Dia de São Sebastião: santo é padroeiro de 11 cidades

Dia de São Sebastião: santo é padroeiro de 11 cidades
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Celebrações acontecem no catolicismo e nas religiões afro-brasileiras.
Cristiane Ribeiro Rádio Nacional foto: Tânia Rêgo

Padroeiro de 11 cidades no Brasil, incluindo Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Brumadinho e Capitólio, São Sebastião é celebrado em 20 de Janeiro com missas e procissões. Além da tradição católica, o santo ocupa um lugar especial em religiões como candomblé e umbanda, por meio do sincretismo religioso como Oxóssi. O orixá da caça, das florestas e do conhecimento é reverenciado com festa nos terreiros.

A ligação entre São Sebastião e Oxóssi se dá por símbolos e valores comuns. São Sebastião é tradicionalmente representado com flechas cravadas no corpo, forma como foi morto, um instrumento que também remete a Oxóssi, o grande caçador, sempre retratado com arco e flecha. Ambos representam proteção, sobrevivência e luta. Porém, enquanto São Sebastião é visto como defensor contra doenças e perseguições, Oxóssi garante o sustento, a fartura e o equilíbrio com a natureza.

O pesquisador e professor de Teologia da PUC Rio, Cláudio Jacinto, explica que, de forma geral, o sincretismo é um fenômeno histórico que marcou a formação religiosa no Brasil. Segundo ele, a prática surgiu como uma forma dos povos africanos sequestrados e escravizados na América cultuarem suas divindades, fazendo associação aos santos católicos para não serem perseguidos.

“Então, na associação sincrética, se levou em consideração não apenas o seu empenho de proteção, como também a questão das flechas. Oxóssi, para a cosmologia iorubá, ele é o orixá das matas, da caça e da proteção da vida. Então, se faz a referência de Sebastião com Oxóssi para que os povos escravizados aqui presentes no Brasil pudessem continuar, indiretamente, a celebrar seus orixás, mesmo que de maneira proibida, ao meio da imagem de São Sebastião.”

Já o babalorixá Wilker Leite Filho, enfatiza que os escravizados encontraram no sincretismo o jeito de cultuar a energia dos orixás sem agredir aqueles que comandavam o catolicismo no Brasil. E assim se deu também com São Jorge, ou com São Jerônimo, Xangô, Nossa Senhora da Conceição, Oxum, Santa Bárbara, Iansã e outros.

“A Umbanda, como é uma religião que abraça todas as outras, o santo da Igreja Católica acaba ficando muito forte dentro da Umbanda. Tanto que nós temos esses pontos cantados que falam de São Sebastião como um santo aliado a essa energia, a protetor dos caboclos, mas tudo isso vem em cima de um sincretismo, e que na Umbanda usa com muita força, com muita propriedade.”

Na cidade do Rio de Janeiro, milhares de fiéis aproveitam o feriado para renovar sua fé,  seja na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no centro da capital, ou nas muitas paróquias em outros bairros. Em Bangu, na Zona Oeste, as missas são realizadas do lado de fora da igreja e acompanhadas por uma multidão. O ponto alto é a procissão, com os fiéis vestidos com roupas vermelhas, acompanhando pelas ruas a imagem do padroeiro. Muitos agradecem por graças alcançadas, como a estudante Lorena, que começou a participar da procissão com a tia por uma promessa feita.

“Quando eu era bebê, eu tinha bronquite. No meu batizado eu fiquei sem respirar. E aí ela fez a promessa e, se não me engano, eu tinha que ir junto com ela durante sete anos na procissão para pagar a promessa. Porque realmente eu fiquei curada, não tenho bronquite mais. Só que aí eu passei a vida toda, eu vou desde sempre.”

Ainda no Rio de Janeiro, no dia 20 acontece a tradicional corrida de São Sebastião no Aterro do Flamengo. O evento que está completando 35 anos em 2026 faz parte do calendário oficial da cidade.


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