País consegue estocar apenas 61,7% da colheita; em Mato Grosso, capacidade cobre pouco mais da metade da produção, elevando fretes e riscos de perda
O gargalo logístico no agronegócio brasileiro atingiu um novo patamar de alerta em 2026. Segundo dados da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), o déficit de armazenagem de grãos no país saltou para 134,1 milhões de toneladas. Enquanto a produção agrícola bate recordes sucessivos, a estrutura para guardar os grãos não acompanha o mesmo ritmo, cobrindo hoje apenas 61,7% do total colhido — uma queda drástica comparada aos 92,9% registrados em 2005.
Esse desequilíbrio gera uma pressão imediata sobre o escoamento. Sem silos suficientes, o produtor é obrigado a retirar a soja do campo e colocá-la diretamente em caminhões, transformando o transporte rodoviário em um “armazém improvisado”. O resultado é uma explosão nos custos: em picos de colheita, o valor do frete chega a subir 60% em poucos dias devido à alta demanda concentrada.
Retrato das Regiões: Mato Grosso e Matopiba sob pressão
O problema é ainda mais agudo nas regiões onde a fronteira agrícola avançou aceleradamente nos últimos anos, sem o suporte de infraestrutura correspondente:
- Matopiba (MA, TO, PI e BA): Possui a situação mais crítica, com capacidade para armazenar apenas 44,1% da produção.
- Mato Grosso: O maior produtor nacional consegue estocar 50,5% do que colhe, deixando quase metade da safra dependente de venda e embarque imediatos.
O Silo Bag como “Respiro” Temporário
Para mitigar o prejuízo, muitos agricultores têm recorrido ao silo bag (túneis plásticos de armazenagem). Embora seja uma solução rápida e de menor custo inicial, a técnica exige cuidados:
- Sensibilidade: Funciona bem para o milho, mas a soja é mais sensível a fungos e perda de qualidade se a umidade não for controlada.
- Manejo: O uso inadequado ou a reutilização do material plástico aumenta os riscos de avarias e descontos comerciais na hora da venda.
Armazenagem na Fazenda: Brasil vs. Estados Unidos
Um dos pontos centrais do debate é a baixa presença de silos dentro das propriedades rurais brasileiras. Enquanto nos Estados Unidos 54% da capacidade de armazenagem está nas mãos dos produtores, no Brasil esse índice estagnou em 17%. Linhas de crédito com juros altos e a complexidade da gestão dessas estruturas são os principais entraves para o médio produtor.
A falta de autonomia para estocar impede que o agricultor escolha o melhor momento de mercado para vender sua safra, forçando a comercialização em períodos de preços baixos e custos logísticos elevados.
Fonte: cenariomt.com.br