Equipes de resgate correm contra o tempo na Venezuela

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Chances de encontrar sobreviventes estão diminuindo após uma semana dos devastadores terremotos no país

Equipes de resgate estão realizando operações de busca por sobreviventes em La Guaira

Milhares de socorristas de todo o mundo correm contra o tempo nesta quarta-feira (01/07) para localizar sobreviventes dos terremotos de uma semana atrás na Venezuela, que deixaram cerca de 2 mil mortos, enquanto médicos e enfermeiros atendem, em situação precária, milhares de feridos.

Entre os resgates das últimas horas está o de uma criança de 3 anos que foi encontrada após permanecer quase seis dias presa nos escombros de um prédio no estado de La Guaira, perto de Caracas, o mais devastado pelos tremores, segundo o governo. Na segunda-feira, outra criança havia sido retirada com vida dos escombros de um edifício também em La Guaira.

Nessa região costeira, um grupo de resgate já tentava havia mais de 30 horas, na noite de terça-feira, retirar Hernán Gil, um venezuelano que está sob os escombros de um prédio na localidade de Catia La Mar. Ele se mantém vivo e vem recebendo hidratação desde que foi localizado, no domingo.

O resgate dele se complicou por ele estar na guarita do subsolo do edifício onde trabalhava como vigilante.

A importância do silêncio

Nessas horas decisivas, o silêncio se torna muito importante, e os pedidos para não fazer qualquer tipo de ruído se espalharam por diversas localidades de La Guaira, na esperança de que algum som indique vida entre as ruínas.

Voluntários e paramédicos permanecem imóveis enquanto equipes de resgate realizam testes de som em busca de sobreviventes em La Guaira

Nesta terça-feira, mais de cem pessoas permaneceram em silêncio na rua ao lado do que antes era o conjunto habitacional público Hugo Chávez, conhecido popularmente como Los Cocos, em Catia de la Mar.

Durante 10 minutos, interrompidos apenas pelo toque ocasional de um celular ou pelo grito de um socorrista, as pessoas aguçaram a audição em busca de qualquer sinal de sobreviventes entre os escombros de seis das oito torres que desabaram, que formavam o complexo habitacional Hugo Chávez.

Então, um aviso soou, e o barulho de ferramentas e vozes retornou, enquanto a árdua busca recomeçava. Os socorristas em Los Cocos ainda esperam encontrar sobreviventes no que antes era o térreo, mas também procuram os mortos.

Chances cada vez menores

Entre as ruínas das áreas devastadas, os familiares mantêm a esperança, mas médicos, socorristas e militares venezuelanos afirmam que as chances são cada vez menores.

O militar espanhol Alberto Vázquez, que faz parte de uma equipe da Unidade Militar de Emergências (UME) que está na Venezuela desde o dia 26, declarou à agência de notícias Efe que, após 72 horas, diminuem as probabilidades de se encontrar pessoas com vida, mas ainda se continua encontrando gente, por isso “é preciso continuar”.

O presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, afirmou que 6.461 pessoas foram resgatadas e que, nos primeiros momentos da emergência, entre 13.400 e 13.500 pessoas conseguiram sair por conta própria ou com ajuda de familiares.

Mais de 3.300 resgatistas enviados por 27 países, sob coordenação das Nações Unidas, estão na Venezuela para apoiar as operações de localização de sobreviventes sob os escombros, anunciou a presidente interina, Delcy Rodríguez

Cansaço no pessoal de saúde

Enquanto isso, nos hospitais de Caracas, é atendida a maioria dos 10.571 feridos. “Recebemos pacientes em condições muito graves. Tão graves que muitos acabaram sofrendo alguma amputação. Pelo menos 60% estão amputados. Temos ao menos 30 pacientes crianças desde quarta-feira”, afirmou um pediatra do Hospital Miguel Pérez Carreño.

O médico destacou o cansaço do pessoal de saúde nos hospitais públicos e afirmou que tem trabalhado 16 horas por dia desde o início da emergência causada pelos terremotos.

A equipe de enfermagem também aumentou seus turnos para até 24 horas, segundo três enfermeiras consultadas pela Efe, que falaram sob anonimato no Hospital Miguel Pérez Carreño, no oeste de Caracas.

No setor de clínica médica do Pérez Carreño, por exemplo, sete enfermeiras podem atender até 40 pacientes num turno, segundo as enfermeiras.

Corpos em cemitérios e crematórios

Nos cemitérios e crematórios da capital, também é visível o impacto do duplo terremoto.

“Na quinta-feira foram quase 60, na sexta quase cem, no sábado e domingo cerca de 70, na segunda 50 e na terça 50, a maioria para cremação. Hoje já são 18. As câmaras estão cheias, e há gente que diz: ‘Deixo aqui meu filho, vou buscar o outro, vou continuar tirando os escombros'”, relatou um trabalhador do cemitério do Leste de Caracas, um dos maiores da cidade.

Em La Guaira, o porto da capital do estado mais atingido foi transformado em um necrotério improvisado para onde são levados os corpos retirados dos escombros para identificação.

Os devastadores terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos em 24 de junho, danificaram 855 edifícios, dos quais 189 colapsaram totalmente. Os números oficiais registram 1.943 mortos, mas a tragédia também deixou um número ainda incerto de desaparecidos.

Fonte:   www.dw.com.br


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