Pesquisadores do Consórcio Brasileiro de Coortes de Zika (ZBC Consórcio) divulgaram um estudo focado em 843 crianças nascidas entre 2015 e 2018. O trabalho que uniu especialistas de diversas instituições traz informações sobre a evolução da síndrome congênita do vírus Zika, revelando os impactos na infância.

Foram reunidos dados individuais primários de crianças das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil, com o objetivo de caracterizar de forma abrangente os quadros de microcefalia associados à infecção congênita pelo Zika.
De acordo com o estudo, as crianças afetadas apresentam anormalidades no sistema nervoso central, além de alterações neurológicas e oftalmológicas. Os danos exigem cuidados multidisciplinares e acompanhamento ao longo do desenvolvimento.
Entre os desfechos mais frequentes e identificados pelo estudo, estão as anormalidades estruturais do sistema nervoso central detectadas por exames de neuroimagem, além de alterações nos exames neurológico e oftalmológico.
Um dos líderes da pesquisa, o professor Miranda, da Universidade de Pernambuco (UPE), destaca a importância de consolidar o conhecimento sobre a síndrome congênita do Zika.
“Esse estudo tem uma grande representatividade e ele consolida informações que já vinham sendo publicadas em estudos menores, com os principais achados dessa nova síndrome que a gente vem tentando descrever nos últimos dez anos.”
Demócrito Miranda cita alguns dos cuidados que as crianças acometidas pela síndrome congênita do Zika precisam receber.
“Permanentemente essas crianças precisam de fisioterapia, fonoterapia, de terapia ocupacional, ocasionalmente de algumas outras especialidades para garantir alguma qualidade de vida e também que as habilidades que elas aprendam ou desenvolvam não se percam por falta de estímulo.”
O professor da Universidade de Pernambuco aponta algumas das sequelas que essas crianças desenvolvem. Essas crianças têm um grave dano cerebral que resulta em manifestações motoras, atrasos do desenvolvimento motor e do desenvolvimento, de uma forma geral, neurocognitivo.
“Então, a gente tem atrasos de aprendizado, desenvolvem poucas habilidades, né, de sobrevivência e elas passam a ser dependentes de muitos cuidados. O ZBC Consórcio é voltado ao estudo das consequências da transmissão vertical do vírus Zika, contribuindo para a compreensão e descrição da síndrome congênita do Zika.”
O estudo foi coordenado pelos professores Demócrito Miranda Filho, Ricardo Chimenes e Ulisses Ramos Montarroyos, integrantes do programa de pós-graduação em ciências da saúde da UPE.
E contou ainda com a parceria das pesquisadoras Maria Elizabeth Moreira do IFF Rio Cruz e Cristina Barroso Rofer da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).