Uso do Prodes como critério pelo CMN gera preocupação no campo e mobiliza Aprosoja para evitar bloqueios indevidos
Uma mudança recente nas regras do crédito rural está deixando produtores em alerta em Mato Grosso. A nova resolução do Conselho Monetário Nacional passou a utilizar dados do Prodes como critério para liberação de financiamentos — mas o uso da ferramenta tem gerado dúvidas e risco de interpretações equivocadas
O ponto central da preocupação é que o Prodes, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, monitora alterações no uso do solo por imagens de satélite, mas não distingue automaticamente se o desmatamento é legal ou ilegal. Ainda assim, essas informações passaram a influenciar decisões de bancos sobre concessão, manutenção ou até cancelamento de crédito rural.
Risco de bloqueio preocupa produtores e mobiliza setor
Diante desse cenário, a Aprosoja MT iniciou uma mobilização para orientar produtores e instituições financeiras. O objetivo é evitar que agricultores que atuam dentro da legalidade sejam prejudicados por inconsistências ou interpretações incorretas dos dados.
O vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, tem participado de reuniões com bancários em todo o estado para esclarecer o funcionamento do sistema e reforçar a importância de análises mais técnicas.
Segundo ele, o diálogo direto com os bancos ajuda a reduzir inseguranças e garante que as decisões estejam alinhadas à legislação. A preocupação é clara: evitar que produtores regulares tenham o crédito negado por falhas na leitura dos dados.
Documentação pode ser a chave para liberar crédito
Além da orientação aos bancos, a recomendação também é direta aos produtores: manter toda a documentação da propriedade atualizada pode ser decisivo.
Documentos como Autorização de Supressão Vegetal (ASV), Termo de Compromisso ou Ajuste de Conduta (TC ou TAC), Plano de Regularização Ambiental (PRA) e Cadastro Ambiental Rural (CAR) são fundamentais para comprovar a regularidade da área e solicitar a reanálise do crédito em caso de negativa.
Outro caminho possível é contestar diretamente os dados do Prodes junto ao INPE, apresentando informações técnicas que comprovem eventuais inconsistências no monitoramento.
Bancos se preparam e indicam alto índice de inconsistências
Do lado das instituições financeiras, o movimento também é de adaptação. A superintendente do Banco do Brasil, Wanda Ribeiro, destacou que equipes passaram por treinamentos recentes para lidar com a nova exigência.
Segundo ela, a expectativa é que até 90% dos casos analisados apresentem algum tipo de inconsistência inicial — o que reforça a necessidade de cautela e análise detalhada antes de qualquer decisão.
A orientação, tanto para produtores quanto para bancários, é manter a calma e buscar a regularização com base em documentação técnica.
Mudança pode impactar diretamente o campo
Com a entrada em vigor da Resolução nº 5.268/2025, o uso de dados de satélite passa a ter peso direto no acesso ao crédito rural — um dos pilares da atividade agrícola.
O cenário exige atenção redobrada, já que uma interpretação inadequada pode afetar desde o custeio da safra até investimentos no campo. Por isso, o setor se mobiliza para garantir que tecnologia e legislação caminhem juntas, sem penalizar quem produz dentro das regras.
Fonte: cenariomt.com.br