MEDITAÇÃO, UMA MANEIRA DE APROXIMAR-SE DE DEUS.

JUACY DA SILVA

Há mais de um ano o mundo assiste atarantado, espantado o avanço avassalador do CORONAVÍRUS que até o dia 12 de abril de 2021 , ao redor do mundo, já contabilizava 136,7 milhões de casos/pessoas que foram atingidas/infectadas por esta pandemia, dentre as quais 2,95 milhões acabaram não resistindo e se tornaram vitimas/morreram.

Apesar de o Brasil representar apenas 2,72% da população mundial quando se trata da COVID-19 nosso país é o terceiro em número de casos (13,52 milhões ou 9.9% dos casos) e o segundo em número de mortes (354,6 mil vitimas ou 10,0% das mortes) e, diante da falência dos sistemas de saúde, principalmente do Sistema público de saúde e da morosidade quanto `a imunização da população, em que nosso país ocupa a 54 ª posição no ranking mundial de vacinação em relação ao total da população, principalmente porque o Brasil é extremamente dependente em relação `a produção de vacinas e dos insumos necessários para que as vacinas sejam produzidas no país, esses fatores que se agravaram ainda mais desde o inicio deste ano de 2021, os níveis de contágio e disseminação da covid-19 tem se acelerado, levando a que o Brasil seja hoje o EPICENTRO MUNDIAL desta pandemia e um verdadeiro pária no contexto internacional.

As consequências econômicas, financeiras, sociais e sanitárias da pandemia tem contribuído para aumentar significativamente os níveis de desemprego, subemprego, da perda total de renda, principalmente dos trabalhadores informais,  o aumento da fome, da miséria, da violência doméstica e também para o agravamento/deterioração da saúde mental das pessoas, tantos as que são vitimadas pelo coronavírus quanto uma grande massa da população, principalmente idosos e outros grupos que mais sofrem com o isolamento social, a falta de contatos, a solidão, aumentando os níveis de estresse, depressão, ansiedade,  outras doenças psico-sociais e o medo das pessoas, tanto de serem contaminadas quanto o medo da morte, ou a angustia de presenciar muitas mortes de parentes, amigos, vizinhos.

Além disso, muitas vezes a falta de condições para o atendimento médico/hospitalar, incluindo a falta de leitos, principalmente de UTI, de medicamentos, de oxigênio, do “kit” de entubação, de pessoal técnico especializado,  a necessidade de internação em UTI, chegando mesmo a pessoa a ser entubada, além de milhões de mortes ao redor do mundo, esta pandemia deixa sequelas, muito  graves tanto nas pessoas que contraíram a doença quanto para os familiares.

Dentre as sequelas, podemos mencionar o surgimento ou agravamento de diversas doenças cardio-vasculares, pulmonares/respiratórias, renais, cerebrais, problemas musculares, ósseos, também podemos mencionar sequelas psicológicas, psiquiátricas e neurológicas (dados de pesquisas recentes indicam que 34% das pessoas “recuperadas” acabam apresentando problemas que afetam a saúde mental das mesmos e de seus familiares).

Entre essas, ao longo de mais de um ano de pandemia estudos e pesquisas com pessoas que se “recuperaram” da covid e familiares, inclusive entre aqueles que estão se defrontando ou se defrontaram com parentes que ficaram nas filas da morte (aguardando um leito de UTI), muitos dos quais acabaram sucumbindo, outros que estão entubados ou ficaram semanas ou até meses entubados, e outros que faleceram, muitas vezes diversas membros de uma mesma família morreram em intervalos de pouco tempo (dias, semanas ou poucos meses), tudo isto tem aumentado sobremaneira os níveis de estresse, ansiedade, angustia, insônia, de medo e outras perturbações mentais, agravando sobremaneira o estado da saúde mental da população.

O pós-covid será ainda um período de muita angustia e muito sofrimento, principalmente, como é o caso do Brasil, ante a falência e o colapso total do Sistema publico de saúde e, em menor grau do Sistema privado de saúde, que necessitarão de uma politica de saúde para atender, cuidar e tratar pacientes que estarão sofrendo com o agravamento de inúmeras doenças, inclusive de estresse pós-traumático, como ocorre normalmente em países e regiões que passam por guerras e conflitos internos sangrentos. Esta será a herança maldita da covid-19, com toda a certeza. O retorno `a “normalidade” como imaginam alguns, não será este “mar de rosas”.

A covid-19, em diversas países, mas principalmente no Brasil, estrangulou e continua estrangulando os sistemas de saúde. Pessoas portadoras de diversas doenças, principalmente crônicas como câncer, cérebro/cardio vasculares, demências, respiratórias/pulmonares, renais, imuno-supressivas, neurológicas, degenerativas, para citar apenas algumas, além de acidentes de trânsito, de trabalho ou acidentes domésticos, tentativas de homicídios, enfim, pacientes que também necessitam  de  cuidados para a sua saúde e requerem uma atenção especial dos sistemas de saúde não estão conseguindo serem atendidas, agravando ainda mais os problemas para milhões de pessoas que antes do surgimento da pandemia já demandavam assistência-médica hospitalar ou ambulatorial.

Parece que a única doença que atualmente existe no Brasil e no resto do mundo seja apenas a COVID-19, isto significa que o direito fundamental/constitucional `a saúde para milhões de pessoas em nosso país não está sendo respeitado e muitas irão morrer por falta de atendimento. Pensar diferente é simplesmente uma forma alienadora e só contribui para piorar o quadro da saúde da população.

É neste contexto de isolamento social, de fome, miséria, exclusão social, de abandono, de negligência pública que surge/entra a questão da espiritualidade, independente da religião, da crença ou da filosofia a que estejam vinculadas as pessoas, sempre, em momentos difíceis, em situações de angustia e de incerteza quanto ao nosso futuro e o futuro de nossos entes queridos é quando buscamos as forças espirituais, através das orações, em nosso socorro.

No entanto, é fundamental separar o “joio do trigo”, tendo o máximo cuidado para evitar os espertalhões, os manipuladores e exploradores das dores e sofrimento do próximo, os falsos profetas, os vendilhões dos templos, o curandeirismo e assemelhados.

Independente da crença ou mesmo se as pessoas acreditam ou deixam de acreditar na conexão entre o ser humano e a divindade, o sagrado, esta busca por uma aproximação transcendental pode contribuir tanto para acalmar as pessoas em estado extremo de angustia, sofrimento e medo, quanto, no poder da intercessão em favor de doentes e das famílias que tanto sofrem, principalmente quando do falecimento de algum membros das mesmas.

Diante deste quadro de incertezas, podemos perceber, principalmente, pelas redes sociais, que tem proliferado de maneira rápida as correntes de orações e os pedidos de intercessão em favor de doentes, muitos em estágio terminal, vitimas da COVID-19 ou outras doenças e seus familiares

A meditação, principalmente a meditação cristã, já que o Brasil é um país de ampla maioria cristã (católicos e evangélicos), contribui sobremaneira para reduzir tanto a carga de estresse, de ansiedade, de angustia, de medo, quanto fortalecer a fé, o foco, a solidariedade/amor cristão e a esperança de um futuro melhor, mesmo em meio a tanto sofrimento.

É isto que muitas pessoas estão buscando desesperadamente nesta fase tão difícil pela qual esta passando a humanidade, encontrar uma porta de saída, uma porta que represente esperança ou uma “luz no fim do túnel”.

A meditação também pode ser entendida como uma forma de orar, rezar, mentalizar e interceder por outras pessoas, costuma-se dizer que a meditação contribui para que as energias positivas substituam as energias negativas que destroem tanto o corpo quanto o espirito e a alma.

Todas as religiões, tanto as cristãs quanto outras, como o Budismo, o judaísmo, o islamismo, o espiritualismo ou mesmo as religiões de matriz afro, valorizam muito as práticas da meditação, cujos benefícios são sobejamente conhecidos e comprovados cientificamente através de estudos e pesquisas, em diversas universidades mundo afora, inclusive nos EUA, onde já proliferam de longa data departamentos e programas, livros e artigos na “linha” de saúde e espiritualidade.

Cabe destaque, por exemplo, as obras do neuro-cirurgião Bernie S. Siegel que discute cientificamente a relação entre espiritualidade, meditação, saúde e cura. Dentre suas obras podemos mencionar os seguintes livros  “Amor, medicina e Milagres (1984)”, Paz, amor e cura (1993); O Livro dos milagres (2011) e mais recentemente Nunca o fim, apenas o começo: notas de um medico sobre a vida, o amor e aprendizado (2020).

Diversas Universidades também ter criado cursos, institutos com a finalidade de integrar estudos e pesquisas inter-disciplinares nas áreas da espiritualidade, religião e saúde, inclusive saúde pública.

A Universidade de Michigan, tem um programa na faculdade de medicina sobre saúde, espiritualidade e religião; a Universidade de Groningen (Holanda) tem um programa de mestrado “Religião, saúde e bem-estar”; a Universidade do Oeste de Michigan também ofereço um programa de mestrado “Espiritualidade, cultura e saúde”;  A Universidade de Redland (Califórnia) na Escola de Pós-Graduação em Teologia oferece um programa em Saúde mental e espiritualidade”; a Universidade da Florida, na Escola de Medicina oferece um programa de mestrado no Centro de Saúde e Espiritualidade; a Universidade de Harvard tem um programa multidisciplinar integrado de pesquisa em Espiritualidade, saúde publica e cuidados dos pacientes, tendo como foco/problema de pesquisa “como as religiões integram a espiritualidade com saúde pública e a prática da medicina, para aliviar as doenças e promover o bem-estar humano?

A Universidade de Duke, nos EUA, tem um centro e um programa interdisciplinar de espiritualidade, teologia e saúde; a Universidade de Glasgow (Inglaterra) tem um programa de pós graduação em espiritualidade e cuidados religiosos em saúde pública e serviço social, integrados com a prática da medicina; a Universidade de Yale (EUA) tem um programa de estudos e pesquisas sobre Espiritualidade e religião; A Universidade de Columbia (EUA) criou há décadas um Instituto voltado para estudos e pesquisas sobre Espiritualidade, mente e corpo; a Universidade de Pennsylvania, na Escola de Medicina, tem um grupo multidisciplinar que estuda questões envolvendo espiritualidade, religião e saúde;  a universidade de Columbia também criou há décadas um Instituto dedicada aos estudos da espiritualidade, corpo e espirito, oferecendo um curso de mestrado em ESpiritualidade e psicoterapia;  e a Universidade da California, em Berbeley, tem um curso, na Escola de Saúde Pública sobre Fatores religiosos e espirituais na saúde publica.

O mesmo acontece no Canada e em diversas países da Europa onde estão sendo pesquisados diversas temas de como os aspectos da espiritualidade, das religiões podem estar relacionados com o surgimento e a cura de vários tipos de doenças, e recomendações de como integrar essas dimensões para o bem estar e melhor qualidade de vida tanto aos pacientes quanto seus familiares.

Isto demonstra que a ciência tem focado na espiritualidade e nas manifestações religiosas como seu objeto de pesquisa, se assim não fosse, não se justificaria tantos investimentos, estudos e debates relacionados a esses temas.

Podemos identificar também na Biblia Sagrada, único livro de regra e fé para os cristãos relatos inúmeras passagens, situações de cura e libertação, inclusive diversas milagres realizados por Jesus, curando diversas tipos de doentes como leprosos, coxos, cegos, endemoniados, em uma demonstração do caráter holístico do ser humano e sua relação com uma ordem superior ou divindade.

O mesmo ocorre na vida pessoas que se tornaram  santos e santas, a quem também são creditados diversas milagres, inclusive relacionados com algumas enfermidades e a recuperação da saúde física e mental de inúmeras pessoas. Existe uma máxima que afirma “Jesus é o medico dos médicos” para reforçar a conexão entre saúde e espiritualidade.

Não podemos também esquecer de mencionar as invocações de anjos e arcanjos, como São Mi Mi Miguel, São Rafael e Gabriel e seus poderes intercessórios na busca de cura física, mental e espiritual.

Em decorrência do avanço do conhecimento, existem diversos métodos e inúmeras técnicas para a prática da meditação, que também envolvem relaxamento, respiração, visualização guiada que, aliados/aliadas aos cuidados básicos com a saúde contribuem tanto para a recuperação de pacientes quanto também uma forma de prevenção de diversas doenças, principalmente as psico-somáticas, enfim, a meditação contribui bastante para o bem estar e a saúde mental da população, inclusive contribuindo para a longevidade e melhor qualidade de vida.

Resumindo, a prática da meditação e a espiritualidade não excluem os cuidados médicos, hospitalares e ambulatoriais e nem a ciência como formas básicas de cuidar da saúde, mas sim, é uma prática complementar, coadjuvante no enfrentamento de qualquer doença, principalmente, as de natureza psico-somáticas, vale a pena explorar um pouco mais este tema, principalmente neste momento tão complicado e angustiante que estamos vivendo em função da pandemia da COVID-19, no Brasil e no resto do mundo.

JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, Reiki mestre e colaborador de alguns veículos de comunicação. Email profjuacy@yahoo.com.br Twitter@profjuacy