Médicos comentam sobre o perigo de misturar bebidas no Carnaval

Médicos comentam sobre o perigo de misturar bebidas no Carnaval
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A mistura sobrecarrega o corpo e aumenta a chance de passar mal

No ritmo do carnaval é comum começar com uma cervejinha e ao longo do dia passar para bebidas destiladas ou energéticos. Para muita gente essa combinação faz o álcool bater mais rápido. O problema é que o organismo não consegue processar grandes quantidades em pouco tempo.

A cardiologista Paola Smanio explica sobre como a mistura de bebidas sobrecarrega o corpo e aumenta a chance de passar mal.

“Se a pessoa toma uma latinha, uma taça de vinho, socialmente, tudo bem. O problema é quando ela realmente abusa, passa de três doses de bebida alcoólica no mesmo momento, associa os destilados com a cerveja. O álcool é uma substância química e que, depois que a gente ingere, tem várias ações no nosso organismo. No fígado, o fígado é o laboratório do nosso organismo, ele vai ter que metabolizar essa substância que é uma substância tóxica, né? O coração também. Dependendo da dose, aumenta a pressão, pode provocar arritmia. Até aqueles episódios mais intensos de miocardiopatia alcoólica.”, exemplifica a cardiologista.

Outro comportamento comum na folia é a associação do álcool com outras drogas como maconha e cocaína. Essa combinação potencializa os efeitos do álcool e eleva o risco de desmaios, confusão mental e alterações cardíacas.

Os riscos, do ponto de vista cerebral, neurológico, são triplicados. E hoje a gente sabe que algumas drogas aceleram a atelosclerose. Então, elas propiciam, por exemplo, a formação de placas que entopem o coração. Por isso que às vezes você vê, as pessoas que usam algumas drogas  têm infarto muito jovem. E quando a pessoa mistura, ela perde um pouco a noção do que tá acontecendo com ela e a volta dela”, pondera a médica.

Bebidas adulteradas

Além das misturas um outro risco recorrente no Carnaval está nos drinks feitos na hora e sem procedência garantida. Algumas bebidas contêm álcool de origem desconhecida, inclusive metanol, uma substância tóxica que pode causar cegueira e até a morte.

Sobre esse perigo, quem alerta é o toxicologista Álvaro Puccinelli.

O principal risco, atualmente, é uma bebida adulterada, uma bebida de procedência duvidosa que venha contaminada com metanol. Lembrando que o metanol é um tipo de álcool que, quando misturado a bebida alcoólica comum, ele passa desapercebido. Ele não tem cheiro, nem cor, nem sabor diferente do álcool. Então, as pessoas não percebem que estão ingerindo esse tipo de bebida. Lembrar também que bebidas feitas, né, drinks, feitos na rua, por ambulantes, pode, por vezes, também ter o risco de contaminação do gelo ou das frutas que estão envolvidas na preparação desses drinks”.

Para reduzir os riscos, a orientação é dar preferência a bebidas de origem oficial e evitar misturas excessivas, manter a hidratação e se alimentar.

“Então, para evitar a desidratação, tem sempre que você fazer uma reposição constante de líquidos, como a água, sucos e frutas de boa procedência, chás, também são bebidas adequadas nesse processo de hidratação. Os refrigerantes não são uma boa alternativa para hidratação, porque eles têm uma quantidade de sódio muito grande. Um segundo ponto que a gente sempre orienta é que as pessoas se alimentem, se alimentem, né? de, de alimentos leves, mas deem preferência para alimentos que tenham um pouco de gordura. Então seria o ideal seria aqueles óleos de origem vegetal, as frutas secas ou salada com, por exemplo, com azeite. Lembrar também, como dica, que álcool e direção não combinam de maneira nenhuma. Não há dose segura de álcool que permita alguém conduzir um veículo. E por fim, lembrar também que o consumo excessivo de álcool pode expor, infelizmente, as pessoas a situações de violência, né? Seja violência física ou até violência sexual”, finaliza o toxicologista.


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