Abel defende jovem da base e critica CBF após vitória do Palmeiras: “Jogo nunca poderia ter existido”

Abel defende jovem da base e critica CBF após vitória do Palmeiras: “Jogo nunca poderia ter existido”
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Por Thais Bueno Cirino
O técnico Abel Ferreira não poupou críticas à CBF após a vitória do Palmeiras por 1 a 0 sobre a Chapecoense na tarde deste domingo, no Allianz Parque, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O português está na bronca com a entidade desde a semana passada, quando soube que disputaria a última rodada antes da pausa para a Copa do Mundo sem oito de seus principais titulares devido às convocações para o Mundial.

“Se a CBF quisesse realmente cuidar daquilo que são os interesses do futebol brasileiro, esse jogo não poderia ter existido. Foi o único país no mundo que autorizou que jogássemos sem nossos oito jogadores convocados. Em condições normais, esse jogo nunca poderia ter existido. Já falei isso na coletiva anterior. Estava vendo o Toluca contra o Tigres, e os jogadores convocados estavam jogando, foram dispensados depois. Tenho certeza que a CBF e os clubes querem o melhor para o futebol brasileiro, mas não consegui encontrar nenhuma única razão. A CBF, o Fluminense e o Flamengo adiaram um jogo de um dia para o outro. Por que não se adiou essa rodada, pelo menos das equipes que têm convocados? É só isso que quero saber a resposta. Os constrangimentos para essa partida começaram cedo. Algo errado não está certo”, criticou Abel.

Abel Ferreira não pôde contar com 11 de seus principais jogadores para a partida contra a Chapecoense, entre convocados, suspensos e lesionados. O técnico não teve Piquerez e Emiliano Martínez (Uruguai), Mauricio, Gustavo Gómez e Sosa (Paraguai), Jhon Arias (Colômbia), Flaco López (Argentina), Giay, Andreas Pereira e Carlos Miguel (suspensos), além de Vitor Roque (cirurgia no tornozelo esquerdo).

“Posto isso, vocês sabiam que o Palmeiras iria jogar sem 11 jogadores. Com uma equipe competitiva, mas com jogadores que estão ainda pouco acostumados ao peso da camisa do clube. E os moleques da base, como o Luighi, têm que entender que vão ser amassados, como já fizeram várias vezes com o treinador, com o Veiga e outros jogadores. Precisamos ter paciência. Se ele joga, é porque acreditamos neles. É porque têm valor. Só que infelizmente temos pouca paciência, mas felizmente o apoio do nosso público nos ajudou a vencer. Claro que ia ajudar muito mais se, nos momentos que os jogadores falham, nós incentivássemos o tempo todo, seria menos difícil”, apontou o português.

O treinador palmeirense ainda aproveitou para avaliar as diversas polêmicas de arbirtagem ao longo da partida. A primeira delas aconteceu ainda no primeiro tempo, quando Allan foi expulso aos 42 minutos por um pisão no pé de Giovanni Augusto. Abel ainda reclamou do tempo acrescido na segunda etapa, o que levou ao caos na reta final. A arbitragem assinalou seis de acréscimos. A Chape chegou a deixar tudo igual, mas teve um gol anulado após o juiz identificar uma falta de Neto Pessoa em Murilo.

“O cartão vermelho do Allan, vocês viram o vermelho que levou o Pedro Rocha pela entrada no Vitão? Ele acerta não um pisão, na canela, é um vermelho e está correto. Hoje, qualquer que fosse, amarelo ou vermelho, eu ia aceitar. O árbitro vem correndo para dar amarelo e tenho certeza que alguém apitou no ouvido: ‘É vermelho’. E ele pega e dá o vermelho. O árbitro não teve dúvida nenhuma. Sabia que era um dos nossos melhores jogadores, estava 0 a 0. A segunda: seis minutos de acréscimos? Mas o jogo não foi contra o Boca Juniors. Sabe quanto deu aquela pouca vergonha? Cinco. Seis minutos, por que? Terceiro: Há um empurrão no Murilo. Aliás, o VAR nem deveria ter invertido se ele tivesse marcado falta”, avaliou.

Já nos apagar das luzes, o VAR ainda chamou o árbitro Felipe Fernandes de Lima para checar um possível pênalti para a Chapecoense. Khellven acertou um chute em Neto Pessoa ao tentar afastar a bola e o juiz assinalou a penalidade, desperdiçada por Bolasie, que acertou o travessão. Abel crê que o pênalti foi bem marcado, mas não gostou da decisão de expulsar Allan.

“E o último, é pênalti. Pênalti clarinho. A falta é clara, não sei se dentro ou fora. O árbitro acertou umas, errou outras. O Allan foi penalizado demais, vinha para dar amarelo e deu vermelho. Segundo: seis minutos de acréscimos, não entendi. Terceiro, a falta no Murilo, é empurrão. O pênalti no fim, é preciso ter coragem para marcar, e ele marcou. O VAR viu, ele viu, é pênalti. Também tivemos um bocadinho de sorte. Ao contrário do que não tivemos contra o Remo, porque fizemos um gol e deveríamos estar com mais dois pontos. Acho que o árbitro teve boas ações e outras menos boas, como qualquer árbitro em uma partida de futebol”, completou o treinador.

Abel minimiza vaias a Luighi

Cria da Academia, Luighi teve oportunidade como titular do Palmeiras na vitória por 1 a 0, mas foi substituído ainda no início da etapa final e ouviu algumas vaias da torcida alviverde no Allianz Parque. Abel saiu em defesa do garoto, mas minimizou a situação e chegou a compará-lo com Flaco López, que também passou por momentos de dificulade antes de deslanchar no Verdão.

“Esquecem como ganhamos contra o Internacional, ou contra o Red Bull Bragantino? É normal. Sabem quantos jogadores jovens estavam a jogar hoje, da base? Escrevam essas narrativas. Não são narrativas inventadas, compradas, para agradar o clube A, B ou C. São fatos. Tinham 12, e alguns que treinaram conosco essa semana pela primeira vez. Eu entendo. Há uma coisa que tenho muito: paciência. O que estão a fazer agora com Luighi, ou com Khellven, farão na internet. Peço que não leiam, estão de férias, aproveitem. Façam o que não os deixo fazer durante o ano. Durante o ano, temos que ter renúncias. Trabalhar dia, tarde e noite”, afirmou o comandante.

“O Luighi é igual ao López, mas parece que só três tiveram paciência com o Flaco. Presidente, Barros e o treinador. Sabem quantas vezes o vaiaram? Os jogadores têm que entender isso. Quando não jogarem bem, vão ser vaiados, e faz parte. E o Luighi tem que entender esse processo também. Por um lado, faz parte do processo. Tem que continuar, aguentar as críticas, a cobrança, porque aconteceu isso com outros e deram a volta por cima. Ele tem as mesmas condições”, finalizou.

Agora, o Palmeiras de Abel Ferreira irá tirar férias e só voltará a campo após a parada no calendário para a disputa da Copa do Mundo. O Verdão retorna aos gramados na semana do próximo dia 20 de julho para visitar o Coritiba, no Paraná.

Situação na tabela

Com o resultado, o Palmeiras alcançou os 41 pontos e manteve a vantagem de sete pontos sobre o rival Flamengo, que também venceu na rodada. O Alviverde ainda somou sua terceira vitória consecutiva entre todas as competições, além de ter ampliado a invencibilidade no Brasileiro para 13 jogos.

Próximos jogos do Palmeiras

Coritiba x Palmeiras (19ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: a definir
Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba (PR)

Palmeiras x Atlético-MG (20ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: a definir
Local: Nubank Parque, em São Paulo (SP)

Gazeta Esportiva foto: Cesar Greco/Palmeiras


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