Sabe aquela sensação de que a vida só vai ser perfeita quando você conquistar absolutamente tudo o que deseja? Um pensamento de Jean-Paul Sartre, um dos maiores nomes da filosofia, voltou a bombar nas redes sociais e em portais de bem-estar justamente para questionar isso. O motivo do buzz é uma frase simples, mas que dá um nó na cabeça: “A felicidade não é fazer o que se quer, mas querer o que se faz”.
Quem resgatou essa ideia foi o portal espanhol Cuerpomente, em um artigo que revisita o pensamento do filósofo francês sobre liberdade, responsabilidade e, claro, o que realmente nos faz felizes!
Para Sartre, o pai do existencialismo, a felicidade nunca dependeu de uma vida de comercial de margarina, sem traumas, boletos ou frustrações. Muito pelo contrário. Ele acreditava que os perrengues fazem parte da existência humana, mas a grande virada de chave é como a gente escolhe reagir a eles.
O artigo do Cuerpomente pontua que muita gente cai na cilada de achar que está “destinada” a ser de um jeito por causa dos traumas da infância, das feridas emocionais ou dos fracassos do passado. Sartre batia o pé contra isso: o passado importa, sim, mas não dita o ponto final da sua história. É daí que vem outra frase icônica dele: “A liberdade é o que você faz com aquilo que fizeram de você”.
A base da filosofia de Sartre é que nós somos os únicos donos das nossas decisões. Não dá para culpar o signo, o destino ou o universo. O filósofo dizia que estamos “condenados a ser livres” – o que significa que a liberdade é um superpoder que vem com um peso bem grande nas costas.
Olhando por esse lado, a felicidade não é realizar todos os seus desejos da lista de ano novo, mas sim agir de forma coerente com a vida que você escolheu levar. Em resumo: mais do que fazer o que dá na telha, o segredo é achar significado naquilo que você já está fazendo
O portal espanhol também destaca como a liberdade conversa direto com as nossas dores antigas. Sartre sabia que experiências dolorosas moldam nossos medos e manias, mas defendia que sempre dá para escolher um caminho diferente.
Essa ideia conversa muito com o que o psiquiatra Viktor Frankl, sobrevivente do Holocausto, escreveu anos depois: a última liberdade humana é escolher a própria atitude diante das situações. Hoje, a própria ciência – com estudos sobre resiliência e neuroplasticidade – prova que o cérebro consegue, sim, criar novos hábitos e superar traumas.
Passar pano para a vida? Não com Sartre. Ele nunca romantizou a existência e sabia que ser livre dá um baita trabalho. Afinal, assumir a responsabilidade pelas próprias decisões significa parar de dar desculpas e encarar as consequências.
Mas era exatamente aí que morava a mágica de uma vida autêntica. Para ele, a felicidade não é dar o check em todas as metas, mas sim construir uma relação consciente com a sua própria história