Especialista destaca importância da escrita manual para humanidade

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Movimento de digitalização extrema já enfrenta resistência global
Cláudio Lobato Rádio Cultura FM de Belém

“A escrita tem um papel muito importante no desenvolvimento humano e no processo de aprendizagem. Além de ser uma forma de comunicação, ela ajuda na organização do pensamento, favorece o foco, estimula a criatividade e auxilia na compreensão e na fixação de informações. Ou seja, quando escrevemos, ativamos diferentes áreas do cérebro relacionadas à linguagem, à atenção e à memória, principalmente durante a escrita manual.”

A fala da pedagoga e psicóloga Sirina Tavares serve para alertar o mundo sobre os prejuízos ao desenvolvimento humano causados pela escrita digitada. Um diagnóstico defendido por outra especialista, Adriana Fóz, aponta que a substituição progressiva da escrita manual pela dependência dos teclados está reduzindo o espaço do ser humano.

A escrita à mão, habilidade fundamental na evolução da espécie, atua como um exercício cognitivo complexo. Segundo Sirina Tavares, o ato de escrever com papel e caneta desacelera o cérebro em favor da profundidade, treinando quesitos que o meio digital, pautado pela pressa e pelo imediatismo, não consegue suprir.

“O abandono do hábito de escrever à mão pode trazer impactos importantes, principalmente no processo de aprendizagem. Embora a tecnologia facilite muito a comunicação no dia a dia, especialmente com o uso das redes sociais, a escrita manual continua exercendo um papel significativo no desenvolvimento cognitivo. Quando escrevemos à mão, o cérebro trabalha de forma mais ativa, estimula habilidades relacionadas à atenção, à compreensão e à organização do pensamento”, destaca.

Resistência global

O movimento de digitalização escolar extrema já enfrenta resistência global. Países como Suécia, Finlândia e regiões dos Estados Unidos, que reduziram a caligrafia nos currículos, voltaram atrás da decisão. A base para o recuo é científica. Um estudo norueguês publicado em 2024 concluiu que a escrita manual estimula a atividade cerebral em áreas vitais para a retenção de conteúdo.

“A escrita manual ativa áreas cerebrais que não são acessadas da mesma forma durante a digitação. Por isso, a diminuição ou o abandono do hábito de escrever à mão pode afetar diretamente o processo de aprendizagem. Estudos mostram também que a escrita manual contribui para o reconhecimento das letras e para o desenvolvimento da consciência fonêmica, especialmente durante a alfabetização. Dessa forma, vale a pena ressaltar que substituir completamente a escrita à mão pela digitação pode trazer prejuízos, principalmente na aprendizagem inicial da leitura e da escrita pelas crianças do ensino fundamental 1”, explica Sirina Tavares.

Por isso, os cientistas acendem um alerta sobre o futuro do intelectualismo humano. O mundo caminha para uma crise de inteligência. Para a pesquisadora Edna Lúcia Cunha Lima, o desafio atual é fazer com que a tradição coexista com a inteligência artificial. Quando a tecnologia expande a personalização digital, ela retira a necessidade da assinatura e do gesto único.


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