PASTORAL DA ECOLOGIA INTEGRAL: BASES, FUNDAMENTOS, OBJETIVOS E AÇÕES

JUACY DA SILVA

Após pouco mais de seis anos da publicação da Encíclica Laudato Si, pelo Papa Francisco, a caminhada rumo `a uma ecologia integral e `a Pastoral da Ecologia Integral ainda parece um sonho  que nutre a esperança de que a Igreja e os cristãos/católicos, principalmente na Região Centro Oeste, despertem para a urgência e emergência da crise climática e do processo avassalador de degradação ambiental principalmente nos biomas Pantanal, Amazônia e Cerrado e a necessidade que temos, como cristãos e Igreja, de engajar-nos nesta caminhada em defesa da Casa Comum, da mãe Terra, enfim, do único planeta que nos possibilita a vida.

O objetivo deste documento é servir como um simples subsídio para pessoas que estejam interessadas em participar da estruturação e das ações da Pastoral da Ecologia Integral, principalmente na Região Centro Oeste e, também, em outras localidades Brasil afora. Isto significa que, para seguir na caminhada, precisamos de uma formação continuada e um aprofundamento constante e permanente, únicas formas de vencermos os obstáculos que surgirão em nossa jornada.

Sabemos que por mais longa que seja a caminhada, para atingirmos o ponto de chegada precisamos dar o primeiro passo ,termos a coragem e a vontade de continuar caminhando, mesmo sabendo que ao longo do caminho vamos encontrar inúmeros obstáculos e desafios.

É importante que a gente tenha sempre em mente que “é caminhando que se aprende a caminhar” e que “Um sonho sonhado sozinho é um sonho. Um sonho sonhado com Deus é uma realidade.” Yoko Ono. “Quando Deus tem um desejo no céu para realizar aqui na terra, ELE coloca em nós um sonho. Não desista do SONHO de Deus”. Ailton Nascimento.

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado”. William Shakespere.

“Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus, quando os seres humanos comprometem a integridade da terra e contribuem para as mudanças climáticas, desnudando a terra de suas florestas naturais ou destruindo as suas zonas úmidas, quando os seres humanos contaminam as águas, o solo, o ar, tudo isso é pecado. Porque um crime contra a natureza é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus” Papa Francisco, Laudato Si (8).

1.Introdução

“A Igreja tem uma responsabilidade em relação `a criação e Ela (a Igreja) considera sua obrigação, seu dever exercer essa responsabilidade na vida pública, visando proteger a terra, a água e o ar, como presentes de Deus, o Criador. Isto significa que para todos e, acima de tudo, é dever nosso (como cristãos) salvar a humanidade de sua própria destruição”. Papa Bento XVI, Mensagem no Dia Mundial da PAZ, 01 de Janeiro de 2010.

Antes de procurar entender o que, realmente, seja a Pastoral da Ecologia Integral, precisamos destacar o conceito do que seja uma pastoral. Segundo documentos e entendimento da CNBB “Ação Pastoral da Igreja no Brasil ou simplesmente pastoral é ação da Igreja Católica no mundo ou o conjunto de atividades pelas quais a Igreja realiza sua missão de continuar a ação de Jesus Cristo junto aos diferentes grupos e realidade”. Isto significa que ação pastoral é, também, uma forma especial de evangelização.

Assim, portanto, uma pastoral, qualquer que ela seja, não pode ser confundida ou entendida com uma ONG – Organização não Governamental, um movimento politico, um grupo de consultoria especializada ou muito menos com uma empresa voltada para determinado aspecto da realidade social, econômica e politica.

Cada pastoral singularmente e todas as pastorais tem seus carismas, suas místicas, seus fundamentos, seus objetivos específicos e em função desses aspectos é que definem suas ações, visando a transformação da realidade `a luz dos ensinamentos da bíblia sagrada, (antigo e novo testamento), das diversas Encíclicas Papais, do magistério dos diferentes Papas, da Doutrina Social da Igreja. Assim, todas as pastorais, e com a Pastoral da Ecologia Integral não poderia ser diferente, precisam ter sua vinculação com os fundamentos bíblicos/evangélicos, que são os elementos identificadores da fé cristã e católica.

Neste contexto a Pastoral da Ecologia Integral insere-se no que é chamado Setor Pastoral Social ou dimensão sócio-transformadora, onde também estão presentes outras pastorais como: da Terra; Operária; da Criança; do menor; do povo de rua; dos Pescadores, da sobriedade, dos Migrantes, da Mulher Marginalizada, dos Nômades e também de organizações como CÁRITAS Brasileira; IBRADES, CERIS e CIMI e outras mais.

2.Histórico

A preocupação com as questões ambientais ou ecológicas por parte da Igreja Católica remonta bem antes do surgimento da Encíclica Laudato Si, apresentada pelo Papa Francisco em 24 Maio de 2015 que já vinha se preocupando com as questões do meio ambiente tanto no Brasil quanto em outras regiões do planeta.

No caso do Brasil podemos identificar essas preocupações da Igreja em relação direta ou indireta com as questões sócio-ambientais quando da escolha dos temas a serem abordados pela Campanha da Fraternidade, ou até mesmo bem antes com iniciativas como o surgimento DO CIMI (Conselho Indigenista Missionário) em 1972, como um organismo vinculado `a CNBB, que atua na defesa dos direitos dos povos indígenas, da Comissão Pastoral da terra (CPT) “fundada em 22 de junho de 1975,  como um órgão da CNBB, vinculado à Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, durante o Encontro de pastoral da Amazônia realizado em Goiânia”.

Quanto `as Campanhas da Fraternidade que trataram de questões ambientais, podemos destacar: 1979 abordando o tema “Por um mundo mais humano. Preserve o que é de todos”; 1986 Fraternidade e terra. Terra de Deus, terra de irmãos; 2002 Fraternidade e povos indígenas. Por uma terra sem males; 2004 Fraternidade e água. Água, fonte de vida; 2007 Fraternidade e Amazônia. Vida e missão neste chão; 2008 Fraternidade e a defesa da vida; 2011 Fraternidade e a vida no planeta; 2016 Casa Comum, nossa responsabilidade; 2017 Fraternidade e biomas brasileiros e a defesa da vida: cultivar e cuidar a criação.

Como podemos perceber, os temas da Campanha da Fraternidade constituem uma forma como a Igreja durante o período da Quaresma exorta os católicos e evangélicos (no caso das Campanhas da Fraternidade ecumênicas) a refletirem sobre temas candentes que estão presentes na realidade que nos cerca e buscarem novos caminhos tanto no que concerne `as nossas relações como irmãos e irmãs quanto em nossas relações com a natureza, com o planeta terra, enfim, a “nossa Casa Comum”.

Cabe destacar que na esteira das preocupações ambientais e ecológicas que já vinham ganhando espaço tanto nas agendas dos organismos públicos nacionais e internacionais como a ONU e suas Agências especializadas, desde a primeira Conferência Mundial do meio ambiente e desenvolvimento, realizada em  Estocolmo, na Suécia entre 5 e 16 de junho de 1972, quando foi aprovado a  Declaração sobre Ambiente Humano, ou Declaração de Estocolmo, e estabeleceu princípios para questões ambientais internacionais, incluindo direitos humanos, gestão de recursos naturais, prevenção da poluição e relação entre ambiente e desenvolvimento.

Podemos identificar também outros marcos referenciais sobre a agenda ambiental internacional que acabam repercutindo na ação pastoral da Igreja. Dentre esses marcos estão o relatório “Nosso Futuro Comum”, da Comissão Mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento, a chamada Comissão Brundtland, em marco de 1987, sob os auspícios da ONU.

Outro destaque foi a realização da ECO 92, a Conferência da ONU sobre as questões ambientais realizada no Rio de Janeiro e também a RIO + 20 (2012), e as diversas conferências sobre o Clima e os Acordos firmados pelos países para a busca de saídas para os dilemas ambientais que, desde então vem se agravando. Destacam-se neste contexto a Carta da Terra; o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris e as diversas COPs (Conferências do Clima) que vem sendo realizadas desde então.

Em Novembro próximo deverá ser realizada a COP 26, em Glasgow, na Inglaterra, quando se espera que a crise ambiental e as emergências climáticas deverão despertar acirrados debates e muitas decisões que deverão impactar as politicas ambientais nos e dos diversas países, inclusive no Brasil.

Voltando `a questão da ação pastoral da Igreja, não podemos deixar de mencionar que em 1986 foi fundado a primeira pastoral do meio ambiente em Tubarão, Santa Catarina e que também, antecedendo a ECO 92, naquele mesmo ano entre 18 e 21 de maio, a CNBB realizou o Seminário sobre A Igreja e a questão ecológica, cujo relatório final foi publicado pelas Edições Paulinas na forma de um livro.

Outro marco significativo nesta caminhada foi o artigo escrito e publicado em 11 Fevereiro de 2011, no Jornal O Estado de São Paulo, pelo Cardeal Dom Odilo Scherer sobre o tema da Campanha da Fraternidade, intitulado “Questão Ecológica. Questão moral”, enfatizando a necessidade de a Igreja não se omitir diante dos desafios ecológicos, e sair em defesa da causa ambiental em sua ação pastoral.

Cabe também destacar a contribuição do Encontro dos Bispos da Amazônia em 1972, quando veio a público o Documento de Santarém, com uma reflexão crítica em relação ao desrespeito aos direitos humanos na região, principalmente com a violência contra pequenos agricultores e povos indígenas, inclusive com ameaças aos seus territórios e culturas, fruto da expansão acelerada das fronteiras agrícolas na região.

3.Fundamentos

Os fundamentos para a ação pastoral da Igreja em relação `as questões sócio ambientais e ecológicas, estão na Bíblia Sagrada, no Velho Testamento, principalmente no Livro de Gênesis que descreve as origens das obras de Deus, o Criador de todas as Coisas; e também no novo Testamento (Evangelhos, nas Cartas Paulinas e demais Livros);  na Doutrina Social da Igreja , iniciada com a Encíclica Rerum Novarum (das coisas novas), do Papa Leão XIII, publicada em 15 de maio de 1891; ante o drama em que viviam os trabalhadores europeus e do resto do mundo; a Encíclica Quadragéssimo Anno, de 15 de maio de 1931, do Papa Pio XI; a Centésmus Annus, de 01 de Maio de 1991, do Papa João Paulo II; da Populorium Progressio, de 26 de março de 1967, de Paulo VI; a Pacem in Terris, do Papa João XXIII em 11 Abril de 1963 e outras Encíclicas de diferentes Papas ao longo de mais desses 130 anos de aperfeiçoamento e atualização da Doutrina Social da Igreja.

Neste mesmo contexto, cabe também ressaltar ou destacar a realização e conclusões do Concílio Vaticano II e as diversas conferências regionais, como a CELAM, de bispos em diversas continentes que alteraram profundamente a caminhada da Igreja em relação a temas candentes e de interesse da humanidade como um todo, com destaque para as questões ambientais ou ecológicas.

Coube ao Papa Francisco, logo nos primeiros anos de seu magistério, com o apoio de estudiosos, cientistas, teólogos consolidar diversas informações, abordagens e aspectos relacionados com as questões ecológicas ou sócio-ambientais, que serviram de base para a publicação da Encíclica Laudato Si, em 24 de Maio de 2015.

A Laudato Si segue a metodologia da Igreja, bastante conhecida entre os fiéis, que destaca quatro aspectos da caminhada na abordagem da ação pastoral: VER, JULGAR, AGIR e CELEBRAR.

O capítulo I – O que está acontecendo com a nossa casa comum, representa a etapa da análise da realidade, o VER; os Capítulos II O Evangelho da Criação e o III – A raiz humana da crise ecológica, é o JULGAR; e os Capítulos IV – Uma Ecologia Integral; V – Algumas linhas de orientação e ação e VI – Educação e espiritualidade ecológica, representam o AGIR , cabendo ao item 9 do Capítulo VI – Para Além do Sol, onde se destaca o CELEBRAR, incluindo a Oração pela nossa terra e a Oração Cristã com a criação.

A Laudato Si é um marco no pensamento social da Igreja, quando reafirma uma série de princípios e fundamentos da Doutrina Social da Igreja relacionados com as questões ambientais e também quando aborda e define determinados conceitos que a embasam como a ECOLOGIA INTEGRAL, dentro da ideia de que tudo no Planeta terra existe e só tem sentido como partes interligadas, a ideia da casa comum,  a preocupação com os pobres, quando o Papa Francisco insiste na “opção preferencial pelos pobres” (mas não exclusiva), tendo em vista que são os pobres as maiores vitimas da degradação ambiental, os conceitos de pecado ecológico, de conversão ecológica, da espiritualidade ecológica, da justiça sócioambiental e da justiça intergeracional, como forma de garantir que as futuras gerações também possam viver e usufruir de um planeta saudável, limpo e, plenamente habitável.

Além desses aspectos relacionados com as Encíclicas, com a Doutrina Social da Igreja e da Laudato Si,  é importante destacar que também diversas documentos da Igreja da América Latina  (CELAM) fazem parte dos fundamentos da Pastoral da Ecologia Integral, com destaque para os Documentos de Santo Domingo e de Aparecida, bem como a Exortação Apostólica “Minha Querida Amazônia”, do Papa Francisco, ao final do Sínodo dos Bispos para a Pan Amazônia, bem como seus pronunciamentos mais recentes quando enfatiza a necessidade do respeito e defesa dos povos indígenas e suas preocupações com os pobres, ao falar de seus três “Ts”: Terra, teto e trabalho.

No Documento de Santo Domingo, de Outubro de 1992, um de seus capítulos destaca a importância do tema da promoção humana, onde estão incluídas as questões da ecologia, da terra, da pobreza, do trabalho, da mobilidade humana, da ordem democrática, da nova ordem econômica e da integração latino-americana, como bases para a ação pastoral da Igreja na América Latina e no Caribe.

Já o Documento de Aparecida (2007) que pode ser considerado, em alguns aspectos, como o precursor da Laudato Si, podemos perceber a preocupação ecológica quando nos exorta ao enfatizar “.Hoje se propõe escolher entre caminhos que conduzem à vida ou caminhos que conduzem à morte (cf. Dt 30,15). Caminhos de morte são os que levam a dilapidar os bens que recebemos de Deus” (Doc Aparecida 13).

Ao longo dos itens 13 até 51, o citado documento reenfatiza as preocupações com as questões ambientais e enfatiza a necessidade de A Igreja colocar esses aspectos em sua ação pastoral, evangelizadora, missionária e profética.

Além de todos esses fundamentos doutrinários da fé católica e cristã, a Laudato Si e, por extensão, a Pastoral da Ecologia Integral, não podem deixar de estar inseridas nas preocupações da comunidade internacional, principalmente nos esforços e documentos da ONU em exortarem a gravidade da crise ambiental e da emergência climática que tem se agravado sobremaneira ano após ano.

Antes de passarmos `a reflexão sobre os objetivos e campos de ação ou atuação da Pastoral da Ecologia Integral é importante destacar que a mesma não é uma ONG (Organização Não Governamental) meramente ambientalista, não é um empreendimento para prestar consultoria ambiental; não é um “negócio” ou um empreendimento econômico e comercial e nem se propõe a realizar as ações que cabem, precipuamente, aos poderes públicos.

O seu foco é muito mais despertar a consciência quanto `a importância da ecologia integral entre os fiéis católicos e também os não católicos, estimulando a “conversão ecológica”, enfatizando a dimensão da espiritualidade ecológica e a cidadania sócio-ambiental.

Estamos falando de uma Pastoral que coloca as questões e os desafios sócio-econômicos e ambientais no contexto da fé cristã, ou seja, iluminados pela luz da evangelização, inserida no contexto da ação sócio-transformadora da Igreja no Brasil e por uma espiritualidade engajada ou a chamada “espiritualidade encarnada”, nas palavras do Pe. Vitor Galdino Feller.

Cabe, por exemplo, destacar quando a Laudato Si (139) estabelece uma relação entre opção preferencial pelos pobres e a ecologia integral, ao afirmar textualmente que “Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise sócioambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza”.

4. Objetivos

Podemos identificar como objetivos da Pastoral da Ecologia Integral, pelo menos os seguintes:

a)     Educação ambiental ou educação ecológica, ancorada na espiritualidade ecológica, como constante da Laudato Si;

b)     Despertar a consciência, a responsabilidade e o engajamento dos fiéis católicos e outras pessoas de diferentes crenças, quanto `a gravidade das questões sócio-econômicas e ambientais e entre essas e as demais esferas de atuação humana, incluindo os modelos sócio-econômicos e políticos, que definem os parâmetros das ações em sociedade, dentro da qual a Igreja está inserida;

c)     Enfatizar e demonstrar a finitude dos recursos naturais e que por isso, os  mesmos devem ser usados com parcimônia, respeitando tanto os limites do planeta terra quanto os direitos das futuras gerações em relação a um meio ambiente saudável;

d)     Estimular o debate, as reflexões e a busca de saídas para a crise sócio-econômica e ambiental, no contexto de um novo paradigma que contribua para a construção de um novo modelo de economia e de sociedade, como enfatizado na proposta do Papa Francisco, quando fala da Economia de Francisco e Clara;

e)     Estimular o debate e participação da Igreja e dos cristãos e cristãs na definição das diferentes politicas públicas, principalmente as que, direta ou indiretamente estejam relacionadas com as questões ecológicas, nas três esferas de governo: Federal, estadual e municipal;

f)      Estimular a reflexão quanto `a necessidade tanto da Igreja (Arquidioceses, Dioceses, Paróquias e Comunidades) , bem como as escolas católicas , em todos os níveis, a nortearem suas ações por princípios de sustentabilidade, de solidariedade e de responsabilidade coletiva quanto aos cuidados com a Casa Comum.

g)     Estimular/despertar o engajamento e a participação dos cristãos/católicos em ações que contribuam para a redução dos impactos gerados pelas diferentes formas de degradação ambiental, existentes na área de atuação da Pastoral.

h)     Divulgação e reflexão sistemática e continua do conteúdo da Laudato Si, dos Documentos do Celam – Doc de Santo Domingo e Doc de Aparecida e da Exortação Apostólica Minha Querida Amazônia.

i)       Estimular e despertar atitudes pró ativas em relação `a vida no planeta e a importância do cuidado com a água, com a qualidade do ar, com as florestas, com o clima, com o solo.

j)       Estimular e promover a responsabilidade para a proteção da biodiversidade e de todos os biomas brasileiros, principalmente dos três que estão presentes na Região Centro Oeste: Pantanal, Cerrado e Amazônia, que há décadas vem passando por uma destruição avassaladora, com consequências graves em todas as dimensões.

k)     Viver e testemunhar uma espiritualidade ecológica e a mística do cuidado com as obras da criação.

l)       Estimular a reflexão da Igreja em relação `as datas comemorativas, principalmente as que estejam mais diretamente voltadas ou próximas `a atuação da pastoral da ecologia integral.

5. Organização – estruturação

As pastorais surgem de uma analise da realidade e das necessidades que os fiéis sentem  em relação aos principais desafios desta realidade em que vivem. As formas de organização ou seja, a estruturação das pastorais não obedecem ou seguem um modelo padrão, mas são construídas a partir das reflexões e da participação, de forma mais ampla no seio da Igreja (Arquidioceses, Dioceses, Paróquias e Comunidades), devem estar inseridas no contexto de atuação pastoral de cada unidade, hierarquia da Igreja e  fazer parte do planejamento da mesma, jamais algo estranho ou imposto de forma autoritária ou personalista.

No caso da Pastoral da Ecologia Integral, em alguns Regionais da CNBB, como Sul 1, Sul 2; Nordeste (Pernambuco), Leste (RJ), a mesma tem recebido apoio tanto da CNBB quanto de Arcebispos, Bispos e Padres, o que facilita o inicio dos trabalhos e a caminhada da Pastoral.

Todavia, cabe, fundamentalmente aos Leigos e Leigas engajados/engajadas participarem ativamente para que a mesma (Pastoral da Ecologia Integral) esteja inserido e articulada com todas as demais pastorais, movimentos e organismos da Igreja existentes no território, onde a mesma esteja sendo estruturada/organizada.

Assim, existe pastoral da ecologia integral com dimensão Arquidiocesana; Diocesana, Paroquial e em comunidades, principalmente quando a dimensão geográfica das paróquias é muito extensa, como acontece nas regiões Centro Oeste e na Amazônia.

6. Atuação: formas de ação

Para atingir seus objetivos e ser fiel aos seus fundamentos, a Pastoral da Ecologia Integral não é “apenas mais uma pastoral”, mas sim, uma pastoral que busca integrar-se com as demais pastorais existentes em cada dimensão territorial da Igreja (Arquidioceses, Dioceses, Paróquias e Comunidades), constituindo-se, assim, em uma pastoral integradora ou de conjunto, no contexto da ação sócio-transformadora da Igreja, como definido pela CNBB.

Tendo em vista que nos Estados que integram a região Centro Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal) não existe nenhuma Pastoral da Ecologia Integral, a atuação ou as formas de ação, assumem características um tanto diferentes, mas que, resumidamente, podem ser:

a)     A Primeira preocupação, é quanto `a constituição de equipes de animação que devem ser responsáveis pela divulgação dos fundamentos, objetivos, formas de organização e principais áreas de atuação, procurando estimular e motivar a participação de pessoas que possam se integrar `a caminhada.

b)     O segundo passo é a capacitação, formação inicial e continuada dos futuros agentes da Pastoral e dos integrantes da Equipe Coordenação e de animação, com o objetivo de alinhar conhecimentos, tanto relacionados com aspectos teóricos da área da ecologia integral quanto dos documentos da Igreja para atingir um determinado nível de aprofundamento, que servirão de bússola quando do desenvolvimento dos projetos e ações.

c)     O terceiro passo é o VER (na metodologia da Igreja), ou seja, a realização de um levantamento da realidade sócio-ambiental da área de atuação da pastoral., propiciando a organização de um ról de problemas e desafios.

d)     O próximo passo é a análise da realidade levantada e o estabelecimento das prioridades que deverão servir de base para a elaboração dos projetos e das ações a serem implementadas. Reforçando a ideia de que todos esses passos devem ser dados de forma participativa, democrática e transparente

e)     A seguir, o próximo passo é definir alguns projetos (evitando abrir demasiadamente o leque), refletindo detidamente sobre as possibilidades e a viabilidade dos projetos e das ações.

f)      Quanto aos projetos e ações, deve haver um detalhamento incluindo: o que fazer; como fazer; com quem fazer; quando fazer (cronograma); onde fazer (definir o território); qual ou quais os custos; quais as fontes de recursos (próprios ou em parceria com outras pastorais ou organismos fora da Igreja, como entidades públicas, empresariais, ONGs, Clubes de serviço etc).

g)     Baseado em projetos e ações já realizadas ou em realização por pastorais do meio ambiente ou da ecologia integral já existentes em diversas regiões do Brasil, identificamos alguns exemplos de atuação como: 1) educação ambiental/ecológica; 2) trabalho com resíduos sólidos, reciclagem, limpeza de locais públicos; 3) plantio de árvores/arborização urbana; 4) recuperação de nascentes; 5) construção de trilhas ecológicas; 6) estímulo `a produção e consumo conscientes, agroecologia, plantas medicinais, hortas domésticas, escolares, comunitárias; 7) estímulo `a formas de economia solidária (produção e consumo); 8) campanhas contra o desperdício em todas as áreas; 9) estímulo e conscientização quanto `a importância da produção e uso de fontes alternativas de energia.

h)     Enfim, caberá ao grupo coordenador e aos agentes da Pastoral da Ecologia definirem todos as etapas e todos os passos da caminhada

É importante que a Pastoral da Ecologia Integral seja reconhecida pela hierarquia da Igreja e estar inserida no contexto do planejamento e da ação evangelizadora da mesma.

Para tanto, é importante que dependendo do nível de abrangência territorial, exista um Arcebispo, Bispo ou Padre como referencial para que o trabalho da Pastoral produza os efeitos como uma ação evangelizadora e, jamais, como algo que pertença a alguns leigos/leigas ou grupo de pessoas que atuem isoladamente.

7. Caminhada da Pastoral da Ecologia Integral no Centro Oeste

Por sugestão da Coordenação Nacional/Articulação da Pastoral da Ecologia Integral do Brasil iniciamos nossa caminhada em julho de 2021, quando foi realizado um Evento online, por três noites seguidas, dias 19, 20 e 21 de Julho, uma “rodada de conversa”, com o seguinte titulo “II ENCONTRO NACIONAL A Igreja e os desafios ecológicos no Centro Oeste”, que consistia em duas pequenas exposições/”falas” em cada noite, cujo vide o está disponível no youtube https://youtu.be/_EWwNK4zjSc  e já foi visto até esta data (05 Setembro de 2021) por 279 pessoas.

Os temas abordados foram os seguintes: primeira noite – O avanço do agronegócio e os conflitos no campo no Centro Oeste e A questão indígena no Centro Oeste; segunda noite – Questões da agroecologia no Centro Oeste e O papel da agricultura familiar na produção de alimentos e na geração de emprego e renda; terceira noite – Problemas ecológicos urbanos no Centro Oeste e O Papel das Pastorais da Ecologia Integral na caminhada da Igreja. Esta última exposição esteve a cargo do Bispo de Campos, RJ Dom Roberto Paz, que também é o Bispo Referencial para a Pastoral da Ecologia Integral no Regional Leste 1, da CNBB.

Após este “seminário” online, foi constituído um grupo de whatsapp com a finalidade de manter a chama acesa e buscar animar pessoas, em diferentes estados e localidades, com o objetivos de ativar a estruturação da Pastoral da Ecologia Integral nos estados da região Centro Oeste.

No  momento este grupo conta com 31 pessoas, com destaque para a Arquidiocese de Cuiabá, onde estão a maior parte desses integrantes, e Araputanga, o segundo núcleo com maior número de participantes, além de pessoas em diversas outras localidades como Mirassol D’Oeste, Barra do Bugres, Pedra Preta, Rondonópolis, Alta Floresta e em breve em outras Dioceses , Paróquias e Comunidades.

Outro fato importante e significativo foi o contato realizado com o Vigário Geral de Cuiabá, Pe. Deusdédit Monge de Almeida, que tem contribuído muito nesta nossa caminhada. Por intermédio do mesmo foi possível a realização de um encontro presencial nas dependências da Catedral Metropolitana Bom Jesus de Cuiabá, no último dia 23 de Agosto quando estiveram presentes 8 padres/párocos e 7 leigos, de diferentes paroquias, ocasião em que foi feita uma exposição sintética sobre o projeto de estruturação da Pastoral da Ecologia Integral no Centro Oeste, com destaque para este trabalho em Mato Grosso e, em especial, na Arquidiocese de Cuiabá, como polo irradiador e multiplicador para outros territórios.

Está agendada uma nova reunião presencial, possivelmente mais ampliada com um maior número de pessoas e de paroquias, para o dia 18 deste mês de setembro e, a organização de uma equipe Arquidiocesana de coordenação visando avançar os trabalhos da Pastoral da Ecologia Integral na Arquidiocese de Cuiabá, atingindo o maior número possível de paroquias e comunidades católicas.

Cabe um destaque o fato de que a Arquidiocese de Cuiabá abrange a região mais urbanizada do Estado de Mato Grosso, incluindo o maior Aglomerado Urbano do estado, que inclui Cuiabá e a cidade vizinha de Várzea Grande e também da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, a chamada Baixada Cuiabana, onde vivem quase 30% da população do Estado, mais de um milhão de habitantes, onde os problemas ambientais/ecológicos representam um dos maiores desafios no Estado, como a degradação do Rio Cuiabá e as ameaças `a sobrevivência do Pantanal.

Além disso, aproveitando o TEMPO DA CRIAÇÃO , no dia 21 de setembro de 2021, por ocasião do DIA DA ÁRVORE, durante a missa, que também faz parte da Novena do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, durante a homilia haverá um espaco para ser feita uma reflexão sobre a data e a caminhada rumo a ecologia integral, incluindo também um ato simbólico de distribuição de mudas de árvores frutíferas.

E no encerramento do TEMPO DA CRIAÇÃO, dia 04 de Outubro, DIA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS, o Padroeiro da Ecologia Integral, também haverá uma celebração (Missa) especial com reflexão sobre a caminhada da ecologia integral e também a benção dos animais.

7. Leituras recomendadas, principalmente para os integrantes da Equipe de Coordenação e dos agentes de Pastoral:

a) Bíblia sagrada, velho e novo testamento, aspectos relacionados com questoes sócio-ambientais;

b) Encíclica Laudato Si;

c) Exortação Apostólica “Minha Querida Amazônia”;

d) CELAM – Documento de Santo Domingo;

e) CELAM – Documento de Aparecida;

f) Livro Pastoral da Ecologia e do Meio Ambiente, Pe. José Carlos Pereira e Rodrigo Borba

g) Cartilha “Elos da criação – Reflexão sócio-ambiental”, Arquidiocese Recife – Pastoral Ambiental

h) Livro “Laudato Si” no pensamento social da Igreja – Da Ecologia ambiental `a ecologia integral Agenor Brighenti

I) Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para a Ecologia Integral. Doc Instrumentum Laboris

j) Livro Magistério e doutrina social da igreja. Org. Ronaldo Zacharias e Rosana Manzini (cap 13 e 14 principalmente)

k) Livro Direitos Humanos e justiça sócio-ambiental: múltiplos olhares Org. Afonso Murad e outros,

l) Livro Ecos ecológicos: uma jornada em defesa do meio ambiente, Luizinho Bastos

m) Livro A sustentabilidade como paradigma, Marcílio Freitas e Marilene Freitas

n) Livro Pensamento Ecológico – Reflexões críticas Vilmar Berna

o) Livro Catequese e ecologia: Espiritualidade ecológica e catequese responsável, Erica Daiane Mauri e Luiz Alexandre Solano Rossi

p) Livro Reflexão cristã sobre o meio ambiente Org. A. Garcia Rubio e outros

q) Livro Ecologia: Vida ou morte? J. B. Libanio

r) Livro Ecologia: cuidar da vida e da integridade da criação Org. Pe. Jose Oscar Beozzo

s) Livro Religiões e Ecologia Marcial Maçaneiro

t) Livro Sustentar a vida Org. Renato Ribeiro

u) Livro Nosso Futuro Comum, Comissão Mundial sobre o meio ambiente e desenvolvimento, Comissao Brundtland, ONU, Marco 1987.

Além dessas fontes mencionadas, existem inúmeros artigos avulsos e publicados em revistas, jornais, sites, blogs e teses acadêmicas que podem ser consultados livremente na Internet, além de inúmeros videos sobre a Pastoral da Ecologia Integral e do Meio Ambiente, que podem ser vistos como forma de contribuir para a formação dos envolvidos nesta caminhada.

Cuiabá, 06 de Setembro de 2021

Juacy da Silva, professor universitário, titular e aposentado UFMT, sociólogo, mestre em sociologia. Email profjuacy@yahoo.com.br   Whats app 65 9 9272 0052