A crise que coloca em risco o cargo do primeiro-ministro britânico

A crise que coloca em risco o cargo do primeiro-ministro britânico
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primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, está tentando manter seu cargo após os resultados desastrosos do Partido Trabalhista nas últimas eleições locais do país.

Até a noite desta segunda-feira (11/5), 71 dos 403 parlamentares trabalhistas pediram publicamente que Starmer renuncie imediatamente ou apresente um prazo para deixar o comando do governo.

A crise política começou depois das eleições municipais e regionais realizadas no início de maio.

O Partido Trabalhista — que voltou ao poder em julho de 2024, após 14 anos de governos conservadores — perdeu cerca de 1.500 cadeiras de vereadores e viu o partido de direita Reform UK crescer de forma significativa.

“Sei que as pessoas estão frustradas com a situação do Reino Unido, frustradas com a política e algumas também estão frustradas comigo”, afirmou Starmer nesta segunda, durante um discurso em que tentou recuperar apoio político.

“Sei que há pessoas que duvidam de mim, e sei que preciso provar que elas estão erradas, e vou fazer isso”, acrescentou.

Starmer também prometeu que seu governo vai reconstruir as relações com a Europa.

A derrota nas urnas foi vista como uma espécie de teste da popularidade do premiê, que caiu bastante desde que assumiu o cargo, há menos de dois anos.

O governo enfrenta dificuldades para entregar o crescimento econômico prometido, melhorar os serviços públicos, reformar o sistema de assistência social e, entre outras coisas, reduzir o custo de vida da população.

Além disso, embora o Partido Trabalhista tenha defendido a permanência do Reino Unido na União Europeia no referendo de 2016, a legenda evita retomar esse debate, que ainda divide profundamente o país.

Apesar da pressão crescente para deixar o cargo, o primeiro-ministro afirma que pretende liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições gerais, previstas para 2029.

‘Extrema vulnerabilidade’

Durante o discurso do primeiro-ministro, o clima era de nervosismo diante da importância do que está em jogo, afirmou o editor de política da BBC, Chris Mason.

Segundo ele, tem sido uma verdadeira “montanha-russa de emoções”.

Os acontecimentos estão se acelerando rapidamente, e Keir Starmer se encontra em uma situação de “extrema vulnerabilidade”, afirmou Chris Mason.

A escolha de um novo líder para substituir Starmer só pode acontecer caso ele renuncie ou se deputados do Partido Trabalhista lançarem oficialmente uma candidatura contra ele.

Para tentar destituir o atual líder, um candidato precisa ter o apoio de pelo menos 20% dos deputados trabalhistas. Além disso, os parlamentares devem comunicar formalmente a candidatura ao secretário-geral do partido.

Os candidatos ao cargo de primeiro-ministro precisam ser deputados do partido que está no governo, o que impede que políticos de outras legendas disputem a liderança.

O mau desempenho eleitoral do Partido Trabalhista fortaleceu o Reform UK, partido situado à direita no espectro político britânico e liderado pelo político populista Nigel Farage.

Analistas afirmam que o crescimento do Reform UK pode aproximar o Reino Unido de uma tendência já observada em outros países europeus, como França, Alemanha e Holanda, onde partidos populistas de direita tiveram um crescimento acelerado nas eleições dos últimos anos.

Outro fenômeno revelado pelas eleições locais no Reino Unido foi o enfraquecimento do tradicional bipartidarismo. Os votos passaram a se dividir entre cinco ou mais forças políticas diferentes, numa das maiores transformações da política britânica no último século.

Para o cientista político britânico John Curtice, os resultados mostram que “a política no Reino Unido está fragmentada” e que o eleitorado se encontra altamente polarizado.

Oposição promete deportações em massa

Em meio à crise enfrentada pelo Partido Trabalhista, o porta-voz de assuntos internos do Reform UK, Zia Yusuf, afirmou há alguns dias que um eventual governo liderado pelo partido teria como prioridade máxima a criação de um órgão responsável por coordenar a deportação de imigrantes em situação irregular.

Segundo ele, os agentes desse órgão seriam responsáveis por “localizar, deter e deportar todos os imigrantes ilegais”.

Eles também seriam mantidos em instalações modulares antes da realização de até cinco voos diários de deportação.

Yusuf afirmou ainda que seria necessário adotar medidas para proteger a cultura britânica, incluindo novas regras para impedir que igrejas sejam transformadas em mesquitas.

O líder do partido, Nigel Farage, aproveitou o momento para destacar que a derrota do Partido Trabalhista superou suas expectativas e afirmou que “o melhor ainda está por vir”. Segundo ele, os resultados indicam que o Reform UK está no caminho para vencer as eleições gerais previstas para 2029.

Mas, como ainda faltam pouco mais de três anos para a próxima eleição nacional, o cenário político do país segue indefinido e ainda não há clareza sobre quem comandará o Reino Unido no futuro.

BBC News Brasil


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