Relatório da OIT alerta para riscos psicossociais no trabalho

Relatório da OIT alerta para riscos psicossociais no trabalho
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Estudo destaca como emprego influencia saúde dos trabalhadores
Tatiana Alves Rádio Nacional crédito: Marcelo Camargo

Mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos em todo o mundo por causa de problemas de saúde associados a riscos psicossociais no trabalho, como jornadas excessivas, instabilidade no emprego e assédio no ambiente profissional. Os dados são de um novo relatório global da Organização Internacional do Trabalho, a OIT.

O estudo aponta que esses fatores estão ligados, principalmente, ao aumento de doenças cardiovasculares e de transtornos mentais, incluindo casos de suicídio. Segundo o documento, essas condições levam à perda de quase 45 milhões de anos de vida ajustados por incapacidade anualmente, indicador que mede o tempo de vida saudável perdido por doença, invalidez ou morte precoce.

O impacto econômico também é expressivo: as perdas podem representar até 1,37% do produto interno bruto mundial a cada ano.

Pesquisa

Intitulado “O ambiente de trabalho psicossocial: avanços globais e caminhos para a ação”, o relatório destaca como a forma de organizar, gerir e estruturar o trabalho influencia a saúde e a segurança dos trabalhadores.

A pesquisa alerta que riscos como altas exigências com pouco controle, longas horas de trabalho, insegurança profissional, além de violência e assédio, criam ambientes prejudiciais e podem aumentar os riscos psicossociais, como analisa o professor de Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, Cristiano de Jesus Andrade:

“Vai gerar um sofrimento psíquico, um sofrimento psicológico, nesse sujeito que trabalha. E esse sofrimento, se não tratado – com psicoterapia, com atividades físicas, com redes de apoio – ele pode, sim, evoluir para um adoecimento psíquico propriamente dito. A esses adoecimentos, nós podemos lembrar da ansiedade, nós podemos lembrar da depressão. A depressão não necessariamente de cara vai aparecer como uma patologia, como uma doença, mas sim como uma tristeza profunda que vai evoluindo até o adoecer propriamente dito.”

A OIT reforça que esses riscos têm origem estrutural e podem ser prevenidos com ações organizacionais eficazes, além da integração da gestão psicossocial aos sistemas de saúde e segurança no trabalho, com diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores.


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