Custo de coparticipação já fez 60% dos empregados evitarem usar plano

Custo de coparticipação já fez 60% dos empregados evitarem usar plano
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Quase seis em cada dez trabalhadores já deixaram de usar o plano de saúde por causa dos custos de coparticipação. O dado está numa pesquisa internacional que avaliou os planos oferecidos pelas empresas aos colaboradores.
Outro entrave apontado pelos empregados é a dificuldade na autorização de determinados procedimentos e consultas.

A pesquisa, feita pela Seguradora Howden em 13 países, mostra que, entre os trabalhadores que tentaram agendar uma consulta médica, aqueles que têm acesso ao sistema particular de saúde têm mais chances de conseguir atendimento em até uma semana.

Para Cláudia Machado, vice-presidente de Benefícios Corporativos da Howden-BR, esses dados mostram a importância das empresas oferecerem esse benefício aos funcionários.

“Existem regiões no Brasil que o SUS funciona muito melhor até, né, do que as assistências privadas. O que acontece é que muitas vezes não é suficiente. Então, especialmente no mundo corporativo, os funcionários das empresas esperam que seus empregadores ofereçam uma assistência suplementar à saúde. Mais acesso, mais rapidez, acesso a eventuais tecnologias que chegam primeiro na iniciativa privada algumas vezes. Essa é a principal necessidade, a principal referência”.

A coparticipação é o valor que o usuário do plano de saúde paga para ter acesso a uma consulta, exame ou procedimento. É uma parte desse custo.

Um dos objetivos é evitar que o plano seja acionado sem necessidade. Porém, esse pagamento extra, às vezes, afasta as pessoas do atendimento em saúde.

Prejuízos para empresas e trabalhadores

A pesquisa mostrou que quase 60% dos usuários de planos no Brasil deixaram, ao menos uma vez, de procurar atendimento para evitar o gasto com a coparticipação. O que pode afastar as pessoas da prevenção ou da identificação precoce de doenças, situação que acaba gerando prejuízos para as famílias e as empresas em razão dos afastamentos.

“E se você não está cuidando da sua saúde física, se alguém da sua família não está cuidando da sua saúde física, a gente não produz igual. Então, para as empresas, as consequências são gigantes. Para não dizer do próprio paciente, que vai, depois, ter que fazer um tratamento muitas vezes mais caro, mais dispendioso em termos de tempo e dinheiro”, alerta Cláudia Machado.

Juliana Inhasz Kessler, professora de Economia do Insper, fala sobre os desafios de uniformizar valores de coparticipação.

“É muito difícil que a gente consiga criar uma grande tabela ou uma grande referência nacional para esse tipo de procedimento. Porque cada seguradora, cada prestadora de serviços vai ter um determinado perfil de cliente, uma determinada demanda, determinado perfil de produto e serviço que está sendo oferecido. Então isso, claro, vai ter que ser polarizado para cada situação. Mas a limitação em si é positiva para evitar grandes distorções”.

Repórter  Brasil


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