Do “perdi meu amor na balada” ao “para o homem que eu vi na igreja”

Do “perdi meu amor na balada” ao “para o homem que eu vi na igreja”
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Recentemente viralizou um vídeo de uma jovem à procura do crush da igreja. E isto me lembrou um dos primeiros virais da internet. O ano era 2012 e a Nokia, muito famosa na época com vários modelos de celulares “tijolão” lançados, divulgou um vídeo que viralizou na internet, antes mesmo da propaganda na TV.

A campanha da Nokia sobre “perdi meu amor na balada” foi uma ação de marketing viral que gerou polêmica em 2012. A campanha consistia em três vídeos que foram divulgados na internet, mostrando um jovem chamado Daniel Alcântara que pedia ajuda para encontrar Fernanda, uma garota que ele teria conhecido em uma balada em São Paulo. Os dois primeiros vídeos não revelavam que se tratava de uma propaganda, e muitas pessoas se comoveram com a história e compartilharam nas redes sociais. O terceiro vídeo, porém, mostrava que tudo era uma estratégia para promover o celular Nokia Pure View 808, que teria capturado imagens da noite em que Daniel e Fernanda se conheceram.

A campanha viral da Nokia foi alvo de críticas e reclamações de consumidores, que se sentiram enganados e manipulados pela marca. A Nokia foi acionada pelo Procon-SP e pelo Conar, órgãos que fiscalizam o respeito aos direitos dos consumidores e às normas de publicidade. A Nokia teve que prestar esclarecimentos e se defender das acusações de que teria violado o código de defesa do consumidor e o código de autorregulamentação publicitária, que exigem que toda propaganda seja identificada como tal e não abuse da confiança, da credulidade ou da falta de experiência do público. A Nokia alegou que a campanha era uma técnica legítima de marketing viral, que os dois primeiros vídeos eram apenas teasers do terceiro, que estava claramente identificado como publicidade, e que não houve prejuízo aos consumidores. A Nokia venceu o processo no Conar, que arquivou o caso por unanimidade de votos, mas ainda não se sabe o resultado da investigação do Procon-SP, que poderia aplicar uma multa de até 6,5 milhões de reais à empresa.

Um comparativo entre a campanha da Nokia sobre “perdi meu amor na balada” e a história da mulher que gravou um vídeo de um homem na igreja é o seguinte:

– Ambas as histórias envolvem o uso de uma rede social, para divulgar imagens de pessoas desconhecidas que chamaram a atenção dos autores dos vídeos.

– A campanha da Nokia foi uma ação de marketing planejada e intencional, que visava promover um produto da marca, usando uma técnica de marketing viral, que consiste em criar um conteúdo que gere curiosidade, emoção e compartilhamento nas redes sociais.

– A história da mulher que gravou um vídeo de um homem na igreja foi uma situação espontânea e casual, que não tinha nenhum objetivo comercial ou publicitário, mas apenas expressar uma admiração por alguém que ela viu durante uma missa em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

João Alves

Chief Marketing Officer


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