Reunião entre representantes dos EUA e do Irã no Paquistão, nesse sábado (11/4), terminou sem acordo. Principal entrave foi questão nuclear
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf (foto em destaque), se manifestou nas redes sociais após o encontro mediado pelo Paquistão para o fim da guerra dos Estados Unidos terminar sem acordo. Segundo ele, “o lado oposto (EUA) não conseguiu conquistar a confiança da delegação
“Antes das negociações, enfatizei que tínhamos a boa-fé e a vontade necessárias, mas, devido às experiências das duas guerras anteriores, não confiávamos no lado oposto”, escreveu Ghalibaf na rede social X.
“Meus colegas da delegação iraniana apresentaram iniciativas promissoras, mas, no fim das contas, o lado oposto não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, acrescentou.
Apesar do desfecho da reunião, Ghalibaf agradeceu o papel do Paquistão em mediar o conflito. “Sou grato pelos esforços do nosso país amigo e irmão, o Paquistão, em facilitar o processo destas negociações, e envio as minhas saudações ao povo do Paquistão”, destacou.
Questões nucleares travaram discussões
A reunião entre autoridades dos Estados Unidos e do Irã para negociar o fim da guerra no Oriente Médio terminou sem um acordo, nesse sábado (11/4), em Islamabad, no Paquistão
Após mais de 21 horas de negociações, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que participou presencialmente do encontro, conversou com jornalistas e fez um balanço.
“Tivemos várias discussões substanciais com os iranianos. Essa é a boa notícia. A má notícia é que não chegamos a um acordo”, disse Vance.
Segundo o vice-presidente, os EUA apresentaram termos “bastante flexíveis” para um acordo, mas os iranianos decidiram não aceitar. De acordo com Vance, o principal desencontro foi em relação ao programa nuclear do Irã.
“O fato é que precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear e não buscarão as ferramentas que lhes permitiriam obter rapidamente uma arma nuclear”, explicou.
Segundo Vance, a proposta apresentada pelos EUA ao Irã é “a nossa oferta final e melhor”. “Veremos se os iranianos a aceitam”, disse ele, antes de embarcar de volta para Washington.
De acordo com a agência de notícias semi-oficial do Irã, a Tasnim, as autoridades dos dois países não conseguiram chegar a um acordo por conta das “as exigências descabidas feitas pelo lado americano e a insistência da delegação iraniana em preservar os interesses nacionais”.
Além de JD Vance, a Casa Branca foi representada pelo enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e pelo genro de Donald Trump, Jared Kushner.
Já a delegação do Irã era composta por 71 pessoas e foi liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
O encontro marcou a retomada do diálogo direto entre as duas nações em meio a um cenário de tensão e tentativas de estabilização do conflito.
As conversas ocorrem após o início de um cessar-fogo de duas semanas, anunciado na última terça-feira (7/4), também com mediação do Paquistão.
Trump minimizou negociação
Enquanto JD Vance participava da negociação no Paquistão, o presidente dos EUA, Donald Trump, falou com jornalistas na saída da Casa Branca, antes de embargar para a Flórida. Questionado sobre a reunião, o republicano diminuiu a importância de fechar um acordo de paz.
“Independentemente do que aconteça, nós vencemos”, alegou. “Para mim, tanto faz se fizermos um acordo ou não”, completou.
“Derrotamos completamente aquele país, então vamos
ver o que acontece”, acrescentou. “Talvez eles façam um acordo, talvez não, não importa. Do ponto de vista dos Estados Unidos, nós vencemos”, ressaltou.
Fonte: www.metropoles.com.br