Em torno do ano de 700 antes de Cristo, o Profeta Isaias assim disse, vaticinou, profetizou sobre o esperado Messias “ Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deus; o governo está sobre seus ombros e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da Eternidade e PRÍNCIPE DA PAZ”.
Sete séculos depois no Evangelho de São João 1:14 é dito que “ O verbo se fez carne e habitou entre nós”, indicando que Jesus havia encarnado como um ser humano, cumprindo o que havia falado os profetas sobre o plano da Deus para a salvação da humanidade.
Ao longo de sua vida terrena, Jesus encarnou-se na figura do pobre, do sofredor, do excluido, a começar que ao nascer não havia lugar para ele nas hospedarias e nem um lugar digno de acolher um ser humana, seu lar de nascimento foi uma manjedoura, ou seja, um cocho onde os animais comem, este foi seu berço, ao lado de animais não humanos, na figura de uma família de migrantes, sempre rejeitados como ainda hoje acontece em inúmeros países com os pobres e os migrantes.
Durate suas pouco mais de tres décadas de vida terrena, (esta era a expectativa de vida ao nascer naquela época) Jesus experimentou de início, ainda criança recém nascida, a opressão, a perseguição de governantes autoritários e, juntamente com seus pais (Maria e José) teve que fugir para outro país, com milhares e milhares de migrantes ainda hoje fazem para fugir das atrocidades de governantes totalitários e autoritários, como bem conhecemos.
Os relatos bíblicos demonstram que após uma infância junto aos pais, Jesus iniciou seu magisterio, questionando os sábios e líderes religiosos, quebrando paradígmas estabelecidos, condoendo-se dos e com os pobres, os doentes, os que sofriam e passavam fome, os endemoniados (doentes mentais e espirituais) e, mesmo que não questionasse as estrururas terrenas de uma forma direta, seus ensinamentos, suas ações e exortações não agradavam nem aos sacerdotes, os doutores da Lei, os donos das estruturas eclesiásticas (as atuais Igrejas) e nem aos poderosos da época.
Para muitos era considerado um louco, para outros um visuonário e para outros, uma minoria, era o filho de Deus, ou a encarnação de algum profeta; mas nada disso mudava a trajetória de Jesus, para “que se cumprissem (as escrituras) os desígnios de Deus”, o “Plano de Deus”, pois a libertação da humanidade estava sobre seus ombros, sua caminhada até a Cruz e, depois a sua gloriosa ressurreição.
Cumprindo todos esses desígnios, Jesus foi traido, entregue aos seus carrascos e teve uma morte cruel, foi crucificado e torturado entre dois ladrões, tendo sido trocado por um suposto agitador político (Barrabás), a quem a multidão pedia para não ser condenado.
Esta msma multidao gritava, ante a pergunta do donos do poder que Barrabás deveria ser libertado e Cristo crucificado.
E assim foi feito, Jesus passou pelo calvário da cruz, por tortura pública, ante o olhar compadecido de seus seguidores, conforme estava previsto e durante tres dias “desceu `a mansão dos mortos”, mas no terceiro dia ressuscitou sem que ninguém se desse conta deste grande milagre, impossível para a crença da época.
Depois de ressucitar apareceu primeiro para Maria Madelena e outros seguidores e, também para dois de seus discípulos que “desciam” de Jerusalém para Cafarnaun, e caminhou com eles durante um pouco do trajeto, mas eles não o reconheceram, como hoje ainda tanta gente não o reconhece, principalmente na figura dos pobres, excluidos, injustiçados, famintos, sempre figuras invisíveis em nossas sociedades, as vezes postados, deitados em praças públicas ou até mesmo nas portas de nossas Igrejas e templos suntuosos.
Logo depois, quando alguns de seus discípulos estavam reunidos, com medo, sem rumo e dialogando sobre os acontecimentos, como geralment4e ainda hoje fazemos quando vamos a algum velorio e sepultamento de algum parente ou conhecido, querendo saber os porquês da morte, também os discipulos se questionavam sobre tudo aquilo e o futuro deles.
Sem ter marcado encontro, eis que Jesus, ressuscitado, aparece no recinto e fala com eles, sendo suas primeiras palavras `aquele grupo “A PAZ SEJA CONVOSCO”, a mesma mensagem mencionada pelo Profeta Isaias, ou seja, a paz fazia parte da trajetoria de Jesus, muito antes de seu nascimento e deveria perdurar mesmo após sua morte e ressureição.
A Ressureição é o ponto focal e central da fé cristã, por isso é um ícone tanto de nossa espiritualidade (libertadora) quando de nossas ações evangelizadoras.
Neste sentido o Apóstolo São Paulo, em sua primeira Carta aos Corintios 15:14, afirma textualmente “Se ele (Jesus) não ressuscitou, é vã a vossa fé”, sendo, por isso o alicerce central do cristianismo, incluido o perdão de nossos pecados e a nossa libertação da própria morte.
O Apóstolo Tiago em sua Carta `as Doze Tribos que andavam dispersas, insistia no capitulo 2:14 que “A fé sem obras é morta”, ressaltando que a verdadeira fé cristã não é apenas intelectual e subjetiva, mas que deve manifestar-se em ações individuais e coletivas de amor, fraternidade, solidariedade, bondade, amor, justica, principalmente a justiça social e na não aceitação de qualquer forma de violência, daí a importância de uma cultura da Paz a ser exercitada e difundida amplamente.
Neste domingo 05 de Abril celebramos, no calendário religioso cristão, tanto de católicos quanto de evangélicos este grande marco de nossa fé cristã e, por coincidência, já que o calendário religioso é móvel e neste ano o Domingo da Ressurreição acontece no mesmo DIA INTERNACIONAL DA CONSCIÊNCIA sobre a importância de uma Cultura da Paz, como forma de construirmos um mundo sem guerras, sem conflitos armados, sem todas as formas de violência, seja violência doméstica, o feminicídio, os estupros, o racismo, os preconceitos, as formas discriminatórias contra pessoas diferentes, violência contra crianças, adolescentes e pessoas idosas.
A Ressurreição de Jesus é que nos garante a salvação e a nossa própria ressureição, nos obriga também, como cristãos a balizarmos nossa vida terrena nos preceitos, ensinamentos e exortações que o magistério de Cristo nos é dado como exemplo, quando ele nos diz “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”, um amor incondicional que só é possivel quando temos na justiça, na justiça social, na solidariedade, na fraternidade, enfim, em nossas boas obras, os nossos princípios fundamentais de uma fé libertadora e transformadora das estruturas injustas e opressoras.
Aí é que entra a questão da Cultura da Paz que não é uma tarefa apenas dos poderes públicos constituidos, mas sim, uma pauta a moldar comportamentos, atitudes e ações desde a mais tenra idade ate o final de nossas trajetorias aqui neste planeta.
Desde as primeiras comunidades cristãs que praticavam a economia solidária enquanto cultivavam os princípios da fé cristã até os dias atuais, o mandamento é o mesmo que Jesus bem antes de sua morte e ressurreição exortava seus seguidores de então e também seus seguidores de hoje.
O DIA INTERNACIONAL DA CONSCIÊNCIA SOBRE A CULTURA DA PAZ, a ser clebrada em todos os países, anualmente em 05 de Abril, foi aprovado pela Assembléia Geral da ONU em 25 de Julho de 2019 e surgiu em decorrência das deliberações do Congresso Internacional da UNESCO em 1989 na Costa do Marfim, na Carta de Marfim, tendo como tema “A paz na mente dos homens/humanidade”.
Antes mesmo deste Congresso, o Papa João XXIII, o mesmo que convovou o Concílio Vaticano II, publicou a Encíclica Pacem in Terris, em 1963, exortando tanto católicos quanto cristãos em geral, evangélicos, ortodóxicos e fiéis de outras religiões a terem os princípos fundamentais da paz como uma bandeira s ser seguida, tanto nas ações individuais quanto nas ações coletivas privadas ou públicas, inclusive pelas Igrejas em geral e as cristãs em particular.
Desde então todas as Igrejas, através do Diálogo Inter-religioso tem promovido campanhadas e ações públicas, além de orações, preces tendo a não violência como mecanismo básico para a resolução de todos os conflitos, inclusive as guerras e os conflitos armados e outras formas de conflitos.
O Diálogo, a busca de consensos em lugar da violência, da prepotência deve ser o caminho a ser seguido pelos países, pelas Igrejas, pelas instituições públicas e privadas para a construção de um mundo que faça jús aos ensinamentos do Cristo Ressuscitado, creio que esta é a mensagem central que deveriamos difundir quando celebramos a Ressurreiçãao do Cristo que foi Crucificado mas venceu a morte, ante tanta violência e tortura!
Isto é a base de uma Cultura de paz que precisamos implementar cada vez mais em nossas relações e como parte das políticas públicas e também de nossas práticas religiosas, independente de nossas diferentes crenças!
O Cristo Ressuscitado que celebramos neste domingo, 05 de Abril de 2026, é o mesmo PRINCIPE DA PAZ mencionado pelo Profeta Isaias há mais de 2.700 anos.
Uma pergunta que não podemos deixar sem resposta, como o Cristo Ressuscitado reagiria e nós, Cristãos, ou seguidores de outras religiões reagimos diante das atrocidades de tantas guerras indefensáveis, que ao longo da história tem promovido a morte, sofrimento e destruição material e mortes de centenas de milhões de pessoas, a imensa maioria civis inocentes , como está acontecendo no Oriente Médio, na Europa, na Ucrânia, na África e tantas mortes/assassinatos e outras formas cruéis de violência em nosso país e ao redor do mundo?