Além dos atrasos, a obra interminável do sistema de transporte rápido, o chamado BRT, entre Cuiabá e Várzea Grande, já contabiliza cerca de R$ 120 milhões acima do valor inicialmente anunciado pelo Governo de Mato Grosso. A informação partiu do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que apresentou requerimento de convocação do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Oliveira, para prestar esclarecimentos sobre a morosidade na execução dos serviços.
A convocação de Oliveira foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT) na quarta-feira (27) e a sabatina está marcada para o próximo dia 11 de junho. Lúdio Cabral explicou que houve uma mudança de “convite” para “convocação”, uma vez que o secretário não compareceu em reunião anterior para esclarecer os sucessivos atrasos na obra.
Ao pedir a apoio à aprovação do requerimento, o deputado informou que o Estado já contratou cerca de R$ 550 milhões apenas para execução do trecho 1, que liga o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, até o final da Avenida Historiador Rubens de Mendonça (CPA), em Cuiabá.
“Somente para o trecho entre o aeroporto e o final da Avenida do CPA já existem contratos que ultrapassam R$ 550 milhões, ou seja, mais de R$ 100 milhões acima do valor inicialmente anunciado para toda a obra do BRT”, declarou durante a sessão plenária.
Além disso, conforme o parlamentar, apenas 44% do trecho 1, foram concluídos até o momento, apesar de o governo estadual ter anunciado, em 2020, que toda a obra seria entregue em até 22 meses, a partir da assinatura da ordem de serviço para início dos serviços.
“O governador anunciou em 2020 que toda a obra seria entregue até dezembro de 2022 por R$ 430 milhões. Estamos no final de maio de 2026 e nem metade do primeiro trecho foi concluída”, disse. “O Estado não pode tratar os requerimentos de convocação da mesma forma que está tratando a obra do BRT”, completou.
O deputado destacou ainda que os moradores das duas cidades enfrentam diariamente transtornos causados pelas intervenções nas vias urbanas, como poeira ou lama, congestionamento ou lentidão no trânsito que aumentam os riscos de acidentes aos usuários da rede viária.
Outro ponto questionado se refere ao processo de contratação das estações do BRT e apresentou vídeo em plenário chamando a atenção para o edital de dispensa eletrônica, publicado em agosto de 2025, que previa investimento de R$ 68,8 milhões para construção de 77 estações. No entanto, segundo Cabral, um novo edital elevou o valor para R$ 120 milhões.
HISTÓRICO – No fim de 2020, o ex-governador Mauro Mendes (União) anunciou a substituição do inacabado Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo BRT. Entre outras justificativas para a troca dos modais, o Estado alegou maior prazo e irregularidades no contrato do VLT, bem como um custo de implantação do BRT considerado menor.
Na ocasião, o governo informou que enquanto o VLT consumiria mais R$ 763 milhões, além do R$ 1,08 bilhão que foi pago apesar de nunca ter sido concluído, o BRT estava inicialmente orçado em R$ 430 milhões, já com a aquisição de 54 ônibus elétricos (compra ainda não realizada), conforme matéria publicada pela Secom-MT intitulada “Estudo conclui que VLT é “insustentável” e governador pede substituição por BRT”.
Em 2022, a construção do BRT foi licitada pela Sinfra-MT. O consórcio Construtor BRT foi contratado para executar todo o empreendimento, incluindo a implantação dos dois corredores, construções de estações e terminais, por um valor de R$ 468 mi.
No entanto, a não execução das obras dentro dos prazos estabelecidos levou à rescisão do contrato no início de 2025. Com a rescisão, ficou estabelecido que novas empresas seriam contratadas para finalizar as obras, divididas em lotes. Desde então, os trabalhos seguem ao longo o ramal 1. Não há previsão para início dos serviços no corredor 2, entre o Centro de Cuiabá e a Avenida Fernando Corrêa da Costa.
Fonte: www.diariodecuiaba.com.br