Matheus Nachtergaele revela que família foi contra papel como travesti na minissérie “Hilda Furacão”

A produção teve estreia em 1998 na TV Globo e chega pela primeira vez na plataforma Globoplay a partir desta segunda-feira(19)

 A preparação de Nachtergaele para o papel envolveu experiência ao lado de prostitutas e travestis nas ruas de São Paulo

A produção, que passou nas telas brasileiras em 1998, chega na plataforma Globoplay a partir desta segunda (19). Na época, a família não queria que ele fizesse o personagem. Segundo o ator, os parentes temiam que ele ficasse rotulado como o “bicha da TV”.

Eles tinham medo dessa exposição, de ficar marcado na TV aberta. E eu sabia que era uma grande estreia. Para nosso espanto, o Cintura Fina criou uma legião de fãs adolescentes e crianças.

MATHEUS NACHTERGAELE
Ator

Na avaliação de Nachtergaele, suas características físicas unidas à coragem de interpretar uma travesti na conservadora Belo Horizonte da década de 1960 tornaram Cintura Fina uma espécie de herói para a juventude.

Exibida originalmente pela Globo na década de 1990, a minissérie de 32 capítulos revela o desejo do jovem frei Maltus, interpretado por Rodrigo Santoro, por Hilda e a luta para resistir a essa paixão. “Hilda Furacão” é uma adaptação da obra homônima do escritor Roberto Drummond, com direção de Wolf Maya.

PREPARAÇÃO PARA O PAPEL

preparação de Nachtergaele para o papel envolveu experiência ao lado de prostitutas e travestis nas ruas de São Paulo. O ator lembra que, “para entender a vibe”, bebeu cerveja com as travestis no centro da cidade: “Para ver o cotidiano e aquilo entrar na minha compreensão sensível”.

A forma como essas pessoas fogem dos cercos policiais e até mesmo a maneira como andam com saltos tão grandes em pisos de paralelepípedo foram pontos observados pelo ator. “Isso tudo eu aprendi. Queria me inteirar da vida delas e vi que é preciso ser muito macho para ser travesti de rua.”

O ator também viajou para Belo Horizonte para tentar ter um encontro presencial com o próprio Cintura Fina, cujo nome de batismo era José Arimatéia. Mas ele tinha morrido havia pouco tempo, na prisão.

No fim dos anos 1990, ele havia sido preso por alguns dos quase 20 crimes que cometeu –e que foram resgatados na obra biográfica “Enverga, mas Não Quebra”, de Luis Morando.

IMPACTO NA CARREIRA DO ATOR

Apesar dos receios da família, Nachtergaele decidiu construir o personagem um símbolo de resistência. A partir de sua interpretação de Cintura Fina, conseguiu outras oportunidades na carreira, como o papel de  João Grilo, de “O Auto da Compadecida” (1999).

Meu trabalho se caracterizou no cinema, no teatro e na TV por personagens marginalizados, na zona de perigo. Depois do Cintura, fiz mais travestis e personagens que tinham tons de enfrentamento e de aceitação.

MATHEUS NACHTERGAELE
Ator

Para ele, revisitar “Hilda Furacão” será curioso. Ansioso para descobrir a recepção do público de um personagem interpretado há 20 anos atrás, percebe que talvez alguns recebam com tom nostálgico.

“Em 1998 foi grande o sucesso de ibope. Quando estreia em streaming o volume é diferente, muita gente vê, mas não na mesma hora. Terá um tom nostálgico, mas muitos novos espectadores só o vão conhecer agora”, opina.

“Com esses novos serviços de streaming a gente se sente reestreando, e durante a pandemia isso nos faz ficar vivos“, continua Nachtergaele. Além dele, “Hilda Furacão” marcou o aparecimento de nomes como o de Ana Paula Arósio e Rodrigo Santoro.

Fonte:     diariodonordeste.verdesmares.com