Dois casos suspeitos de ebola no Brasil tiveram diagnósticos, ainda inconclusivos, para meningite e malária neste sábado (30/05). Os pacientes são homens que passaram recentemente pela República Democrática do Congo (RDC) e por Uganda, os únicos países com casos de ebola. Os casos seguem sob investigação.
Um dos pacientes está em São Paulo. Ele tem 37 anos e é natural da RDC, país no centro da África que enfrenta um surto da doença. Ele esteve recentemente no país e apresenta sintomas da doença, como febre intensa. Um exame preliminar indicou meningite, mas o exame específico para ebola deve ser concluído nesta segunda (1º/06)
No Rio de Janeiro, o caso de um viajante belga que estava em Uganda e apresentou sintomas compatíveis com a doença está sendo investigado pela Secretaria Municipal de Saúde, pela Secretaria de Estado de Saúde e pelo Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz. Ele foi diagnosticado com malária, mas seguirá isolado até sair o resultado do teste para o ebola.
Protocolo
A Secretaria de Saúde do estado de São Paulo informou que foram adotadas as medidas previstas no Plano de Contingência Nacional, incluindo isolamento do paciente e início da investigação epidemiológica e laboratorial.
De acordo com nota do Ministério da Saúde, antes de ser transferido para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade estadual de referência para atendimento de casos suspeitos ou confirmados, o paciente foi atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Ele chegou em estado grave à unidade de referência, com diarreia, desorientação e rápida piora clínica, sendo necessária intubação.
A coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, Regiane de Paula ressalta que é um caso em investigação, e que os protocolos de biossegurança previstos em casos assim estão sendo seguidos.
“As medidas previstas foram adotadas a partir da identificação dos critérios clínicos e epidemiológicos. O procedimento inclui isolamento, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento conforme os protocolos vigentes”.
O paciente no Rio de Janeiro foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), de acordo com o protoloco para esses casos, e ficará isolado até que seja descartada definitivamente a possibilidade de infecção pelo vírus
Risco baixo no Brasil
Em nota, a secretária de saúde de São Paulo afirmou que avalia o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul como muito baixo. O país nunca teve um caso registrado da doença.
“Entre os fatores considerados estão a ausência histórica de transmissão autóctone no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre a região afetada e a América do Sul e a forma de transmissão da doença, que exige contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas sintomáticas infectadas.”
A transmissão do vírus do ebola se dá somente após o início dos sintomas, que incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal.
Em quadros graves, pode evoluir para manifestações hemorrágicas, choque e falência múltipla de órgãos. O período de incubação varia de dois a 21 dias. A transmissão ocorre por meio de fluidos corporais.
Ainda não há vacinas licenciadas nem terapias específicas aprovadas para a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual. As vacinas e tratamentos disponíveis foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não têm eficácia comprovada para essa variante.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que mantém monitoramento contínuo do cenário epidemiológico internacional e reforça a orientação aos serviços de saúde de todo o país para identificação precoce e manejo adequado de casos suspeitos.
Fonte: www.dw.com.br