As declarações do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), insinuando a existência de cobrança de propina em contratos públicos em Mato Grosso, provocaram forte reação de adversários políticos, os também pré-candidatos a governo: Jayme Campos (União) e Wellington Fagundes (PL).
Os senadores detonaram a ação do vice-governador e classificaram a fala como “irresponsável”, “leviana” e exigiram que o vice apresente nomes e provas do que afirmou.
Durante ato de filiação do Republicanos, realizado na tarde de quinta-feira (26), Pivetta afirmou que pretende assumir o comando do Estado “com alegria e responsabilidade” e alfinetou gestões passadas ao mencionar supostas práticas de corrupção envolvendo a cobrança de “30% de volta” em contratos públicos.
“Vocês não querem governantes que peçam 30% de volta para vocês. Vocês não querem governante que tenha esse costume, tenha tradição e é conhecido no estado inteiro por pedir de volta parte daquele retorno. Vocês sabem de quem eu estou falando”, disparou o vice, em referência ao chamado “mensalinho”.
À imprensa, Wellington Fagundes (PL) afirmou que qualquer denúncia pública precisa ser acompanhada de responsabilidade e provas concretas. Segundo ele, acusações vagas configuram crime de prevaricação.
“Para fazer qualquer afirmação tem que ter responsabilidade. Acusações sem prova é muito perigoso. E quem faz acusação sem prova pode ser e deve ser responsabilizado. Se ele faz uma acusação e não tem prova, é prevaricação. Então, ele tem que apontar quem ele está dizendo, porque senão ele está começando muito mal. Tem a perspectiva dele assumir o governo. Daqui a poucos dias, antes de ser governador, ele já está fazendo isso. Imagina quando assumir o governo. Vai ser um governo de irresponsabilidade com as pessoas?”, disparou.
Jayme Campos, por sua vez, negou qualquer envolvimento e afirmou que a “carapuça” não serve para ele. No entanto, reconheceu que há “muitos malandros” na política, mas reforçou que acusações devem ser feitas com provas.
“Ele tem que indicar os nomes que estão pegando 30%. É muito fácil acusar. Agora, ele tem que mostrar quem que é o deputado estadual, o deputado federal, o senador, que está pegando 30%. Isso é muito importante. Quando eu falo alguma coisa, eu provo. Não jogo conversa fora e não acuso ninguém se não tiver provas concretas”, concluiu.
Histórico
A declaração de Pivetta foi interpretada como uma crítica direta ao ex-governador Silval Barbosa, que em 2017 firmou acordo de delação premiada e detalhou um suposto esquema de cobrança de propina em contratos públicos, considerado um dos maiores escândalos da história política do Estado. Este é um um dos casos mais conhecidos, contudo não é possível garantir que se trata do ex-governador ou de outro político “que todos sabem quem é”, como citou o vice.
Na ocasião, empresários relataram que eram obrigados a repassar parte do valor de contratos firmados com o governo em troca de facilidades e liberação de recursos. Silval chegou a ser preso e o caso ganhou repercussão nacional.
Mesmo sem citar nomes, Pivetta afirmou que seu governo não tolerará qualquer tipo de extorsão ou irregularidade.
“É contra qualquer tipo de extorsão e mau uso do dinheiro público que renovamos nossa determinação de defender a população”, declarou.
Fonte: www.gazetadigital.com.br