O que existe, atualmente, são atendimentos pontuais em alguns setores, como o Detran e a Assembleia
De atendimentos pontuais, como acontece hoje, a população surda quer intérpretes da língua de sinais em todas as unidades de Saúde e sedes de órgãos.
“Em nossa capital, até hoje, somente as sedes do Detran e da Assembleia Legislativa oferecem atendimento diferenciado para os surdos”, reclama Josué Shimabuko, secretário da diretoria da Associação de Surdos de Cuiabá (ASC).
O presidente da associação, Luís Camelo da Silva Neto, assinala que, no caso da Saúde, quando precisam, seja em consulta médica ou outros serviços, recorrem à Central de Intérpretes de Libras (CIL).
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Na central, do Governo do Estado, é necessário agendar com antecedência.
Isso faz com que enfrentem dificuldades e, muitas vezes, tenham de pagar um intérprete do próprio bolso.
Se a necessidade for emergencial, o problema se agrava ainda mais.
Luís Neto lembra que as legislações que obrigam a presença desse profissional são antigas e, mesmo assim, não são cumpridas.
“Nada muda”, lamenta ele.
Entre as leis que preveem esses serviços, estão a de nº 10.436, de abril de 2002, que estabelece atendimento em libras na Saúde; a 12.319/2010, que regulamenta a profissão de intérprete, entre outras.
Murilo Bernardes: na área educacional, os problemas que viveu na Educação Básica persistem até hoje.
Mais recentemente, em 2024, passou a tramitar, na Câmara Federal, o Projeto de Lei 342/24, que torna obrigatório intérpretes de Libras de plantão ou sobreaviso nos serviços de urgência e emergência em Saúde.
O tesoureiro e atleta da Seleção Cuiabana de Futsal da ASC, Murilo Bernardes, destaca que, na área educacional, os problemas que ele viveu na Educação Básica persistem até hoje.
Aos 28 anos, Murilo diz que há demora na tramitação de processos de contratação de intérpretes de sinais para atender os estudantes.
“Isto ocorre porque não temos intérpretes efetivos na rede”, denuncia ele.
O aluno surdo se matricula, mas o intérprete demora a chegar para começar as aulas, diz ele.
Murilo observa que o município atende por meio de contrato ou desviando das funções servidor com formação em libras para desempenhar o papel de intérprete de aluno surdo.
DIFUNDINDO A LÍNGUA – Em Cuiabá, o curso de formação na língua de sinais é oferecido, gratuitamente, para surdos, professores ouvintes e a comunidade em geral no Centro de Apoio e Suporte à Inclusão da Educação Especial (Casies).
Em dezembro, o Centro Estadual de Educação Inclusiva (CEEI), em Cuiabá, que integra o Casies, formouo cinco turmas, com um total de 200 alunos.
Em 2026, em fevereiro, o órgão deverá abrir inscrições com número similar de vagas.
Para participar, é necessário ter pelo menos o Ensino Médio completo e 18 anos ou mais.
As aulas são presenciais e acontecem no período noturno, das 18h30 às 21h30, uma vez por semana.
O curso dura seis meses e soma 50 horas/aula.
Informações: www.casies.com.br; Instagram: @casiesmt; telefone (65) 9 9917-4991.
ASSOCIAÇÃO – Não é necessário ser surdo para compor a Associação de Surdos de Cuiabá (ASC).
Saber a língua de sinais e ter disposição para ajudar são os requisitos principais.
O secretário da entidade, Josué Shimabuko, por exemplo, não tem deficiência auditiva.
Ele é ouvinte, como se denomina quem escuta.
Há anos, participa das ações em defesa dos direitos à inclusão social das pessoas surdas.
Fonte: www.diariodecuiaba.com.br