Nicarágua prende sétimo pré-candidato à presidência

 

Possível adversário do presidente Daniel Ortega nas eleições de novembro, Noel Vidaurre está em prisão domiciliar. EUA condenam “campanha desprezível para criminalizar a oposição pacífica” na Nicarágua

    Noel Vidaurre foi acusado de “minar a soberania” e “incitar a intervenção estrangeira”

O governo da Nicarágua prendeu o sétimo pré-candidato da oposição à presidência, abrindo caminho para a reeleição do autoritário presidenteDaniel Ortega, um ex-guerrilheiro de 75 anos que governa o país desde 2007.

Durante sua gestão, Ortega acabou com grande parte da imprensa independente da Nicarágua, perseguiu opositores e, em, 2014, mudou as regras sobre reeleição, possibilitando que ele siga no poder. Em junho, seu regime chegou a prender quatro pré-candidatos em uma semana.

Diante de sanções e críticas da comunidade internacional, Ortega afirma que os detidos não são candidatos ou oponentes, mas “criminosos” que se organizaram com financiamento dos Estados Unidos para realizar um golpe.

Neste sábado (24/07), Noel Vidaurre, pré-candidato pela Aliança de Cidadãos pela Liberdade, foi colocado em prisão domiciliar, assim como o jornalista Jaime Arellano. Eles foram deixados “sob custódia policial” em suas casas, acusados ​​de “minar a independência, a soberania, a autodeterminação e incitar a intervenção estrangeira”, segundo comunicado da polícia.

“Nunca disse que a Nicarágua deveria ser sancionada, nem nada parecido. Não sei qual é o motivo [para a prisão]. Eles não me explicaram absolutamente nada”, afirmou Vidaurre.

As eleições na Nicarágua estão marcadas para 7 de novembro, e as candidaturas devem ser registradas entre 28 de julho e 2 de agosto. No país, quem está sob investigação de crimes ou prisão não pode concorrer a um cargo eletivo.

Tanto Vidaurre quanto Arellano estão sendo investigados pela Polícia Nacional, que citou a Lei de Defesa dos Direitos do Povo à Independência, Soberania e Autodeterminação para a Paz, aprovada com urgência pela Assembleia Nacional, de maioria sandinista, em dezembro do ano passado.

A polêmica lei, promovida pelo Executivo, enumera “traidores da pátria” e os desqualifica para concorrer a cargos públicos.

A chefe da diplomacia dos Estados Unidos para a América Latina, Julie Chung, criticou as atitudes do governo nicaraguense e escreveu no Twitter que Vidaurre e Arellano “são apenas as últimas vítimas de uma campanha desprezível para criminalizar a oposição pacífica”.

Outros presos

Anteriormente, as autoridades nicaraguenses já haviam prendido os candidatos presidenciais da oposição Cristiana Chamorro, Arturo Cruz, Félix Maradiaga, Juan Sebastián Chamorro, Miguel Mora e Medardo Mairena.

Além disso, dois ex-vice-chanceleres, dois históricos dissidentes sandinistas ex-guerrilheiros, um líder empresarial, um banqueiro, uma ex-primeira-dama, cinco líderes da oposição, dois líderes estudantis, dois líderes camponeses, um jornalista, dois ex-trabalhadores de ONGs e um motorista de Cristiana Chamorro também foram presos.

A professora de direito e advogada constitucional María Asunción Moreno, proposta como candidata pela Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia, está desaparecida desde que deixou sua casa há duas semanas para prestar depoimento ao Ministério Público.

Outro opositor, Luis Fley, que era um dos 11 candidatos à presidência, deixou a Nicarágua e anunciou, do exílio, que por razões de segurança se retirou da disputa.

Ortega ainda não anunciou oficialmente que buscará a reeleição em novembro, mas seus aliados presumem que ele será o candidato da Frente Sandinista de Libertação Nacional.

Fonte:     dw.com