.

Rodizio de titulares
“Rodízio é uma necessidade. Nenhum atleta suportaria quatro jogos em oito dias. É de fundamental importância que a gente equilibre em campo. É necessário ter calma, a gente quer vencer todas as partidas, mas nem sempre é possível. Temos de respeitar o tempo de cada um, até para não tornar a temporada mais difícil”.

Xavier e Camacho de fora
“Não tem ninguém atrás de ninguém. Sabíamos que teríamos quatro jogos em oito dias, por isso a escolha, para na Sul-Americana escolher o melhor time, um time mais tarimbado. Tenho de respeitar o que foi combinado com todo mundo. A gente elabora um planejamento, e ele está sendo cumprido. O time que jogou domingo jogaria na sexta e o time que jogou na terça vai jogar no domingo”.

Paulista como laboratório
“Nós temos ainda um jogo no domingo. Estamos analisando tudo e queremos para a Sul-Americana ter um time titular diante do que foi mostrado em campo. É a maneira mais justa, escolher o time em cima da produção. Para esse momento a gente vai avaliar assim, esses últimos quatro jogos”.

Substituições dos meninos
“Desses meninos, o Varanda foi o que teve uma sequência maior de jogos, também não gostei da atuação deles no jogo, muito em cima do que aconteceu na partida. Tomamos gol cedo, você tem de se arriscar mais, entrar na área, você tem uma tendência de errar mais, adversário mais fechado. Acho que isso foi decisivo na partida. Rodrigo, Cauê e Vitinho não fizeram bom jogo, erraram lances bobos, e eu estou aqui para colocá-los e tirá-los, dentro de uma maneira mais certa. Não podemos deixar de usar os meninos, mas tenho de ter esse jogo de cintura para saber o momento de tirá-los também. Eles ainda não estão prontos. Uma coisa é estar ganhando em casa, outra coisa é estar perdendo, embora não tenha a torcida no estádio. É importante que eles se habituem com isso, faz parte do que eles vão ver na carreira. A gente não esperava isso hoje, mas aconteceu. Por isso tirei os três, para colocar atletas que estão mais acostumados. Que sirva de aprendizado para eles”.

Cantillo e Gabriel em posições trocadas
“Simples. Pela saída de bola do Cantillo e pela marcação do Gabriel. Como queríamos sufocar o São Bento, adotamos uma postura para marcar em cima, Gabriel tem facilidade maior para adiantar a marcação, Cantillo para dar uma saída de mais qualidade. Fizemos isso em outros jogos, talvez não tenha sido notado porque venceu. Quando perde, gera comentário. Na minha visão, Cantillo fez bom jogo, seguro, acertou os passes. Gabriel, óbvio, na armação tem mais dificuldade, por isso fiz a troca, mas a dupla foi testada. A gente vai tentando escolher a dupla ideal nesse momento do Corinthians. Não quer dizer que será a dupla titular, mas tenho de ser justo com quem está jogando melhor”.

Time sem titulares de terça
“Eu não pensei. Eu tive a decisão, porque os atletas não estavam totalmente recuperados do jogo, por isso a gente adotou o planejamento que havia sido estabelecido. Por isso, Cantillo não foi a Araraquara”.

Utilização de Otero
“Porque, pelo que me consta, a partir do momento que um clube pode ser usado por 12 meses eu posso utilizar por 12 meses. Ele tem de ser utilizado até o último dia de contrato, diferente do Cazares, que saiu. O pensamento é simples: o atleta está à disposição, está no clube. A decisão de utilizar o Otero é usada com todos do elenco. Eu tive conversar com o Otero. Ele me disse que quer reverter a situação, e eu tenho de acreditar no elenco, não posso abrir mão de nenhum jogador”.

Justificativa para Jô jogar
“O Jô é um exemplo no dia-a-dia, pela postura e dedicação. Não tenho nenhum tipo de problema com nenhum jogador. Nas vezes que eu disse que durante a semana, nos treinos, alguns atletas estão abaixo, por isso o Jô ficou no banco hoje. Na escalação foi Cauê de titular. Se ele estivesse melhor, certamente ele estaria no jogo. Não podemos descartar nenhum atleta. E tem o que estou vendo nos treinos. Se eu tiro o Cauê do jogo, eu tenho de pôr o Jô, porque além de ser exemplo, ele é da posição. Não poderia, num jogo em que eu estava perdendo, improvisar um jogador. Seria muito pior, não só internamente, mas também diante do resultado. Se não é o Jô de anos atrás, é uma outra questão. No segundo tempo, com as trocas, a equipe melhorou. Não da forma como queríamos, mas acima de tudo temos de ser justos diante do que tenho em mãos”.

Pressão nas redes sociais
“Eu acho que são justas a partir do momento que a equipe não vem jogando bem. Natural que a torcida esteja chateado, mas a divisão de responsabilidades deve acontecer. Essa pressão chega, todo mundo sabe disso, mas muito maior é a nossa pressão interna. Não é porque não temos a torcida no estádio que não temos pressão. Os meninos que saíra hoje foram cobrados, assim como os mais experientes. A gente não vive num mar de rosas, temos experiência pelo meio que estamos, mas temos de ter entendimento. Estamos um momento diferente, de pandemia, de quatro jogos em oito dias. O torcedor que ver o time ganhando, nós queremos dar alegria, às vezes conseguimos, às vezes não, mas tem dedicação. Estamos cobrando, estamos sendo cobrados, ninguém ficou satisfeito com o jogo, por isso temos de parar, pensar e possa devolver ao torcedor o orgulho que ele quer ter”.

Fonte:      gazetaesportiva.com