O que se sabe sobre a onda de ataques em Manaus

 

Capital amazonense vive série de ataques incendiários e a tiros. Eles teriam sido ordenados a partir de presídios, como represália pela morte de um traficante. Entenda.

    Ônibus incendiados: transporte públicos estão entre os principais alvos

Manaus vive, desde o último sábado (05/06), uma série de ataques, com atos de incendiários contra transporte público, agências bancárias e outros estabelecimentos, numa onda de violência que praticamente paralisou a cidade.

Qual é a motivação para os ataques?

Segundo o governo do Amazonas, os ataques foram realizados por integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, em represália à morte de um traficante.

Erick Batista Costa, conhecido como “Dadinho”, de 30 anos, foi morto em uma ação policial no sábado, no bairro Redenção.

A ordem para os ataques teria partido de integrantes do grupo criminoso aliados de “Dadinho”, de dentro de um presídio.

O Comando Vermelho controla os presídios do estado do Amazonas desde janeiro de 2020, quando derrotou a rival Família do Norte (FDN).

O estado do Amazonas é uma das principais portas de entrada de cocaína no país, por meio do rio Solimões, e de saída rumo ao Nordeste brasileiro e a Europa.

Quais foram os alvos dos ataques?

Os ataques começaram na madrugada de sábado (05/06) para domingo. Vários veículos foram incendiados, e prédios públicos, depredados, incluindo delegacias. Houve registros de ataques também em pelo menos três cidades menores do interior do Amazonas.

Na maioria dos atentados, os criminosos usaram bombas de fabricação caseira, como coquetel molotov.

Mas houve também uma série de ataques a tiros, como contra um prédio do Distrito Integrado de Polícia (DIP) no centro de Manaus, na orla do Rio Negro. Nesse caso, homens aproveitaram a cheia histórica do rio para chegar em uma lancha.

Outro local que também sofreu ataques a tiros foi a sede do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram).

Como isso afetou a cidade?

Desde o domingo os ônibus do transporte coletivo de Manaus não saem às ruas. As aulas presenciais na rede estadual e na rede privada de ensino estão suspensas, assim como a campanha de vacinação contra a covid-19. Uma série de outros serviços públicos também foi paralisada.

Qual foi a reação das autoridades?

Até esta segunda-feira, 29 pessoas haviam sido presas suspeitas de envolvimento na onda de violência.

O governador Wilson Lima (PSC) solicitou ao governo federal o envio da Força Nacional para ajudar a conter os ataques.

O prefeito de Manaus, David Almeida, defendeu no domingo que o governo do estado peça a presença do Exército nas ruas de Manaus.

Fonte:      dw.com