Presidente do Flamengo voltou a criticar acordos da Libra com a emissora
O presidente do Flamengo Luiz Bap foi enfático ao analisar o cenário de uma possível de liga de clubes no Brasil, mas vincula o sucesso do projeto a uma participação direta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade máxima do esporte no país. A fala, feita durante a participação do dirigente na São Paulo Inovation Week, acontece em momento turbulento para o bloco comercial que o Rubro-Negro faz parte, a Libra, e é vista como um reforço à posição crítica do executivo sobre o contrato assinado com a Globo pelos direitos de transmissão
O dirigente voltou a afirmar que não concorda com o modelo de contrato elaborado pela antiga gestão do Flamengo em parceria com outros clubes com a Rede Globo, que tem os direitos de transmissão da Libra até o fim da temporada 2029. Para Bap, a renegociação do acordo com a emissora é uma questão de necessidade e que “contratos existem para ser renegociados”, nas palavras do executivo.
O presidente do Rubro-Negro afirmou que o acordo costurado foi feito de maneira ortodoxa e repete um mecanismo que já existia nas últimas décadas. Vale destacar que o outro bloco comercial, a FFU, tem contratos com mais de um canal e diversificou as receitas de transmissões
– É interessante que a Libra vendeu de maneira ortodoxa seus direitos e fez os mesmos acordos dos últimos 25 anos. Vendeu para a Globo, tudo igual. Mas a tecnologia tá aí, mostrando que a fragmentação é inevitável. A Amazon (Prime Video) pagou R$ 264 milhões para transmitir um jogo por rodada e sem saber qual é o jogo. Imagina se o Flamengo chega para Amazon e fala: “vou entregar todos os jogos pra você de forma exclusiva”, eles pagariam mais ou menos que isso? – indagou Bap.
Outro ponto levantado pelo presidente do Flamengo é a alteração no repasse da emissora em caso de rebaixamento de um clube da Libra. O atual contrato prevê uma diminuição da receita do bloco se um dos integrantes cair para a Serie B, mas não há aumento caso um time da segunda divisão suba para a Série A. Foi o que aconteceu com o Remo de 2025 para 2026
– Isso revira meu estômago [a cláusula do acordo]. Uma burrice inacreditável. Como você aceita que você perde a receita se o clube cair e, se ganhar, não aumenta nada? Se cada clube que entra você aumenta 38 jogos, como não entra mais dinheiro? Contrato existe pra ser renegociado. Está escrito, mas nós vamos encarar isso [renegociação de contrato com a Globo]. Essas e outras discussões. Vai ser divertido – completou.
Bap ainda destacou algumas das outras temáticas que pretende tratar com a Globo, como Cartola, fantasy game da emissora com os times da Série A do Brasileirão. O dirigente entende que é necessário um repasse da empresa pelo uso da imagem dos clubes e atletas, o que não acontece hoje.
CBF fundamental para a liga
A possibilidade da criação de uma liga no futebol brasileiro passa, inevitavelmente, pela participação da CBF, segundo Luiz Bap. O presidente do Flamengo se coloca como “completamente a favor” da criação da liga no país e destaca que é preciso discutir “como” isso vai acontecer não “quando”, já que é um caminho natural na interpretação do executivo.
Bap pontua que, hoje, vê como principais empecilhos e dificuldade de negociação entre os clubes para a resolução de possíveis conflitos ou desacordos e que alguns clubes podem ter dificuldades de aceitar ou acompanhar o formato diante de problemas com a organização. A participação da CBF, segundo ele, tornaria o processo menos burocrático, já que a entidade poderia assumir papéis que já tem hoje, antes da existência de uma liga.
– Com a liga você tem oportunidade de empacotar o produto do futebol no Brasil muito melhor do que fazemos. São 380 jogos do Brasileiro por ano e acho que isso dá para ser um espetáculo melhor. O valor disso aumenta e a liga pode faturar duas ou três vezes mais no país. […] Conceitualmente falando, não precisaria ter a CBF envolvida. Mas sendo brasileiro e atuando neste meio, não existe liga que a CBF não possa mediar – disse Bap, que vê a entidade como fundamental para essa realização e que já funciona como uma “stakeholder de clubes”.
– Não fui eleitor de Samir [Xaud, presidente da CBF], por uma questão que deixei claro na época. Não sabia das propostas dele para o futebol brasileiro e não concordava no modelo da votação das federações. Em que pese não termos votado, não posso deixar de reconhecer o trabalho muito bom que eles fazem. Fizeram mais em seis meses do que nos últimos dez anos. Isso é constatação e não posso deixar de reconhecer. Essa CBF que vivemos hoje tem condições de contribuir com uma liga no Brasil- ponderou.
Fonte: www.lance.com.br