Pedido cobra transparência sobre uso do dinheiro público
O deputado estadual Lúdio Cabral, do Partido dos Trabalhadores, apresentou requerimento aprovado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso solicitando informações detalhadas sobre a aplicação de R$ 448,5 milhões pelo Governo de Mato Grosso em um fundo de investimentos estruturado pela MT Participações e Projetos.
O fundo, criado em 2023, foi administrado pela Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, empresa que passou a ser investigada pela Polícia Federal no âmbito de apurações envolvendo o escândalo do Banco Master e suspeitas de lavagem de dinheiro associadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital.
O parlamentar destacou que os recursos foram destinados ao fundo vinculado à MT Par com o objetivo de viabilizar a reestruturação financeira da concessão das rodovias BR-163 e BR-364, atualmente administradas pela Nova Rota do Oeste. A concessão foi assumida pelo Estado após transferência autorizada pelo governo federal, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Apesar de reconhecer avanços na retomada das obras de duplicação, Lúdio afirmou que surgiram dúvidas sobre a gestão dos recursos aplicados no fundo, especialmente após a liquidação da Reag pelo Banco Central do Brasil, em meio às investigações da Operação Compliance Zero.
No requerimento, o deputado formulou uma série de questionamentos ao governo estadual e à MT Par, solicitando esclarecimentos sobre a movimentação dos valores desde o aporte inicial, além de informações sobre eventuais riscos financeiros, operacionais e patrimoniais decorrentes da relação com a gestora investigada.
Entre os pontos levantados, está a necessidade de detalhamento sobre os ativos adquiridos pelo fundo, incluindo origem dos créditos, garantias envolvidas e estrutura jurídica das operações. O parlamentar também cobra transparência quanto à eventual substituição da administradora do fundo e aos critérios adotados nesse processo.
Outro foco do pedido diz respeito à manutenção de vínculos contratuais com empresas ligadas ao mesmo grupo econômico da Reag. Lúdio quer saber se ainda existem contratos ativos e quais medidas foram adotadas após o avanço das investigações.
O caso adiciona um novo capítulo ao debate sobre a gestão de recursos públicos e os mecanismos de controle em operações financeiras complexas envolvendo estatais. A expectativa agora é pela resposta oficial do Governo de Mato Grosso e da MT Par, que deverão apresentar documentos e justificativas detalhadas sobre a aplicação dos recursos.
Fonte: www.copopular.com.br