O consumo de café é um hábito tradicional no Brasil. Poucos dispensam aquele cafezinho pela manhã e, às vezes, ao longo do dia. Mas é importante ter moderação, especialmente durante a gravidez e a amamentação.

De acordo com uma pesquisa da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), a cafeína pode ter efeitos prejudiciais no desenvolvimento do bebê. A pesquisa analisou cerca de 120 estudos e revelou que a ingestão materna de cafeína pode afetar o peso corporal e o sistema endócrino do bebê, além de aumentar o risco de aborto e natimortalidade.
A cafeína é rapidamente absorvida pelo corpo e pode atravessar a placenta e a barreira hematoencefálica — um risco para o feto. A recomendação é que as grávidas consumam no máximo 300 mg de cafeína por dia, o equivalente a três ou quatro xícaras de café.
A exposição à cafeína durante a gestação e lactação também pode ter efeitos a longo prazo no sistema endócrino, hepático e cardiovascular do bebê, como explica uma das pesquisadoras do estudo, a professora de fisiologia da UERJ, Patrícia Cristina Lisboa:
“A capacidade da cafeína de atravessar a placenta promove superexposição fetal. Além disso, a placenta e o feto não metabolizam a cafeína, resultando em uma meia-vida fetal elevadíssima de aproximadamente 50 a 100 horas. Assim, os níveis de cafeína no sangue do cordão umbilical podem ser maiores do que os da mãe. O consumo elevado de cafeína pode ter efeitos prejudiciais sobre o sucesso gestacional e a saúde da prole”.
A cafeína também pode afetar a tireoide, aumentando o risco de disfunção tireoidiana em mães e filhos. A pesquisa da UERJ destaca a importância de uma abordagem cuidadosa quanto ao consumo do café durante a gravidez e amamentação.
Experimentos realizados com ratos também mostraram que filhotes fêmeas apresentam risco maior de obesidade quando a cafeína é absorvida na amamentação. Já entre os filhotes machos, esse risco é maior quando a substância é absorvida ainda durante a gestação.