COMO USAR A IA: Inteligência artificial na saúde é aliada ou coloca pacientes em risco?

COMO USAR A IA:   Inteligência artificial na saúde é aliada ou coloca pacientes em risco?
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Você recebe o resultado do exame de sangue por e-mail. Abre o PDF e vê várias palavras estranhas: “Leucócitos”, “Hematócrito”, “PCR elevado”. O coração dispara. Antes, a gente corria para o “Dr. Google” e entrava em pânico achando que tinha três dias de vida.

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Agora, a tentação é outra: copiar tudo e jogar no ChatGPT ou no Gemini perguntando: “O que eu tenho?”.

A resposta vem rápida, educada e cheia de certeza. Mas aqui mora um perigo silencioso. Usar a Inteligência Artificial na saúde pode ser uma ferramenta útil ou uma armadilha perigosa. Tudo depende de como você pergunta.

Hoje, vamos aprender a usar essa tecnologia sem brincar com a sua vida.

Onde a IA é genial: O “Tradutor de Mediquês”
Médicos estudam anos para entender termos que nós, meros mortais, não compreendemos. A IA é excelente para quebrar essa barreira da língua.

Você pode (e deve) usar o ChatGPT, Gemini ou Perplexity para:

1. Entender termos técnicos: Perguntar “O que significa triglicérides e por que ele sobe?” é seguro. A IA vai te dar uma aula teórica simples.
2. Resumir bulas infinitas: “Quais são os efeitos colaterais mais comuns deste remédio e qual o melhor horário para tomar?” (Sempre conferindo com a receita do seu médico, claro).
3. Preparar a consulta: “Vou ao cardiologista amanhã. Que perguntas importantes devo fazer sobre pressão alta?”

Nesse cenário, a IA atua como uma professora, te dando conhecimento para você chegar no consultório mais preparado.

Onde a IA é perigosa: O Diagnóstico Cego
O problema começa quando tentamos transformar o robô em médico.

O Perigo das “Alucinações”
As IAs sofrem de um fenômeno conhecido como “alucinação” – quando a ferramenta gera informações que parecem plausíveis, mas são completamente falsas ou inventadas. Os números são alarmantes:

– Taxa de alucinação: Entre 33% e 79% dependendo do modelo
– Em referências médicas: 47% das referências criadas pelo ChatGPT eram completamente fabricadas – o sistema inventou artigos e autores que não existem
– Em diagnósticos pediátricos: ChatGPT acertou apenas 17% dos diagnósticos pediátricos testados, errando em 83% dos casos

Um exemplo real e devastador: em 2025, um homem de 60 anos foi hospitalizado após o ChatGPT recomendar substituir sal de cozinha por “brometo de sódio” como alternativa química similar. O brometo de sódio é um produto industrial tóxico que causou sintomas neurológicos graves. O sistema não contextualizou que uma “similaridade química” não significa segurança ou comestibilidade.

Por que a IA erra em diagnósticos?
Imagine que você mostre uma foto de uma mancha na pele para a IA. Ela pode dizer que é uma alergia simples. Mas ela não sabe que você tem histórico de câncer na família, não sabe se aquela mancha coça, não sabe se você tomou sol ontem, não sabe sua idade ou tipo de pele.

A IA analisa dados (texto e imagens isoladas). Um médico analisa o paciente (contexto completo).

Um exame de laboratório sozinho não diz nada. Um valor “fora da referência” pode ser perfeitamente normal para sua idade, seu sexo ou sua condição física. O ChatGPT não sabe disso. Ele pode te dar um falso alívio (“Não é nada”) quando você precisava correr para o hospital, ou criar um pânico desnecessário inventando uma doença rara que você não tem.

Estudos recentes confirmam isso: um atraso em diagnóstico de AVC (derrame cerebral) causado por confiança excessiva em resposta de IA colocou uma vida em risco crítico.

A Regra de Ouro (segundo a OMS)
Em janeiro de 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um guia ético abrangente sobre o uso de Inteligência Artificial em saúde. Um princípio central alinha-se perfeitamente com a distinção mais importante para pacientes:

Use a tecnologia para se informar, nunca para se diagnosticar.

Essa simples regra está fundamentada em um dos 6 princípios éticos oficiais da OMS para IA na saúde: Proteger a autonomia humana – que significa que você (e especialmente seu médico) deve permanecer no comando das decisões clínicas. A IA é um apoio, nunca um substituto.

5 Usos Legítimos de IA em Saúde (Segundo a OMS)
Nem tudo é risco. A OMS identifica 5 aplicações onde a IA pode auxiliar de forma segura quando bem supervisionada:

1. Diagnóstico e atendimento clínico – Como ferramenta de apoio ao médico (não substituto)
2. Investigação de sintomas orientada pelo paciente – Ajudando você a preparar perguntas para o médico
3. Gestão administrativa – Agendamentos, registros, organizando dados
4. Educação médica – Treinando estudantes e profissionais com simulações
5. Pesquisa científica e desenvolvimento de medicamentos – Acelerando descobertas
Todas essas aplicações têm algo em comum: supervisão humana qualificada. A máquina não toma a decisão final; humanos treinados a verificam.

Checklist: Como Usar IA em Saúde com Segurança

O que fazer:
1. Use IA para educação: entender o que é uma doença, como funciona um exame
2. Mostre as respostas ao seu médico para discussão
3. Use Perplexity em vez de ChatGPT (mostra fontes)
4. Filtre respostas por fontes confiáveis (PubMed, hospitais, universidades)
5. Pergunte ao médico: “Encontrei essa informação. É correta para meu caso?”
6. Nunca compartilhe dados sensíveis (nomes, números de exames, condições específicas)
7. Desconfie de respostas com certeza absoluta – saúde é sempre contextual

O que evitar:
1. NÃO use IA para se auto-diagnosticar
2. NÃO confie em uma resposta da IA para tomar decisão médica sozinho
3. NÃO compartilhe exames completos ou dados pessoais com ChatGPT ou ferramentas públicas
4. NÃO ignore sintomas porque a IA disse “não é nada”
5. NÃO demore a ir ao médico enquanto aguarda resposta da IA
6. NÃO tome medicamentos sugeridos por IA sem aprovação médica
7. NÃO acredite em “alucinações” – se a IA inventa doenças raras, trata-se de erro de máquina

Fonte:    www.gazetadigital.com.br


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