A pele não entende paisagem. Para ela, sol forte é sol forte, esteja você de frente para o mar ou cercado por montanhas cobertas de neve. Como dermatologista, vejo muitos pacientes associarem risco apenas ao verão e à praia, mas a verdade é que tanto o calor intenso quanto o frio extremo, especialmente em ambientes de alta reflexão de luz, podem desencadear problemas sérios como melasma e queimaduras na pele.
O melasma, em especial, é uma condição silenciosa e traiçoeira. Ele surge a partir de estímulos que ativam excessivamente os melanócitos, as células responsáveis pela produção de pigmento. Radiação solar, luz visível, calor e até inflamações leves na pele podem ser gatilhos. Na praia, a exposição direta ao sol, somada ao reflexo da água e da areia, cria um ambiente perfeito para o surgimento ou agravamento das manchas. Já na neve, o risco costuma ser subestimado. A superfície branca reflete até 80% da radiação ultravioleta, e o frio intenso leva muitas pessoas a relaxarem no uso do protetor solar, o que favorece tanto queimaduras quanto o aparecimento de manchas persistentes.
As queimaduras solares não escolhem estação. Elas são uma resposta inflamatória da pele à radiação excessiva e podem ocorrer mesmo em dias nublados ou frios. Bolhas e descamação, além de vermelhidão, ardor e sensibilidade, são sinais de alerta. Para além do desconforto imediato, cada queimadura deixa uma memória na pele, aumentando o risco de envelhecimento precoce, manchas e câncer de pele ao longo da vida.
A prevenção começa antes da viagem, e isso faz toda a diferença. Preparar a pele significa reforçar a barreira cutânea, manter uma rotina consistente de hidratação e usar antioxidantes tópicos, como a vitamina C, que ajudam a neutralizar os danos causados pela radiação. O protetor solar deve ser escolhido com critério, preferencialmente com alto fator de proteção, amplo espectro e reaplicado corretamente, mesmo no frio ou em atividades ao ar livre na neve. Chapéus, óculos escuros, roupas com proteção UV e evitar os horários de radiação mais intensa continuam sendo aliados indispensáveis, independentemente do destino.
Quando, apesar de todos os cuidados, a queimadura acontece, o primeiro passo é interromper imediatamente a exposição. Compressas frias, produtos calmantes com ativos como pantenol, aloe vera ou água termal ajudam a aliviar o desconforto e reduzir a inflamação. Também é fundamental aumentar a hidratação, tanto oral quanto da pele, já que a água participa diretamente dos processos de reparação cutânea. Em casos mais intensos, a avaliação médica é indispensável para evitar complicações e orientar o tratamento adequado. Já diante do surgimento ou piora do melasma, insistir em soluções caseiras costuma agravar o quadro. O ideal é buscar orientação especializada para controlar a inflamação, proteger a pele e tratar as manchas de forma segura e progressiva.
Cuidar da pele é um exercício de constância e respeito aos limites do corpo. A paisagem pode mudar, mas a responsabilidade com a saúde da pele permanece a mesma. Seja sob o sol escaldante da praia ou o brilho intenso da neve, proteger-se é um gesto de autocuidado que reflete não só na aparência, mas na saúde e no bem-estar ao longo dos anos.
Fonte: Jormal Noticia Max