Caso envolvendo pagamento bilionário ligado à Oi S/A e nomes próximos ao ex-governador amplia desgaste político no grupo governista
A possível candidatura do ex-governador Mauro Mendes (União) ao Senado Federal nas eleições de outubro enfrenta sinais de desgaste político diante de denúncias envolvendo aliados próximos e investigações relacionadas ao chamado “Escândalo da Oi S/A”. O caso, que já é analisado por órgãos de controle e instâncias judiciais, passou a ser visto nos bastidores políticos como um potencial fator de desgaste para o grupo governista em Mato Grosso.
Entre os nomes mais próximos de Mauro Mendes citados nas discussões políticas estão o procurador Rogério Gallo e o empresário e ex-senador José Aparecido dos Santos, conhecido como Cidinho Santos. Ambos aparecem como possíveis integrantes da chapa majoritária ligada ao ex-governador, que deve disputar uma das duas vagas ao Senado em 2026.
A eleição para o Senado ocorre pelo sistema majoritário e prevê, além do candidato titular, dois suplentes. Nos bastidores, lideranças políticas avaliam que a escolha dos nomes da chapa poderá influenciar diretamente o desempenho eleitoral de Mauro Mendes e também do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), apontado como principal nome do grupo para disputar a reeleição ao Palácio Paiaguás.
O principal foco de desgaste envolve o caso relacionado ao pagamento de recursos ligados à empresa de telecomunicações Oi S/A. Segundo denúncias apresentadas pelo advogado e ex-governador Pedro Taques, o Governo de Mato Grosso teria quitado uma dívida originalmente estimada em R$ 574 milhões por cerca de R$ 308 milhões após acordo com fundos de investimento.
Conforme as acusações, parte dos recursos teria circulado por fundos de investimento até chegar a empresas ligadas a familiares e aliados próximos do núcleo político do ex-governador. O caso é investigado por órgãos como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Ministério Público Estadual (MPMT) e Procuradoria-Geral da República (PGR).
O nome de Cidinho Santos aparece citado nas denúncias relacionadas à operação financeira envolvendo os fundos Royal Capital e Lotta Word. Outro empresário mencionado é Fernando Robério Garcia, conhecido como Berinho Garcia, pai do deputado federal Fábio Garcia (União), um dos principais aliados políticos de Mauro Mendes.
Já o procurador Rogério Gallo passou a enfrentar questionamentos após prestar esclarecimentos à Comissão Parlamentar de Acompanhamento instalada na Assembleia Legislativa para analisar o caso. Durante o depoimento, Gallo afirmou que o procurador do Estado Hugo Fellipe Martins de Lima não teria participação nas negociações envolvendo a dívida da Oi S/A.
Entretanto, segundo o documento, surgiram informações apontando que Hugo Martins seria sócio da esposa de Rogério Gallo, Lucimara Polisel Gonçalves, em empresas privadas, incluindo negócios ligados à recuperação de créditos tributários.
Durante os questionamentos feitos pelos parlamentares, Rogério Gallo negou ter sido sócio de empresas privadas e também afirmou desconhecer eventual participação societária de Hugo Martins. Posteriormente, o caso levou à convocação de outros procuradores estaduais para prestar esclarecimentos adicionais à comissão parlamentar.
O nome de Hugo Fellipe Martins de Lima também ganhou notoriedade política durante as intervenções estaduais na Saúde Pública de Cuiabá, ocorridas durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro. Ele chegou a atuar diretamente na condução da primeira intervenção determinada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Nos bastidores, lideranças políticas avaliam que o avanço das investigações pode ampliar dificuldades para o grupo político liderado por Mauro Mendes, especialmente em um cenário de fragmentação entre aliados históricos. Atualmente, o União Brasil enfrenta divisões internas provocadas pela pré-candidatura do senador Jayme Campos ao Governo do Estado e pela movimentação da deputada estadual Janaina Riva (MDB) na disputa ao Senado.
Apesar de a gestão Mauro Mendes ainda manter índices positivos de avaliação, adversários políticos já articulam utilizar as denúncias como instrumento de desgaste eleitoral durante a campanha de 2026.
O caso da Oi S/A segue sob investigação em diferentes esferas e pode se transformar em um dos principais temas do debate político em Mato Grosso nos próximos meses, principalmente pela proximidade dos nomes envolvidos com o núcleo central do atual grupo governista.
Fonte: www.diariodecuiaba.com.br